Tomar banhos gelados pode não ser a coisa mais agradável do mundo – mas faz bem à saúde. Pode prevenir doenças e retardar o envelhecimento celular.
Um estudo publicado recentemente na Advanced Biology provou que basta semana de banhos gelados para fazer com que as células do corpo iniciem o processo de autofagia.
A autofagia é o processo natural de regeneração celular. Este processo mantém as células saudáveis, protegendo-nos de doenças.
A nova investigação, conduzida pela Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriu que a manutenção de mergulhos em água fria durante sete dias consecutivos produz alterações reais no funcionamento protetor das células.
“As nossas descobertas indicam que a exposição repetida ao frio melhora significativamente a função autofágica, um mecanismo crítico de proteção celular”, disse, à New Atlas, o autor correspondente do estudo, Glen Kenny.
“Esta melhoria permite às células gerir melhor o stress e pode ter implicações importantes para a saúde e a longevidade”, acrescentou.
Neste estudo, 10 homens saudáveis e fisicamente ativos, com uma idade média de 23 anos, mergulharam em água a 14°C uma hora por dia durante uma semana.
Depois, monitorizaram-se as proteínas no sangue dos homens para ver como os mergulhos em água fria afetavam as respostas ao stress celular, incluindo a autofagia, a inflamação e as respostas ao choque térmico.
Ao longo do estudo de sete dias, os investigadores observaram “mudanças marcantes a nível celular”. Inicialmente, os homens apresentavam uma “disfunção autofágica”, indicada por uma acumulação da proteína p62. A acumulação desta proteína sugere que a autofagia não estava a funcionar corretamente.
Os níveis elevados de p62 foram observados juntamente com um aumento da caspase-3, uma enzima que desempenha um papel fundamental na apoptose ou autodestruição celular, provavelmente devido ao stress induzido pelo frio.
Ao quarto dia da experiência, os níveis de p62 tinham diminuído (embora continuassem mais elevados do que na linha de base) e a caspase-3 permanecia elevada. Os investigadores sugerem que isto se deve ao facto de “as respostas autofágicas não serem suficientes para contrariar o stress associado induzido pelo frio”.
Mas, ao sétimo dia, a atividade autofágica protetora ultrapassou a sinalização da morte celular.
Os investigadores teorizam que as implicações dos banhos gelados vão além da utilização popular na recuperação pós-exercício de um atleta.
Os investigadores afirmam que as suas conclusões de que os mergulhos contínuos em água fria afetam positivamente a autofagia, atrasando o envelhecimento e prevenindo doenças.
“A principal conclusão do estudo é que a exposição ao frio pode ajudar a prevenir doenças e, potencialmente, até a retardar o envelhecimento a nível celular” – afirmou a líder da investigação, Kelli King, à New Atlas.