40 anos depois, assassino de John Lennon pede desculpa pelo crime “desprezível”

Nationaal Archief / Wikimedia

John Lennon e Yoko Ono em 1969

Mark David Chapman, o homem que assassinou John Lennon, diz que matou o ex-Beatle por “raiva e ciúmes” e pediu desculpa a Yoko Ono, 40 anos depois.

Em 1980, Chapman atingiu John Lennon com quatro tiros que acabaram por o matar. Horas antes, Lennon tinha dado um autógrafo ao homem que lhe viria a tirar a vida, em frente à sua companheira Yoko Ono.

Chapman tinha 25 anos na altura em que cometeu o crime e foi condenado a prisão perpétua, com a opção de pedir liberdade condicional ao fim de 20 anos. No mês passado, o pedido foi-lhe negado pela 11ª vez, depois de dizer na audiência que terá matado o cantor por “glória”.



“Na altura, pensava que ele tinha todo aquele dinheiro, morava num lindo apartamento e vivia da música. Era uma vida generosa”, disse Chapman aos comissários da condicional, citado pela ABC. “Isso deixou-me com raiva e com ciúmes em comparação com a forma como eu vivia na época. Havia inveja ali”, acrescentou.

Quando lhe perguntaram se alguma coisa tinha mudado na sua forma de pensar desde que foi preso, Chapman respondeu: “Foi apenas para glória pessoal, ponto final. Não foi mais do que isso. Resume-se a isso. Não há desculpas.”

Um dos comissários disse a Chapman que aquilo a que ele chama de “glória”, outros chamariam de “infâmia”, ao que o assassino respondeu: “Infâmia traz glória.”

Esta afirmação ditou o destino de Chapman. “Este painel considera a tua afirmação perturbadora. As tuas ações representam um ato maldoso. O facto de hoje, quase 40 anos depois, ainda conseguires falar do que fizeste como sendo algo que consideraste positivo na altura e que te trouxe glória, é perturbador”, disse a equipa de liberdade condicional quando negou o pedido.

Chapman concluiu o seu apelo com um longo pedido de desculpas a Yoko Ono. “Só quero que ela saiba que ela conhecia o seu marido melhor do que ninguém e o tipo de homem que era. Eu não. Apenas o julguei através de um livro e assassinei-o“, explicou Chapman.

O homem de 65 anos acrescentou que Lennon “era muito, muito, muito, muito famoso” e que estava à procura de glória pessoal. “Foi um ato extremamente egoísta. Lamento a dor que causei a Yoko Ono. Penso nisso a toda a hora”, rematou.

Chapman disse à comissão da liberdade condicional que não tem “qualquer tipo de queixa” a fazer se o deixarem preso o resto da vida. “Mereço zero, nada. Naquela altura, eu merecia a pena de morte“, afirmou.

O assassino do ex-Beatle tentará obter a liberdade condicional novamente em Agosto de 2022.

“O que eu penso é que ele fez isso uma vez e que podia voltar a fazê-lo a outra pessoa. Podia ser eu, o meu filho Sean, ou qualquer outra pessoa”, disse Yoko Ono em 2015, referindo que vivia com medo de que Chapman saísse da prisão.

A artista japonesa tem uma exposição chamada “O Jardim da Aprendizagem da Liberdade” na Fundação de Serralves, no Porto, até ao dia 15 de novembro.

ZAP //

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