Bancos exigem mil milhões a Berardo (mas ele só tem uma garagem)

Homem de Gouveia / Lusa

Joe Berardo

Num acordo inédito, CGD, BCP e Novo Banco juntaram-se para reclamar dívidas de Joe Berardo, entregando no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa uma acção executiva para cobrar quase 1.000 milhões de euros, executando ainda a Fundação e duas empresas ligadas ao empresário madeirense.

Esta acção executiva, que consta do portal informático CITIUS que serve os tribunais, tem como data de entrada o passado sábado e apresenta como exequentes a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP) e o Novo Banco.

A acção para cobrança de uma dívida total de 962.162.180,21 euros tem como executados o empresário José Manuel Rodrigues Berardo (conhecido por Joe Berardo), a Fundação José Berardo – Instituição Particular de Solidariedade Social, a empresa Metalgest – Sociedade de Gestão e a empresa Moagens Associadas, SA.

A notícia de que CGD, BCP e Novo Banco iam colocar um processo de execução de bens a Joe Berardo, por incumprimento em créditos, foi avançada pelo Correio da Manhã (CM) no início deste mês e o Expresso informou agora que a acção deu entrada em tribunal no passado sábado, 20 de Abril.

Um dos objectivos da acção é aceder às obras de arte da Colecção Berardo – o empresário tem um acordo com o Estado que determina que as obras de arte que estão em exposição no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, até 2022, não podem ser vendidas.

Segundo o CM, Joe Berardo só tem directamente em seu nome uma garagem localizada na Madeira.

Os créditos concedidos pelos bancos a Joe Berardo serviram sobretudo para financiar a compra de acções do BCP, no âmbito da guerra de poder que se viveu no banco em 2007.

Como garantia dos créditos, o empresário deu precisamente as acções do BCP que estava a comprar com os empréstimos, que entretanto desvalorizaram significativamente gerando perdas avultadas para a CGD.

“Um cliente especial” na CGD

Joe Berardo tem sido dos clientes bancários mais referidos na segunda comissão de inquérito parlamentar à gestão da CGD.

O antigo presidente do conselho fiscal do banco público, Eduardo Paz Ferreira, sugeriu a 3 de Abril, em audição no Parlamento, que o empresário era um “cliente especial e à margem das regras” do banco.

Paz Ferreira contou que teve esta confirmação de um ex-administrador executivo do banco, responsável por operações envolvendo Joe Berardo, depois de lhe perguntar se o empresário era “tratado na Caixa como qualquer outro cliente”.

No dia anterior, a 2 de Abril, o antigo revisor oficial de contas da CGD, Manuel de Oliveira Rego, disse que o banco público fez esforços para recuperar garantias dos empréstimos a Joe Berardo, “em termos de aval pessoal dele e da esposa, em termos de colecções e não sei que mais”.

Oliveira Rego lembrou que as acções do BCP se transformaram “muito rapidamente de 16 euros para um euro”, resultando em grandes prejuízos para o banco público.

O responsável disse ainda que as garantias desses créditos “não eram aquelas que eram adequadas”, situando-se “abaixo dos 120% de cobertura do empréstimo”, mas também referiu que “nesse período não chegavam a isso” também noutros créditos.

A 10 de Abril, na mesma comissão parlamentar, o antigo presidente do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal, João Costa Pinto, considerou “inconcebível” que um banco público se envolva em operações de “natureza especulativa ou financeira”, como crédito para compra de acções.

“Há operações que foram conduzidas no âmbito do banco público que eu não entendo nem nunca entendi”, vincou, sublinhando que este tipo de operações “não cabe nos padrões normais de avaliação de risco”, já que “o tipo de colateral ou garantia é susceptível a grandes oscilações no mercado”.

Segundo o Expresso, além deste processo em conjunto dos três bancos, a CGD já tinha movido em 2017 uma execução judicial contra a Metalgest, no valor de 56 milhões de euros.

Segundo o mesmo jornal, há ainda uma acção do BBVA colocada há 15 anos contra Berardo, com o intuito de tentar recuperar três milhões de euros. O empresário pôs também um processo contra o BBVA e administradores.

