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Autarca “caixeiro-viajante” demora um dia a percorrer a maior freguesia do país

andré.luís / Fickr

Alcácer do Sal

Alcácer do Sal

Arlindo José Passos, que preside à maior freguesia do país, a união de freguesias de Alcácer do Sal, considera que a dimensão do território que tem a cargo “é uma aberração” criada pela reforma administrativa.

Com uma área superior à ilha da Madeira para cuidar, 916 quilómetros quadrados, Arlindo José Passos faz de “caixeiro-viajante” do Estado, visitando de 15 em 15 dias cada aldeia, onde passa atestados a quem lhe solicita e trata das competências que lhe estão confiadas enquanto autarca.

“Pela primeira vez estou a tempo inteiro na Junta, mas, mesmo assim, é insuficiente e não se consegue fazer nada de jeito. Só para dar a volta à freguesia leva-se um dia inteiro”, disse à agência Lusa.

A união de freguesias a que preside corresponde a 70% do concelho de Alcácer e abrange 60% da população, mas, além da cidade, compreende mais 15 aldeias, as mais distantes a 30 quilómetros da sede da nova freguesia.

“Assim é difícil haver proximidade e para as populações a situação piorou bastante [com a agregação]” avalia o autarca eleito pela CDU.

Para minimizar os efeitos e não penalizar a população, a união de freguesias vai alternando entre as sedes das freguesias que foram agregadas e que mantém em funcionamento, para evitar maiores deslocações aos habitantes.

“É um crime o que fizeram à freguesia de Santa Susana, porque fica a 15 quilómetros da sede, e localidades ainda mais distantes. Se fossemos a fechar a delegação, algumas pessoas para pedir um atestado tinham de se deslocar 30 quilómetros”, justifica.

Segundo o autarca, “da junção das três freguesias resultou uma redução real de três mil euros” do Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF), sendo uma das uniões de freguesia com maior percentagem do Fundo.

O contraste com a Madeira, realidade que só em área se assemelha, é inevitável no discurso dos autarcas: “o nosso orçamento é de 625 mil euros para uma área de 916 quilómetros quadrados, com 18 funcionários. Com as novas competências, o que é que podemos fazer?”, interroga-se.

O título de autarca da maior freguesia do país não é novidade para Arlindo Passos. Presidiu à que era a maior antes da reforma administrativa, Santa Maria do Castelo, com 436 quilómetros quadrados.

Recorda que a mesma havia já sofrido alterações territoriais, mas de sentido inverso e sem polémicas, porque foi feita “por vontade das populações e com o acordo dos eleitos locais, o que não aconteceu” com a reforma recente.

“Em 1975, Santa Maria do Castelo tinha 850 quilómetros quadrados e foram criadas duas freguesias, a de São Martinho e a da Comporta, por vontade própria da população e dos eleitos locais e não houve nenhuma contestação, ao contrário do que se passa” agora, sublinha.

/Lusa

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