Bloco quer mais funcionários públicos e quotas por raça nas universidades

Luís Forra / Lusa

O BE afirma, no programa eleitoral disponibilizado hoje na íntegra, que “é o partido que quer e pode impedir uma maioria absoluta”, um resultado nas eleições legislativas que faria Portugal “voltar ao passado da arrogância governamental”.

Sob o mote “Faz acontecer”, o BE lança hoje, numa página online criada para esse efeito, o seu programa eleitoral para a legislatura 2019/2023, com o qual se vai apresentar às eleições legislativas de 6 de outubro, texto no qual defende que os acordos que permitiram a atual solução governativa provam que “no passado, a ausência de entendimentos à esquerda não foi defeito da esquerda, foi mesmo feitio do PS”.

O Bloco de Esquerda, entre várias medidas do seu programa, propõe a introdução de quotas de entrada no ensino superior por raças ou etnias. Esta medida está enquadrada no capítulo intitulado “direitos fortes contra o conservadorismo e o preconceito”. Aqui, o partido sugere ainda a redução para 16 anos da idade de início de direito ao voto.

Segundo a Rádio Renascença, os bloquistas preveem ainda a legalização da morte assistida e o reforço dos cuidados continuados e paliativos. Já na justiça, o programa eleitoral do BE propõe uma maior fiscalização aos políticos e o fim dos polémicos vistos gold.

No programa eleitoral, o BE fala ainda da contração de 30 mil novos funcionários públicos por ano. De acordo com o ECO, o Bloco propõe a “contratação de 20 mil pessoas para a Função Pública por ano durante a próxima legislatura para compensar quem, entretanto, sai por reforma ou outra razão, e ainda o reforço dos serviços essenciais com mais 10 mil contratos por ano”.

Numa das últimas páginas do documento, com o título “Porque vale a pena”, o BE assume o objetivo de evitar uma maioria absoluta socialista nas eleições, ainda que sem nunca citar o PS.

“O Bloco de Esquerda é o partido que quer e pode impedir uma maioria absoluta”, lê-se.

Na perspetiva do partido liderado por Catarina Martins, “a maioria absoluta é o pântano onde a corrupção se esconde, os abusos fiscais se multiplicam, as cumplicidades se instalam e a democracia é atrofiada”.

É para conseguir implementar as medidas estruturais que consideram fundamentais na próxima legislatura que os bloquistas se veem como “a garantia contra a maioria absoluta”, que faria Portugal “voltar ao passado da arrogância governamental”.

“Com maiorias absolutas, os bancos criaram o buraco que agora foi pago com 23.800 milhões de euros dos contribuintes. Com maiorias absolutas, instalaram-se gestões privadas em hospitais públicos. Com maiorias absolutas, nunca se soube como eram nomeados os administradores bancários e os favores que faziam”, exemplificam.

O BE dedica umas páginas do seu programa a fazer um breve balanço da legislatura que agora termina, uma forma de contexto sobre “como chegámos aqui” e que se debruça sobre os inéditos acordos à esquerda que permitiram o apoio parlamentar de BE, PCP e PEV a um Governo minoritário do PS.

“Um facto novo na política portuguesa, quebrando o mito de que a não assunção de compromissos de governação seria uma estratégia de desresponsabilização da esquerda relativamente ao exercício do poder”, aponta.

Nestes quatro anos, segundo os bloquistas, “a esquerda mostrou que sabe ser determinante nas escolhas políticas, se tiver força para isso”, tendo-se também desmascarado “o efeito perverso do voto útil” numa legislatura durante a qual “a política portuguesa mudou”.

“O Bloco foi uma força estável, que nunca cedeu a taticismos e se afirmou como uma garantia de segurança dos direitos das pessoas”, assegura.

Perante o balanço de uma legislatura “com ganhos inegáveis e com limitações persistentes”, o BE destaca que nas legislativas de outubro “é essencial criar uma relação de forças que dê ao Bloco a força para abrir caminho para uma economia para todas as pessoas e uma sociedade que proteja quem mais precisa”.

ZAP // Lusa

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32 COMENTÁRIOS

  1. “…quotas por raça nas universidades…” ????
    Mas não é o BE que diz que na humanidade não há raças, mas simplesmente pessoas?
    Então porque não deixar à selecção natural por notas, o acesso ao ensino superior?
    Não basta ter Estrangeiros com médias de 11/12 a frequentar cursos onde portugueses com 13/14 não tiveram lugar devido à sua média de acesso?
    Bem prega Frei Tomás !!!

