Iraque anunciou novo ataque dos EUA em Bagdad que fez seis mortos (mas já desmentiu)

Ali Abbas / EPA

O Iraque anunciou que pelo menos cinco pessoas morreram este sábado, no norte de Bagdad, no Iraque, num novo ataque aéreo dos Estados Unidos que tinha como alvo dois veículos de membros da Hachad al-Chaabi, a milícia iraquiana apoiada pelo Irão. No entanto, era apenas um boato.

De acordo com a estação televisiva estatal iraquiana, citada pela France-Presse, o alvo principal do ataque norte-americano era um comandante da Hachad al-Chaabi, mas a cadeia televisiva não especifica a identidade desse alvo. Os cinco mortos foram confirmados à Associated Press (AP) por oficiais iraquianos.

Este suposto ataque era o segundo em menos de 24 horas, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter ordenado um ataque com um drone, em Bagdad, capital iraquiana, e que matou Qassem Soleimani, comandante da força de elite dos Guardiães da Revolução iranianos, Al-Qods, juntamente com o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque Hachd al-Chaab, Abu Mehdi al-Muhandis, e outras seis pessoas.

No entanto, de acordo com a Renascença, não passou de um boato. As Forças Armadas do Iraque negaram que tenha havido qualquer ataque americano contra milícias xiitas.

O ataque, que chegou a ser dado como certo, foi avançado pelas Forças de Mobilização Popular, que davam conta de seis mortes entre os seus membros. Contudo, a milícia veio mais tarde desmentir e dizer que afinal a sua comitiva não tinha sido atacada. Também as Forças Armadas iraquianas negaram que tenha havido um ataque e fontes americanas disseram à imprensa internacional que não tinham levado a cabo qualquer ação na zona.

Tensão e sentimento de vingança no Irão

Na sexta-feira, foram divulgadas imagens do ataque aéreo do drone das forças norte-americanas que vitimou o general iraniano Qessam Soleimani junto ao Aeroporto Internacional de Bagdade. As imagens foram captadas por uma câmara de videovigilância.

Na sexta-feira, o chefe de Estado norte-americano referiu que Soleimani foi morto para “parar uma guerra” e não para “começar uma guerra”, acrescentando que os EUA estão “prontos e preparados” para responder à retaliação de Teerão.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

Washington anunciou também que vai enviar mais três mil militares para o Médio Oriente, após a morte daquele general. Fontes do Departamento de Defesa, citados pela AP sob condição de anonimato, referiram que os efetivos pertencem à 82.ª Divisão de Paraquedistas de Fort Bragg, no estado da Carolina do Norte.

Aqueles efetivos somam-se aos cerca de 700 soldados da 82.ª Divisão que foram enviados para o Koweit no início desta semana após a invasão do complexo da embaixada dos EUA em Bagdad por milicianos apoiados pelo Irão.

O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Rússia, França, Reino Unido e China – alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem às partes envolvidas que reduzam a tensão.

No Irão, o sentimento é de vingança, com o Presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e “outras nações livres da região” vão vingar-se dos EUA. Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como “um ato de terrorismo internacional”.

A mais alta instância de segurança do Irão prometeu vingar “no lugar e na hora certos” a morte do general iraniano Qassem Soleimani, vítima de uma ataque norte-americano em Bagdade.

“Os EUA devem saber que o seu ataque criminoso ao general Soleimani foi o maior erro do país. Os EUA não evitarão as consequências desse erro de cálculo”, afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, em comunicado. “Estes criminosos sofrerão duras vinganças no lugar certo e na hora certa”, disse, insistindo que Washington “será responsável pelas consequências relacionadas a cada aspeto dessa atividade criminosa”.

Do lado do Iraque, o primeiro-ministro demissionário, Adel Abdel Mahdi, advertiu que este assassínio vai “desencadear uma guerra devastadora no Iraque” e o grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, considerou o assassínio do general iraniano Qassem Soleimani “um ataque injustificado” e “uma violação flagrante à soberania iraquiana”.

ZAP // Lusa

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