Há mil milhões de anos, o aumento do oxigénio levou a Terra a congelar

O aumento das concentrações atmosféricas de oxigénio terá diminuído os níveis de metano e enfraquecido o efeito de estufa, empurrando o planeta para um período de grande glaciação.

Há cerca 2,5 mil milhões de anos, a Terra era um mundo alienígena que teria sido hostil à maior parte da vida complexa que nos rodeia hoje. Era um planeta onde as bactérias reinavam, e um tipo de bactéria em particular – cianobactérias – estava lentamente a mudar o mundo ao seu redor através da fotossíntese.

A atmosfera da Terra primitiva carecia de oxigénio. Isto começou a mudar durante o que é conhecido como o Grande Evento de Oxigenação (GEO), que consiste numa série de mudanças químicas observadas em rochas com uma idade entre 2,5 e 2,3 mil milhões de anos.



Estas mudanças foram o resultado do oxigénio libertado pelas cianobactérias antigas. As comunidades dessa bactéria viviam em águas rasas do mar e foram preservadas nas rochas como estruturas chamadas estromatólitos.

Sabemos que o GEO foi associado a uma série de glaciações na Terra, pelo menos uma das quais crida como o primeiro evento de “Terra bola de neve” – uma glaciação tão severa que as camadas de gelo estendiam-se até aos trópicos.

Embora esta glaciação tenha sido datada de aproximadamente há 2,42 mil milhões de anos, a incerteza sobre o momento exato do Grande Evento de Oxigenação fez com que não fosse possível dizer o que ocorreu primeiro: foi a oxigenação ou a glaciação? Houve hipóteses e argumentos que apoiam os dois cenários.

À procura de enxofre

Para investigar o momento do GEO, uma equipa de investigadores examinou dois “núcleos” de rochas perfuradas na Península de Kola, no extremo noroeste da Rússia. Estas rochas sedimentares foram depositadas em água do mar rasa entre 2,50 e 2,43 mil milhões de anos atrás.

Os cientistas analisaram o enxofre que elas continham usando uma nova técnica de ponta desenvolvida na Universidade de St. Andrews, na Escócia, e os resultados foram publicados, este mês, na revista científica PNAS. Os investigadores escolheram o enxofre porque os isótopos de enxofre são as “impressões digitais” mais robustas do GEO.

Os investigadores encontraram indícios nas rochas russas mais antigas que examinaram, mas não nas rochas mais jovens. Esta é uma forte evidência de que o GEO ocorreu num intervalo de 70 milhões de anos entre 2,50 e 2,43 mil milhões de anos atrás, um período anterior às antigas estimativas.

Agora podemos dizer que o GEO precedeu o mais grave dos episódios glaciais. Concluímos, como outros argumentaram, que é provável que o aumento das concentrações atmosféricas de oxigénio tenha diminuído os níveis de metano e enfraquecido o efeito de estufa, empurrando o planeta para um período de grande glaciação.

Então, por que razão isto é importante? À medida que avaliamos a habitabilidade de outros planetas e luas no nosso sistema solar e exoplanetas além, é de vital importância que compreendamos a evolução da vida no contexto das mudanças geológicas que ocorreram na Terra.

Se fossemos ver a Terra antiga através de um telescópio, reconheceríamos um mundo habitável?

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