Um aumento de 2 euros por mês para quem ganha mil. Proposta do Governo revolta a Função Pública

Tiago Petinga / Lusa

António Costa e Mário Centeno

O aumento salarial de 0,3% proposto pelo Governo para a Função Pública em 2020, vai garantir um acréscimo líquido anual de 26,25 euros para um trabalhador que ganhe cerca de mil euros por mês, segundo simulações da consultora EY. O valor desagrada aos Sindicatos que já abandonaram as negociações com o Governo em protesto.

As simulações feitas pela consultora EY têm em conta a proposta apresentada pelo Governo aos sindicatos de aumentos salariais de 0,3% para todos os funcionários públicos em 2020.

Segundo a consultora, um funcionário público com um rendimento mensal de 1.000 euros, ou seja, com 14 mil euros brutos anuais, receberá mais 42 euros brutos ao longo de 2020, que resultará num acréscimo de 26,25 euros líquidos (após retirados os impostos, as contribuições para a Segurança Social ou Caixa Geral de Aposentações e o desconto para a ADSE).

Se se dividir 26,25 euros por 14 meses, verifica-se que o aumento mensal neste caso será inferior a dois euros.

Já um funcionário que ganhe 1.500 euros por mês (28 mil euros anuais brutos), terá um acréscimo bruto anual de 63 euros, mas ficará com apenas 35,91 euros líquidos. Dividindo este valor por 14 meses, o aumento líquido mensal será de 2,6 euros.

Por sua vez, um trabalhador com um salário de 2 mil euros poderá contar com um aumento líquido anual de 42,42 euros (cerca de metade dos 84 euros brutos de acréscimo anual). Neste caso, o aumento mensal líquido será de pouco mais de três euros.

As simulações feitas pela EY demonstram o efeito líquido anual do funcionário público num cenário de não actualização/alteração dos escalões de rendimento e correspondentes taxas progressivas do IRS, cenário que a consultora considera “improvável, atento o expectável desdobramento dos actuais sete escalões de rendimento existentes e correspondente actualização ao valor da inflação”.

Segundo a proposta do Ministério das Finanças, os aumentos salariais para a função pública no próximo ano terão por base “a taxa de inflação observada até Novembro de 2019, de 0,3% para todos os trabalhadores”.

O aumento terá um impacto orçamental entre 60 e 70 milhões de euros, segundo o secretário de Estado do Orçamento, João Leão.

A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública já se manifestou indignada com a proposta do Governo, tendo abandonado as negociações sobre as medidas a incluir no próximo Orçamento do Estado. A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, adianta que a expectativa é de, pelo menos, um aumento salarial de 90 euros.

ZAP // Lusa

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20 COMENTÁRIOS

  1. Estes politicos de M—- tem reformas de mais €6.000,00/mês e depois dão aumentos de € 2,00/mês??? Não se enxergam pois não? Não têm valores, discernimento NENHUM. Portugueses até quando se vai permitir este tipo de atitudes. Não têm dinheiro que baixem p/ metade as reformas chorudas que estamos a pagar aos diversos politicos (e metade já é uma boa reforma) e assim haverá certamente dinheiro para: SNS, Educação, Segurança, Reformas e aumentos. Se formos a fazer levantamento das reformas de todos os politicos os Portugueses ficariam certamente CHOCADOS.

  2. No minimo vergonhoso, mais valia não apresentarem aumentos nenhuns assim a vergonha era menor!
    Mas continuam a desculpar berardos e novos bancos e companhia isso sim já merece desculpar para o português enfiar lá os aumentos que deveria ter!

  3. Ora aqui está a prova real das contas à “Ronaldo da Economia”!
    Se a crise já pssou e Portugal segue de vento em popa, porque nao ha-de “fartar” a funcao publica com tamanho presente de Natal antecipado?
    Só falta saber o que vao fazer com tanto dinheiro… ! Ah Ah Ah

    É preciso ter lata e pouca vergonha!
    O que vale é que nao estou na AR senao o boizana mandava-me calar…

  4. Epá, menos de 2 euros ou ate mesmo 3 euros ou 5, é ridículo, mas tendo em conta que o privado não ve aumentos á mais de 5 anos e este ano vai ser igual, acho que por pouco que recebem já é mais qua a maioria dos Portugueses.
    Alem do mais se todos os anos tem aumentos, sempre vai amealhando… mais do que os que não vem nem um cêntimo, pelo contrario vemos menos porque aumentam os impostos.

    • Para que conste: tirando os célebres 2,9% de 2010 e a jogada manhosa do ano passado, os FP não conhecem aumentos desde 2005. A isto acresce o congelamento de carreiras.
      É já agora reforço: há um tempo encontrei por detrás das gavetas da secretária que uso o recibo de vencimento de um colega referente à mês de 2003. Conclusão: ganhava mais (salário líquido), em 2003,com categoria inferior, do que eu em 2019 com categoria superior…

    • Lol!!! São os aumentos do dr. Costa. 0,20, aqui, 0,25 ali (o subsídio de alimentação)… Uns milhões que saem do erário público sem que isso represente alguma coisa na carteira das pessoas…

    • Olhe que por aqui há ainda comentadores que ainda acreditam na banha da cobra do sistema e se deixam dividir em direitolas, esquerdolas e centrolas.
      O sistema continua a dirigir o mundo segundo o lema divide e reina.

  5. O sindicato fala dos que ganham 100 euros e dos que ganham menos até de 700euros quanto levam? E porque não propõem os sindicatos um aumento em vez de ser à percentagem ser um x a todos por igual? Isso é que era democrático uma vez que já há diferença salarial em função da categoria porque tem de haver também nos aumentos dos salários? E fosse extensivo tanto ao sector público como privado, mas isso não convém aos sindicalistas sabe-se lá porque interesses, nunca fui adepto de aumentos à percentagem, isso só faz com que cada vez as diferenças salariais sejam cada vez maiores.

  6. é pena quando se discuta em aumentos, não se fala igualizar com o privado em termos de horas, o publico quer sempre mais, mas quando vamos ser atendidos pelos mesmos a simpatia e o atendimento mesmo tendo aumentos continua na mesma, porque deveria o privado ser tratado como portugueses de segunda?, que se vão lixar o publico, querem? justificam para o ter e não é vir com converças que não tenhem condições, é que no privado cá a muito teríamos ido para rua com tantas queixinhas..

  7. Pois, eu fico é chocado com esta mania da função pública achar que tem direito a tudo e que os restantes portugueses, que não fazem parte da função pública, têm de abrir os cordões à bolsa para corresponder aos seus caprichos (o dinheiro, ao contrário do que muitos pensam, não cai do céu, nem é trazido pelo pai natal; o dinheiro vem sempre dos bolsos dos portugueses!).
    Não gostam do que têm? Trabalhem por conta própria!
    Querem mais? Os restantes portugueses também querem…
    A função pública devia era diminuir, pois muitos que fazem parte dela só dão prejuízo ao país, e o seu salário médio devia ser substancialmente inferior ao salário médio dos restantes portugueses, pois a funçaõ pública tem regalias que os restantes portugueses não têm.
    Querem beneficiar TODOS os portugueses? Diminuam é os impostos, que ficamos TODOS com mais! Simples…

  8. Se o governo tem folga orçamental, elimine é o adicional do Imposto sobre Combustíveis, como tinha prometido.
    Aumento da função pública??!!! Com que justificação???!!!
    Num país decente e justo, apenas haveria aumento da função pública depois do alívio da carga fiscal para os restantes portugueses. Se há para uns, tem de haver para os outros, mas infelizmente em Portugal o lema é mais: uns suportam os outros…

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