Monsanto condenada a pagar 290 milhões de dólares a jardineiro com cancro

chafermachinery / Flickr

Aplicação de pesticida glifosato num terreno agrícola

Em 2015, o glifosato foi considerado “provavelmente cancerígeno” para humanos. Agora, a Monsanto foi condenada a pagar uma indemnização por não avisar para os riscos de uso do herbicida.

Esta sexta-feira, um tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, condenou o gigante agroquímico Monsanto a pagar 290 milhões de dólares, cerca de 253 milhões de euros, por não ter informado sobre a perigosidade do herbicida Roundup, na origem de um cancro num jardineiro.

O princípio ativo deste herbicida é o glifosato, presente em alguns herbicidas, cuja licença de utilização foi renovada na Europa em novembro de 2017.

Os jurados determinaram que a Monsanto agiu “com maldade” e que o herbicida Roundup, ainda que na sua versão profissional RangerPro, contribuiu “consideravelmente” para a doença do jardineiro Dewayne Johnson.

A Monsanto, comprada pela alemã Bayer, foi processada pelo jardineiro americano, de 46 anos, vítima de um cancro em fase terminal, após ter vaporizado com o herbicida Roundup durante vários anos.

Este sábado, após a sentença, a farmacêutica Bayer garantiu que o glifosato é “seguro e não cancerígeno”. A garantia decorre de “provas científicas, sujeitas a exames regulares à escala mundial” e de “dezenas de experiências práticas de utilização do glifosato”, composto usado em herbicidas, disse um porta-voz da farmacêutica alemã Bayer, não identificado pela agência AFP.

A Monsanto já anunciou, em comunicado, que vai recorrer da sentença e reiterou que o glifosato não provoca o cancro e não foi responsável pela doença do jardineiro americano. “A decisão do tribunal contradiz as conclusões científicas”, corroborou o porta-voz da Bayer.

O glifosato, presente no produto Roundup, é uma substância muito controversa, que tem sido objeto de estudos científicos contraditórios quanto à presença de elementos cancerígenos. Criticado em todo o planeta, mas raramente proibido ou condenado, o glifosato é considerado, desde 2015, como “provavelmente cancerígeno” pela Organização Mundial de Saúde.

Após dois anos de intensos debates, a União Europeia renovou, em finais de 2017, a licença do glifosato por cinco anos.

// Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O princípio do fim da Monsatan! E não deve ser o único a ser afetado com cancro por causa daquele veneno, de certeza!
    E, na minha modesta opinião, o problema nem deve ser só do glifosato… Esse é apenas o único ingrediente que eles revelam, se calhar o mal pior está nos outros ingredientes que eles dizem ser secretos.

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