O plano dos EUA é “dar a Assad o mesmo destino de Hussein”

kremlin.ru / Wikimedia

Bashar al-Assad, Presidente da Síria

O general aposentado turco Naim Baburoglu acredita que a Turquia tem que cooperar com o governo sírio e começar a realizar operações conjuntas para leste do rio Eufrates, onde os EUA planeiam criar um “Estado fantoche” sob seu controlo.

Baburoglu considera que, caso os planos dos EUA se cumpram, este Estado se converterá numa ameaça tanto para Ancara como para Damasco.

“Os EUA e os membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) controlam os territórios situados a leste do Eufrates. Aí Washington planeia criar um ‘Estado fantoche’, cujas chaves os EUA terão nas mãos“, assegurou o militar em entrevista à Sputnik.

Baburoglu destaca que a região escolhida pelos EUA tem uma grande importância estratégica para a Síria. Os territórios situados na margem leste do Eufrates ocupam 30% da extensão do país árabe e contam com 70% dos recursos energéticos.

Os EUA não aprovam a operação Ramo de Oliveira lançada pela Turquia em Afrin, pois não querem que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão sofra perdas na região, acredita o general.

“Os EUA estão a tentar proteger os terroristas – como Ancara classifica o PKK -, que criaram. Washington insiste que os curdos consolidem a defesa no centro de Afrin. O país quer que as Forças Armadas turcas percam tempo e fiquem enfraquecidas. Washington não está interessada em que a operação em Afrin acabe com sucesso”, disse o entrevistado.

Baburoglu acredita que os EUA procuram impedir o avanço do exército turco para leste do rio Eufrates.

“Nesta fase, os interesses dos EUA colidem com os da Turquia, mas os países não vão chegar a um confronto aberto. Os EUA colocarão diante das Forças Armadas da Turquia o PKK e o Partido da União Democrática que utilizam como forças mercenárias. O contingente dessas forças pode chegar até 60 mil soldados”, disse o especialista.

Baburoglu tem a certeza que a Turquia deve continuar a sua ofensiva para leste do Eufrates. “Caso Ancara acabe por cair na armadilha dos EUA na Síria, a chamada ‘zona de segurança’, Washington conseguirá criar um semi-Estado terrorista na região”, explicou.

Segundo Baburoglu, essa armadilha é semelhante à estratégia utilizada no Iraque no final dos anos 90. Na época, uma área de segurança foi criada no norte do país para defender a população curda na área. Posteriormente, a região anunciou a sua decisão de realizar um referendo de independência.

“Se a Turquia mostrar consenso com a proposta dos EUA de criar uma ‘zona de segurança’ na Síria, algo de semelhante ao que aconteceu no Iraque pode acontecer na Síria. Pelo mesmo motivo, Ancara deve necessariamente manifestar-se contra e iniciar negociações com o governo sírio”, ressaltou o general aposentado.

Baburoglu acredita que rapidamente veremos como o Reino Unido, França e Israel se manifestam contra as autoridades sírias.

“O Reino Unido e a França já se declararam prontos para efetuar um ataque se as armas químicas forem usadas em Ghouta Oriental. De que é que se trata nestas declarações? Pois de que a mesma estratégia que foi usada contra o presidente do Iraque, Saddam Hussein, pode ser usada contra Assad“, disse o especialista, que previu que a instabilidade na Síria continuará até 2030.

Baburoglu liga essas previsões aos movimentos tectónicos que ocorrem atualmente no Oriente Médio e aos atores políticos globais que “baralham as suas cartas” na região.

“Suponho que os EUA vão usar os territórios localizados ao leste do Eufrates como uma plataforma para lançar uma possível operação contra o Irão no futuro. Nessas condições, a Turquia deve aplicar uma política equilibrada e cooperar com a Rússia, Irão, Iraque e Síria. A existência de uma união defensiva tornará evidente e indiscutível a presença da Turquia na Síria”, resumiu.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Concordo com este general turco na parte em que ele diz que é preciso uma frente unida contra os eua na siria. Uma primeira medida seria a siria, por intermedio da russia varrer por completo os eua da siria, recordemos que os eua estão no sul da siria como invasor e ocupante, portanto seria necessario a russia dar um ultimato de tempo para que os eua retirassem de parte de um páis que nao os convidou. Mas parece-me que a russia, é so letra e nao faz nada para ajudar o seu aliado, o governo sirio. A russia dá a entender ao mundo que é um tigre com pés de barro. Diz que faz e acontece, e quando é preciso e necessario nada faz.

  2. Eu apelido essa canalha de BÁRBAROS DO OCIDENTE! Depois de terem destruído a Tunísia, a Líbia e o Iraque (Mesoptâmia) dirigem a sua fúria imperialista contra a Síria, outro berço da cultura e da civilização!

    • Tenho de concordar consigo. Estes militaristas ocidentais estão a envergonhar-nos a todo/as. Vê-se claramente que a democracia e os direitos humanos servem apenas de uma desculpa esfarrapada para destruir países inteiros que se mostram desafiantes. Falam-nos tanto da Síria… Então e o Yémen, e os civis que lá falecem? Só que o Yémen está a ser bombardeado pela Arábia Saudita – aliada dos EUA, por isso há silêncio…

  3. Só que o senhor general turco não diz que os curdos têm o seu território repartido por esses dois países mais o Iraque e estão sem pátria colonizados e subservientes, que milhares ou milhões deles já foram mortos pela Turquia e outros, imagina-se ter direitos mas não deveres, tem mais colegas com a mesma mentalidade até aqui pela Europa (democrática), quanto ao resto todos os que lá meteram o pé na guerra seja por Assad ou contra melhor teriam feito em se abster.

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