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AstraZeneca só entregou 10% das vacinas. Depois de Itália, França e Alemanha também admitem bloquear exportações

Fracisco Seco / Pool / EPA

A presidente da Comissão Europeia avisou esta segunda-feira que outros países poderão seguir o exemplo de Itália e bloquear as exportações de vacinas contra a covid-19 e disse esperar um reforço na entrega no segundo semestre.

Numa entrevista a um jornal alemão, a presidente da Comissão Europeia salientou esperar que quase 100 milhões de doses por mês da vacina da covid-19 sejam entregues no segundo trimestre na UE, onde os programas de imunização estão a decorrer a um ritmo muito lento.

“Esperamos uma média de quase 100 milhões de doses por mês no segundo trimestre e um total de 300 milhões até ao final de junho”, sublinhou Ursula von der Leyen.

Além disso, a presidente da Comissão Europeia espera que 50 milhões de doses sejam entregues ainda em março, sendo que a UE – com uma população de quase 748 milhões de habitantes – recebeu apenas 51,5 milhões de doses de vacinas desde o final de dezembro.

Segundo Ursula von der Leyen, a AstraZeneca continua a falhar na entrega de vacinas à UE e, até agora, entregou “menos de 10%” do volume previsto até final de março, tal como estava no contrato assinado entre a farmacêutica e o executivo comunitário.

O caso do bloqueio da exportação de 250 mil doses da vacina para a Austrália pelo Governo italiano “não foi um caso isolado”, disse Ursula von der Leyen, na entrevista ao diário alemão.

Roma invocou, na quinta-feira, a escassez de doses na União Europeia (UE) e uma situação não urgente na Austrália como argumento para a decisão de não autorizar a exportação de um lote de 250 mil doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford e que tinham sido produzidas com essa finalidade numa fábrica da farmacêutica em Itália.

Itália foi, assim, o primeiro país a acionar o mecanismo, mas, de acordo com a Euronews, França e Alemanha já disseram que admitem fazer o mesmo. Para Jens Spahn, ministro alemão da Saúde, “em caso de dúvida, temos de aplicar uma pressão que garanta que as entregas são executadas e que essa operação é fiável”.

A Austrália procura agora garantias de que não vai haver bloqueio a novos carregamentos de vacinas e o primeiro-ministro Scott Morrison disse compreender a emergência europeia, mas lembra que também tem um plano de vacinação em marcha.

“Em Itália, morrem pessoas ao ritmo de 300 por dia. Posso, por isso, compreender o elevado nível de ansiedade que existe em Itália e noutros países da Europa – essa não é a situação na Austrália. No entanto, conseguimos assegurar os abastecimentos, e até abastecimentos adicionais, tanto com a Pfizer como com a AstraZeneca, o que significa que podemos continuar a executar do nosso programa”, afirmou.

Itália e Grécia aprovam vacina para maiores de 65 anos

Depois de França, Alemanha, Dinamarca e Suécia terem alargado, nos últimos dias, o uso da vacina da AstraZeneca a maiores de 65 anos, Itália também o fez. A notícia foi avançada, esta segunda-feira, pelo ministro da Saúde italiano, Roberto Speranza.

De acordo com o jornal italiano The Local, a “luz verde” para uso desta vacina na população mais idosa foi dada no seguimento de um parecer do Conselho Superior de Saúde italiano.

É referido que “foi disponibilizada mais informação científica” sobre a vacina, que “indica que, mesmo em pessoas com mais de 65 anos, a administração da AstraZeneca permite uma proteção significativa tanto do vírus SARS-CoV-2, como de severas formas, por vezes até fatais, da covid-19”.

Ainda assim, o governante italiano informou que pessoas “extremamente vulneráveis” a doenças de risco relacionadas com a covid-19 ficam ainda excluídas deste alargamento do uso da AstraZeneca.

Segundo o Greece City Times, também a Grécia aprovou esta vacina para maiores de 65 anos. “É seguro, cria uma resposta imunológica, é eficiente e protege todos os vacinados”, disse Maria Theodoridou, presidente do Comité Nacional de Vacinas da Grécia.

Theodoridou destacou ainda a importância da vacina na redução da taxa de internamentos hospitalares, bem como na redução da gravidade dos sintomas nos pacientes.

  Maria Campos, ZAP // Lusa

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