“Bailarina biónica” que decidiu amputar a perna brilha no mais famoso cabaré de Paris

Viktoria Modesta, uma letã de 31 anos, poderia ter apenas uma vida normal não fosse o facto de ter decidido, aos 20 anos, a amputação da sua perna esquerda. É conhecida como a “bailarina biónica” graças às próteses originais que usa, concebidas por uma artista luso-inglesa, e brilha no “Crazy Horse” de Paris.

Para Viktoria Modesta mudar de perna é como mudar de sapatos. Desde os 20 anos, altura em que decidiu que o melhor seria amputar a sua perna esquerda devido a problemas de saúde, que esta letã está habituada a usar próteses.

Mas a também designer, modelo e cantora pop não se sente diferente por não ter parte de uma perna, pois “há milhões de pessoas na mesma situação física”, diz numa entrevista à AFP no âmbito do espectáculo que estreou a 3 de Junho passado no famoso “Crazy Horse”, um dos cabarés mais conhecidos de Paris.

“É a minha forma de ver as coisas e a minha perspectiva sobre o mundo que tornam as coisas realmente diferentes”, constata Viktoria que com a actuação no “Crazy Horse”, conhecido como o templo do “nu chique” pelas performances com bailarinas seminuas e provocantes, desafia os cânones da beleza feminina.

“A coisa mais importante que mudou para mim quando decidi que queria fazer uma amputação foi esta ideia de retomar o controlo do meu corpo“, explica a bailarina, sublinhando que quando era criança “os adultos tomavam as decisões” em seu nome e que “nem todas foram correctas”.

Aquela circunstância levou-a a uma situação em que o seu “espírito criativo não se alinhava com as [suas] capacidades físicas”, reforça ainda.

Quando perdeu a perna, Viktoria transformou a sua incapacidade numa força e as suas próteses em objectos de design únicos, contando com a colaboração da artista luso-inglesa Sophie de Oliveira Barata.

Filha de pai português e mãe inglesa, esta artista radicada em Londres ficou impressionada com a história de vida de Viktoria e já lhe criou várias próteses através do “The Alternative Limb Project”.

Neste projecto, Sophie aposta na criação de próteses personalizadas, algumas delas reportando para universos quase irreais. Há próteses que parecem de porcelana cheias de flores, outras que incluem elementos como uma cobra e ainda outras que reportam para os universos dos video-jogos ou para a composição dos músculos humanos.

E é com algumas das próteses criadas por Sophie que Viktoria brilha no “Crazy Horse” como convidada de honra. O seu espectáculo “Bionic Showgirl” está em exibição desde o dia 3 até 16 de Junho.

Após 15 operações decidiu que amputar era a solução

Nascida na antiga União Soviética em 1987, Viktoria viveu uma infância problemática, depois de ter nascido com uma malformação na anca e na perna esquerda. Foi após se ter sujeitado a 15 operações que decidiu que o melhor seria a amputação da parte inferior da perna.

após cinco anos de luta, como conta no seu site oficial, conseguiu que os médicos autorizassem e executassem o procedimento em Londres, para onde foi viver aos 12 anos e onde começou por trabalhar como modelo para marcas de roupa alternativa aos 15 anos.

O seu lado mais irreverente e artístico tornou-se conhecido a nível mundial em 2014, quando lançou o vídeo “Prototype” numa parceria com o CHANNEL4, canal público britânico. O vídeo onde era apresentada como “a primeira artista pop amputada” gerou milhões de visualizações em todo o globo, com uma nova abordagem à temática da deficiência e com algumas das próteses feitas por Sophie a fazerem a diferença visualmente.

Sophie de Oliveira Barata foi também responsável pela criação da prótese, feita com dezenas de brilhantes e cristais e patrocinada pela marca Swarovski, com que Viktoria actuou na cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012.

Vestida de “rainha da neve” e a dançar ao som de “42” dos Coldplay, Viktoria tornou-se numa das grandes figuras dos Paralímpicos.

SV, ZAP //

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