Argentina torturou os seus próprios soldados na guerra das Malvinas

Kenneth Ian Griffiths / Wikimedia

Prisioneiros de guerra argentinos nas ilhas Malvinas, 16 Junho 1982

Prisioneiros de guerra argentinos nas ilhas Malvinas, 16 Junho 1982

Soldados argentinos foram submetidos a abusos e torturas pelos seus próprios superiores, durante a guerra das Malvinas contra a Grã-Bretanha em 1982, revelam documentos agora libertados pelas Forças Armadas da Argentina.

Depoimentos de soldados argentinos relatam ter sido espancados por oficiais durante a guerra das Malvinas por terem deixado as trincheiras em busca de comida.

Em abril, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, determinou a libertação de todos os documentos militares secretos produzidos durante o conflito.

Durante anos, veteranos de guerra argentinos denunciaram ter vivido condições terríveis durante o conflito, incluindo a ausência de calçado e fardamento apropriado em situações de frio intenso, afirma o correspondente da BBC em Buenos Aires, Ignacio de los Reyes.

É a  primeira vez que documentos oficiais com estas revelações são trazidos a público.

Os documentos, até agora secretos, descrevem ameaças de execução e soldados a ser amarrados dentro de covas vazias.

Um tenente relata que um outro oficial lhe amarrou as mãos e pernas às costas e o deixou durante mais de oito horas com o rosto na areia molhada de uma praia gelada das Malvinas.

Um sargento relata que teve de ser operado depois de ter sido pontapeado nos testículos.

“Estes documentos levantam a cortina sobre factos que foram escondidos durante muitos anos pelas Forças Armadas argentinas”, diz Ernesto Alonso, membro de um grupo de veteranos de La Plata.

Exercício de colonialismo

A guerra das ilhas Malvinas, ou Falklands, na nomeação oficial britânica, começou em abril de 1982, quando tropas da Argentina invadiram o território ultramarino britânico.

Uma força expedicionária britânica foi enviada às ilhas e retomou o seu controlo em junho.

O conflito durou 74 dias e deixou mais de 900 mortos. Três cidadãos das ilhas e 255 militares britânicos morreram no conflito.

O número de argentinos mortos é estimado em cerca de 650.

A derrota da Argentina precipitou o fim da brutal ditadura militar no país, que já enfrentava problemas económicos graves e falta de apoio popular.

Apesar de a invasão ter sido alvo de críticas generalizadas na Argentina, muitos cidadãos continuam a reivindicar a posse das ilhas.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, já descreveu a presença britânica como um “flagrante exercício de colonialismo do século XIX“.

O governo britânico diz que defenderá a autodeterminação dos habitantes das ilhas.

A maioria esmagadora dos moradores das Malvinas votou em março de 2013 pela manutenção do status de território britânico.

Actualmente, cerca de 2,9 mil pessoas vivem nas ilhas.

ZAP / BBC

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5 COMENTÁRIOS

  1. Os covardes dos militares argentinos só são valentes contra os fracos. Contra verdadeiros homens (os soldados ingleses) até se b0rraram.

  2. Como leitor assíduo, sugiro que melhorarem o português das vossas notícias. Usem a palavra “controlo” e não “controle”! Não precisamos de galicismos. E escrevam “2900” e não “2,9 mil” pessoas. “2,9 mil pessoas” lê-se: duas unidades e nove décimas de mil pessoas.

  3. A guerra das Falkland (Malvinas) foi uma das últimas guerras entre países modernos e ditos civilizados. É evidente que o RU tem uma lei para si e outra para os outros países – caso por exemplo de Gibraltar….

    Para todos os efeitos, nada justifica uma invasão à má-fé e que levou ao exercício do poder bruto e força desmesurada na respectiva retaliação.

    Acredito piamente que o RU também o fez porque teve o apoio encapotado dos USA…..

    • Apoio encapotado? Totalmente assumido! Nunca o esconderam, visto à luz da Lei internacional as Malvinas são território britânico, após os argentinos terem hesitado e abandonado as ilhas no século XIX! É que os ingleses não como os portugueses que abandonam tudo ou desistem por esta ou aquela palha!

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