Os bebés preferem ouvir “tom de bebé” (quer falem um ou dois idiomas)

Pais com um carrinho de bebé

Já se sabia que os bebés preferem ouvir um tom infantil do que um “tom de adulo”. Agora, um novo estudo revela que isso acontece, quer estejam a aprender uma ou duas línguas.

Pode ser difícil não falar num tom exagerado quando se interage com um bebé. E isso tem um motivo: os bebés prestam mais atenção a esse tom do que ao tom de fala que um adulto usa no dia-a-dia.

Cientistas já sabiam que os bebés que aprendem um idioma preferem ouvir os tons cantados, característicos de quem fala para uma criança. Um estudo recente descobriu que os bebés bilingues mostram o mesmo interesse na “fala de bebé” – tom usado no discurso dirigido a crianças – e na mesma idade, escreve o Science Daily.

O estudo, realizado pelo Laboratório de Aquisição de Idiomas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, e por outros 16 laboratórios ao redor do mundo, descobriu que os bebés que estão a aprender duas línguas demonstram um interesse ainda maior na “fala de bebé”, do que os bebés que só estão a aprender uma língua.

Apesar de alguns pais terem receio de que ensinar dois idiomas prejudique a altura em que o bebé começa a falar, o novo estudo mostra que os bebés bilingues estão no caminho certo em termos de desenvolvimento – até porque se interessaram pela “fala de bebé” na mesma idade que aqueles que aprendem apenas um idioma.

“Descobrimos que o desenvolvimento da aprendizagem e da atenção é semelhante nos bebés, independentemente de estarem a aprender uma ou duas línguas”, disse Megha Sundara, professora de linguística da UCLA e diretora do Language Acquisition Lab.

Além disso, de acordo com a cientista, quanto mais cedo se introduzir um novo idioma, melhor se aprende o mesmo. Por isso, “o bilinguismo é uma vantagem para todos”, afirmou.

No estudo, que ocorreu em 17 laboratórios espalhados por quatro continentes, os investigadores observaram 333 bebés bilingues e 384 bebés monolingues, com idades compreendidas entre os 6 e 9 meses e os 12 a 15 meses.

Cada bebé ficava sentado no colo dos pais enquanto eram reproduzidas gravações de uma mãe a falar inglês, tanto em “tom de bebé” como de adulto, tocadas em altifalantes diferentes, à esquerda ou à direita. A monitorização informática media quanto tempo cada bebé olhava na direção de cada som.

“Quanto mais tempo olhavam, mais forte era a sua preferência”, explicou Victoria Mateu, professora de Espanhol e Português na UCLA, que ficou responsável pelos bebés dos 12 aos 15 meses de idade.

“Os bebés tendem a prestar mais atenção aos sons exagerados da fala dirigida a crianças”, disse.

Os pais bilingues indicaram a percentagem de tempo que foi falado inglês em casa, comparativamente com o espanhol, e, quanto mais inglês os bebés bilingues ouviam, mais forte era a sua preferência pela fala dirigida a bebés.

No entanto, mesmo os bebés sem nenhum contacto com o inglês preferem o “tom de bebé” em inglês em vez da conversa de adultos, disse Mateu, acrescentando que a linguagem infantil é encontrada na maioria dos idiomas e culturas, mas que o inglês tem uma das formas mais exageradas.

“A fala de bebés tem uma taxa mais lenta em todos os idiomas, com um tom mais variável, e é mais animada e feliz”, disse ainda.

De acordo com a investigadora, o alcance global do estudo – realizado em países como Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Singapura – fortaleceu os resultados obtidos.

“Quando se faz pesquisa sobre idiomas, quer-se saber se os resultados não são apenas uma peculiaridade da língua que se está a estudar”, disse Mateu.

De acordo com o estudo, bebés entre os 6 e os 9 meses de idade, cujas mães apresentavam níveis de educação mais elevados tinham mais tendência a preferir a linguagem infantil do que bebés cujas mães tinham menos educação.

“Suspeitamos que, talvez, as mães com maior nível de escolaridade falassem mais com os bebés e usassem o ‘tom de bebé’ com mais frequência”, explicou Mateu.

De qualquer forma, à medida que os conhecimentos sobre o tema avançam, os pais podem balbuciar com os seus bebés numa ou duas línguas, sabendo que não os irão confundir.

O artigo foi publicado, no final de março, na revista científica Advances in Methods and Practices in Psychological Science.

Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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