    • Concordo e subscrevo. A idiotice das quotas é uma nova forma de descriminação, desta feita para favorecimento de minorias em detrimento dos restantes… um perfeito disparate. Ausência de descriminação, é a igualdade de direitos, mas também deveres. Tudo o resto é apenas uma forma diferente de discriminar…

      • Concordo, esta rapariga ou melhor o BE, sobrevive em grande parte com o apoio das minorias.
        Estamos a ser vitimas de racismo no nosso pais.
        O que a Srª quis dizer foi que quer menos portugueses em cargos públicos e Universidades e mais, negros, ciganos, muçulmanos, amarelos, etc…
        Penso que desta vez deu um tiro nos Pés.
        Declarações destas conseguem caçar uns votos ás minorias, mas perdem certamente nas maiorias , não tenho duvidas que o BE vai pagar estas declarações bem pagas já nas próximas eleições.
        Tal como o PC perdeu com aquele sorriso do Sr Gerónimo, quando lhe perguntaram se era a favor do agravamento das penas para casos de corrupção no governo.

  2. O BE é dos maiores perigos para a democracia. Quotas de entrada no ensino superior por raças ou etnias são um perfeito disparate e só alimentam ódio e divisões sociais. Racismo é também privilegiar uma raça sobre a outra. Porque é que alguém que se esforçou para concretizar os seus objectivos vai ‘bater com o nariz na porta’ da universidade porque a sua vaga foi ocupada por alguém com base na raça ou etnia? Tantos disparates a bem do politicamente correcto. O BE não pode ter tanta influência sobre os destinos do país. Já votei neles, mas depois cresci e ganhei juízo.

  3. O Bloco de Esquerda, entre várias medidas do seu programa, propõe a introdução de quotas de entrada no ensino superior por raças ou etnias. Esta medida está enquadrada no capítulo intitulado “direitos fortes contra o conservadorismo e o preconceito”.

    Eis, senhores, a derradeira e sublime manifestação de racismo. Criar quotas, porque, com as mesmas regras dos outros, eles não conseguem. Tanto barulho quando foi a questão da introdução do campo raça no cartão de cidadão, e agora isto. O Bloco sempre na crista da onda no que toca à coerência…

  4. O BE, tem toda a razão. É preferível colocar as raças nas Universidades do que andarem à deriva na Av. Almirante Reis, Martin Moniz, etc. Preferencialmente, colocá-los nas casas dos bloquistas, incluindo na mansão do Robles.

  5. Quem já conhece os meus comentários por aqui (no bom ou no mau sentido) sabe duas coisas: 1) não sofro de clubismos ideológicos nem partidários. Penso de forma ideologicamente independente e avulsa. 2) tenho uma postura que oscila normalmente entre o centro-esquerda e o centro-direita, consoante os temas.

    Dito isto, acho no entanto um manifesto absurdo e uma total insensatez, esta questão das quotas de raça ou de género seja no que for. Como alguém aqui já comentou, se é para não ter preconceito de raça, credo, género ou orientação sexual, então os métodos de selecção devem ser cegos a isso. Se não se souberem essas características, o candidato também não poderá ser discriminado por esses motivos. São as oportunidades que devem ser iguais, e não as percentagens finais de representatividade.

    O que tem de estar bem representado, é a isenção e a abertura de oportunidades sem olhar a raças, géneros, etc.. Não são os números de homens, mulheres, pretos, brancos etc.. A ter de ser equilibrados! Sê-lo-ão certamente se igual número de pessoas de cada raça ou género concorrerem. Não têm de o ser se logo à partida, houver uma diferença grande de interesse em concorrer, por parte de cada grupo. Faz algum sentido que se concorrerem ao mesmo emprego/curso 100 mil homens e 500 mulheres, que seja obrigatório haver 50% de cada um nas posições finais? Isto sim é discriminação de género! Porque a uns dá-se logo à partida uma probabilidade de 1/100.000 e para outros, 1/500.

    Não, a selecção tem de ser cegamente baseada no mérito, nas notas, no CV… Nunca na raça, sexo ou credo. Só assim se pode falar em justiça social e igualdade. De outra forma está-se a tratar certos géneros ou certas raças como deficientes ou inferiores. Os deficientes e os doentes é que precisam de ser apoiados e ter quotas, porque esses não partem de um ponto de partida igual. Têm a infelicidade de ter nascido com problemas e precisam de ajuda. Agora géneros e raças ou orientações sexuais?? Façam pela vida como toda a gente!

    Termino dizendo que há décadas que sou professor e competidor de artes marciais chinesas. Nunca na vida eu estive num país oriental onde um curso ou um campeonato tivesse quotas ou critérios de selecção/pontuação especiais para ocidentais. Só realmente nós é que temos a mania dessas parvoíces. Nem discriminar nem levar ao colo!!..