ZAP // Lusa

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29 COMENTÁRIOS

    • Tenha antes pena de si e de todos nós, que temos de pagar o dinheiro que esse estupor pediu aos bancos e usufruiu em proveito próprio. Sabe quem devia pagar os quase 1000 milhões que ele deve ao BCP, à CGD e ao Novo Banco? Foi quem lhe emprestou esse dinheiro sem avaliar os riscos. E os 2.500 milhões de € que ele recebia anualmente (não sei se continua a receber ou não) para a Fundação Berardo? Recebia esse valor em 2 tranches, a 1ª de 1.250 mil € em Março de cada ano e a 2ª em Setembro. Foi um contrato que celebrou com Sócrates. Passos Coelho quis mandar reavaliar a coleção por outro avaliador independente para saber se a coleção valia realmente o valor do contrato e ele recusou, alegando que estava avaliada e mais ninguém avaliaria nada. Coleção que estava hipotecada… ninguém viu nada disso antes de entregar o dinheiro? Apareceu do nada, quando veio da Madeira, com o estatuto de “Comendador” Joe Berardo na altura em que Sócrates ganhou as primeiras eleições, triunfou, pediu dinheiro aos bancos, fez-se rico sem ter quase nada e agora não tem vergonha na cara por se andar a pavonear e os contribuintes a pagar as dívidas dele. E desapareceu de circulação quando Sócrates perdeu as últimas eleições. Ninguém investiga quem lhe concedeu os empréstimos nos 3 bancos? Quem deu autorização para tantos milhões de € (quase 1000)? Esses é que deviam pagar esse dinheiro, mas aprenderam a carregar o povo burro com os buracos nos bancos e depois não têm dinheiro, cortam as baixas a quem não pode trabalhar, “enganam-se” nos cálculos das reformas prejudicando os reformados, não pagam aos hospitais para que possam comprar novo equipamento, não renovam os transportes que ardem em plena rua com os passageiros dentro, os comboios andam a cair aos pedaços, os barcos estão podres, as escolas foram divididas em agrupamentos em cada cidade e estão a dividir garrafões de 5l de detergente pelas escolas de cada agrupamento, não pagam às farmácias, que a maioria está em processo de insolvência ou já falidas, não pagam aos prestadores de serviços dos hospitais, que não devolvem a roupa que diariamente é enviada para ser esterilizada na SUCH, tal como as empresas de limpeza que é feita mal e porcamente por falta de desinfetantes….mas estamos cá no bom caminho, no estrangeiro a conversa é diferente em Bruxelas.

    • Um barquinho no meio do Oceano, sem remos e com um furinho. Metia-se lá este e muitos mais que andaram a arruinar as contas do nosso País, era um instante enquanto acabava a pouca-vergonha.

  1. É espantoso como é que um gajo que só tem uma garagem em seu nome, conseguiu da banca vários e avultados empréstimos. A culpa não é dele, e embora persista a sua responsabilidade, as pessoas que os concederam deveriam também estar a ser questionadas e responsabilizadas. Eu tenho 2 garagens, portanto, o dobro do património do sr José Berardo, e mesmo assim o banco não me empresta mais que 5000 euros.

  2. Só fazem isto porque a lei o permite. Os deputados podem alterar as leis. Porque não o fazem? É só comissões de inquérito para inglês ver.se fosse só este caso mas há tantos assim…

  3. Mais uma palhaçada para tapar os olhos aos portugueses!Primeiro permitiram que retirasse tudo do nome dele e só depois é que vão com acções sobre o vigarista e tudo combinado coms os próprios bancos, para depois virem pedir ao zé povinho que pague mais uma divida de mais um corrupto!

  4. Esta, a de exigir pagamento a quem se sabe que não tem nada em seu nome, é a maneira mais simples de limpar as dividas.
    Depois do leilão da garagem, que deve dar uns 50.000€, o resto fica esquecido.

  5. Afinal quem lhe deu o Dinheiro? Fez algum assalto?
    Metam na Cadeia os membros do Governo e os administradores que foram nomeados pelo governo e deixem o Homem em paz, esse sim não tem culpa no cartório.
    O Português tem sempre a tendência de culpar os que não são responsáveis.

  6. O dinheiro foi distribuído por quem lho cedeu, e ele recebia por fora dos que lhe vendiam as ações. Claro que ficou com a maior parte pois dava a cara. É este o significado de “cliente especial”. Se a garantia eram as ações e foi aceite o negócio é legal. Fiquem então com as ações, goza ele com todos nós na boa vida que tem.

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