Banca. Aumento das comissões é “inevitável”

Mário Cruz / Lusa

A diretora-geral da Associação Portuguesa de Bancos disse esta sexta-feira ser “inevitável” que se verifique um aumento do peso relativo das comissões no produto bancário, assinalando que o próprio Banco Central Europeu tem reconhecido esta inevitabilidade.

Falando sobre os quatro grandes desafios do setor bancário, em que a rentabilidade é um deles, Catarina Cardoso precisou que, em Portugal, a capacidade para os bancos fazerem crescer o peso das comissões no produto bancário “está muito condicionada pelo contexto político e pela imagem do setor”, mas admitiu haver aqui uma inevitabilidade de “aumentar o peso relativo das comissões no produto bancário”.

A diretora-geral da APB, que falava sobre “Visão estratégica da banca na era ‘open-banking'” – um dos painéis inseridos no Fórum Financeiro Outlook 2019 “Portugal – De aqui para onde?”, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa – referiu que o próprio Banco Central Europeu “reconhece que na banca o desafio da rentabilidade vai ter de passar pelo desafio de aumentar o peso das comissões na medida em que a margem financeira está muito condicionada”, nomeadamente pelo contexto das taxas de juro.

A reputação, a reinvenção e a regulação foram os restantes desafios enumerados pela responsável da APB, que, relativamente a este último, referiu que as regras existentes não permitem aos bancos o que é permitido a outros, nomeadamente a novas entidades, como as ‘fintech’, que têm regras mais flexíveis.

A diferença regulatória entre uns e outros foi um reparo comum por parte dos banqueiros que intervieram no mesmo painel.

A presidente do Montepio Geral, Dulce Mota, referiu que, do ponto de vista da regulação, custos de instalação e contribuições, as novas entidades têm uma situação mais ligeira do que os bancos, desde logo porque, exemplificou, ao contrário destes, não estão obrigados a disponibilizar um serviço universal.

Também Luís Castro e Almeida, CEO do BBVA Portugal, se referiu ao tema dizendo que “a regulação das ‘fintech’ vai ser muito parecida com a que existe para os táxis e para a Uber: ambos são regulados, mas a regulação não é igual“.

Já Francisco Barbeira, do BPI, afirmou não acreditar “num mundo” em que haverá entidades reguladas e não reguladas e que as ‘fintech’ acabarão por ter o seu próprio desafio que é “lidar com a regulação” à medida que forem alargando o espetro dos serviços que querem prestar.

Apesar dos desafios e das diferenças ao nível da regulação, os banqueiros salientaram as oportunidades a vantagens que o novo ambiente traz aos bancos, tendo Luís Castro e Almeida precisado que o banco que representa vê as ‘fintech’ como “um parceiro para o negócio do ‘open-banking’, que vai permitir um maior foco e costumização do cliente”

Falando na sessão de encerramento, Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, disse discordar que haja uma regulação diferenciada com a intuito de criar desvantagens entre uns e outros, precisando que a regulação segue o “princípio do mesmo negócio, mesmo risco, mesmas regras”.

“Os reguladores têm nos seus principais focos a preocupação de assegurar que todas as entidades sujeitas à supervisão são tratadas de forma equivalente, tendo em consideração os serviços prestados e, necessariamente, a sua dimensão”, afirmou o administrador do Banco de Portugal.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Bancos querem passar a cobrar por grandes depósitos. Particulares escapam

BCP, Novo Banco e Caixa Geral de Depósitos defendem que é preciso cobrar aos grandes clientes por depósitos de grande dimensão. Particulares e pequenas e médias empresas escapariam desta medida. A ideia foi lançada pelo …

Filho de Bolsonaro já não vai ser embaixador em Washington

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente do Brasil, anunciou na terça-feira, na Câmara dos Deputados, que desistiu da sua indicação para embaixador do país em Washington, nos Estados Unidos (EUA). Na véspera, Jair Bolsonaro, que …

OE2020. Catarina Martins critica chantagem da Comissão Europeia a cada ano

A coordenadora do Bloco de Esquerda criticou esta terça-feira a chantagem da Comissão Europeia em relação a Portugal repetida a cada legislatura e a cada ano, reiterando a disponibilidade "para negociar um Orçamento do Estado …

Maior parte das escolas não cumprem lei de 2009 sobre a educação sexual

Grande parte das escolas não está a cumprir a lei de 2009 que define como deve ser dada a educação sexual no ensino obrigatório, do 1.º ao 12.º ano de escolaridade. A conclusão surge num relatório …

Pouco poder, mas algum. Deputados únicos podem desencadear revisão da Constituição

Os deputados únicos não têm poder para pedir a votação do programa de Governo, ao contrário dos grupos parlamentares, nem podem sozinhos censurar o Executivo, mas podem desencadear, como qualquer parlamentar, um processo de revisão …

Funcionários públicos esperam entre 100 e 280 dias para se poderem reformar. Processo pode ser acompanhado online

A atribuição das novas pensões de reforma aos funcionários públicos está a demorar, em média, entre 100 a 280 dias - ou seja, entre três e mais de nove meses. A revelação foi feita esta terça-feira, …

"Onde está o Varandas?". Claques não faltaram à vitória do Sporting em hóquei em patins

Apesar das quebras de protocolos, Juventude Leonina e Diretivo Ultras XXI marcaram presença no jogo desta terça-feira de hóquei em patins entre o Sporting e a Oliveirense. Na noite desta terça-feira, o Pavilhão João Rocha foi …

Do azedume às contas do passado. Críticos internos atacam Rio

Depois de Rui Rio ter anunciado esta segunda-feira que se recandidata à liderança do PSD, os críticos internos vieram a público. Acusam-no de querer dividir o partido e ajustar contas com o passado e esperam …

"Acho ridículo que sejam feitas obras, portas ou não", diz Ventura

O CDS que não quer o líder do Chega no meio dos seus deputados e a solução pode mesmo passar por abrir uma porta especial para o deputado. "Acho ridículo", comenta André Ventura. Na última conferência …

Duas vitórias em 14 jogos. Benfica quer travar o calvário da Champions

O Benfica recebe esta quarta-feira o Lyon, estando praticamente obrigado a ganhar para seguir em frente na competição milionária. Apesar de reconhecer a dificuldade, Rúben Dias acredita os encarnados vão voltar aos bons resultados. A …