  6. Nojo, sinto um nojo horrivel a esse partido gerido por pseudo intelectuais que sao uma praga, o partido da divisão do povo, do ódio, do populismo, o partido da malta nova, que é revoltada e ainda nem trabalham mas querem todos os direitos… O partido que defende os de fora e caga na boca de quem os alimenta… Os tais pseudo intelectuais da sociedade que nada fazem ou fizeram em prol do País, mas concerteza com todos os direitos de uma pessoa coerente e trabalhadora. Começam nas universidades a doutrinação das mentes estupidas dos putos cagões que por la andam.. Tipos zombies, sem saberem o que fazer da vida…. Vai tudo com o crlh!

    • De facto a deputada Catarina tem iniciativas geniais… esta das quotas é uma. Outra é colocar os portugueses e etc. todos como funcionários do Estado.

  7. A ideia das quotas por raças no acesso ao ensino Superior é absurda. Mas preocupa-me ainda mais a ideia estapafúrdia de contratar 20k funcionários públicos por ano. Como é que o BE pretende pagar isso?

    Se um dia o BE chegar à posição de governar Portugal por uns anos, é garantido que Portugal se transforma numa Venezuela em pouco tempo.

      • Houve tempo em que Portugal esteve internacionalmente isolado, combatendo em vários teatros de guerra, e esteve melhor que a Venezuela (algo que me foi garantido por muitos ex-combatentes, quer da “tropa macaca” quer do oficialato, bem como muito “povo comum”, com quem tive o prazer de conversar sobre essa época. Claro que nenhuns destes eram comunas).
        A diferença é que, do que li da história dos políticos (leia-se Estadistas) da altura, é que nenhum deles enriqueceu ao serviço do Estado, enquanto que os “políticos” de agora enriquecem eles, a família, o partido, os amigos….

  8. Esta Comunista de Mer….quer a cota por raça como fizeram os comunistas no Brasil. As pessoas devem entrar em Universidades e empregos por competência e trabalho demonstrado e não porque é preto ou branco.
    A Catarina da Esquerda sociopata deve andar a ter reuniões com o assumido Gay do Brasil, Jean Wyllys.

  9. Interessante o que o BE tem em mente – impressão minha ou é uma cópia do que a Pelosi quer nos EUA (16 anos para a idade de voto).

    Quotas na universidade? Voltamos à segregação? Mérito, é o mérito, as notas e não a raça – é-me indiferente a raça; o importante é o mérito.

    Socialistas progressitas em Portugal? Já atravessou ou Atlântico? – Deixem-se de tretas e tentar dividir as pessoas por raça.

    Daqui a pouco só falta quererem universidade gratuíta para todos.

  10. Todos sabemos que o sistema é altamente discriminatório e que só alguns entram no ensino superior.
    Concordo plenamente com esta proposta e acho que também deveria haver quotas para outro grupo que é altamente discriminado e que nunca consegue entrar; os que têm negativa…

  11. Uma verdadeira declaração racista! Finalmente sabemos quem é o BE!
    Ah…esta discriminação não configura o crime de racismo? O Mamadou deveria pronunciar-se! Ops…esqueci-me que a proposta deve ser dele, já que também é assessor do Bloco! E pago pelos contribuintes!

  12. O “verdadeiro” partido das “causas” fraturantes? Ou o partido da fraturação da sociedade portuguesa?
    Mais funcionários públicos? Vão cortar onde na despesa? Ou vão emitir dívida? Ou vão aumentar impostos?
    Quotas por raça nas universidades. Não será isto racismo inverso? Ou a quota é percentualmente igual à representatividade da “raça” na população geral?
    Mas a culpa senhores, a verdadeira culpa do estado do País, está naqueles que na altura devida preferem abster-se, em vez de irem à mesa de voto e votar noutro fora do habitual “arco”.
    Este partido tem os seus eleitores devidamente mobilizados e por isso tem lugares na AR.
    Há presentemente 25 partidos registados no Tribunal Constitucional, por isso, parem de se queixar aqui, e em outubro façam um voto de PROTESTO contra os do costume!

  13. “medidas de discriminação positiva” diz a homoherectus feita de pau preto vindo do cu de africa, e que tal esse pedaço de esterco juntamente com o Ba volatarem para a p**@ da terra deles que é bem grande e aplicarem as ideias deles e deixarem o povo lusitano em paz, já custa cruzar com essa r**@ na rua, que moral tem essa m**** p+ara mandar no povo indigena lusitano? são os novos colonos é?

  14. vem agora com “discriminação positiva” e que tal esses pedaços de m**** irem para a terra deles que é bem grande, e deixarem o povo lusitano em paz, p***** malditos r*** inf***** malditos sejam voces que africa seja amaldiçoada e a vc r*** d******* desta t**** deixem o nosso povo lusitano em paz, vcs metem nojo so de ver na rua

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