Autoridades francesas investigam número crescente de falsos certificados de vacinação

As autoridades francesas estão a investigar uma série de fraudes nos certificados de vacinação da covid-19, após vários médicos relatarem que as suas contas nos serviços de saúde foram ‘hackeadas’.

No último incidente, um dos vários esquemas de falsificação sob investigação, os ‘hackers’ acederam à conta de um médico que trabalha perto de Bordeaux e obtiveram 55 documentos falsos. Um médico em Marselha relatou ter sido também alvo, enquanto outros informaram as autoridades sobre tentativas de acesso às suas contas.

As autoridades de saúde francesas têm registado um número crescente de certificados falsos, com 46 incidentes sob investigação desde maio. Os falsificadores também estão a produzir testes com falsos negativos, noticiou esta sexta-feira o Guardian. Vários ‘hackers’ foram investigados nas últimas semanas em Paris, Grenoble e Bordeaux.

Em julho, um funcionário de um centro de vacinação foi detido após criar 200 códigos QR falsos. Duas mulheres foram detidas num centro em Bordeaux por venderem certificados falsos, que variavam entre os 80 e os 150 euros. Podem receber até três anos de prisão e multas até 45.000 euros. Quem comprou as falsificações enfrenta coimas até 2.000 euros.

Os promotores públicos acreditam que os códigos e certificados falsos são adquiridos por cidadãos que não querem ser vacinados mas que pretendem obter o passe sanitário, documento que lhes permite aceder à maior parte dos locais públicos e a tratamento hospitalar não emergencial.

Uma enfermeira foi apanhada a emitir certificados falsos num centro de vacinação de Paris. À polícia, disse que vinha a distribuir cerca de uma dúzia de falsificações todos os dias durante um mês.

À FranceInfo, Jean-Paul Hamon, presidente honorário da Federação dos Médicos Franceses, admitiu ter emitido três certificados. Contudo, disse que só o fez para dois pacientes totalmente vacinados e um terceiro que se recuperou da covid-19 – todos elegíveis para um passe de saúde, mas que estavam a ter dificuldade em “baixar” o código QR.

  Taísa Pagno //

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