Crime “escabroso e maquiavélico”. MP pede pena máxima para casal que matou professora

(dr)

Diana Fialho e Iuri Mata estão acusados de matar Amélia Fialho

O Ministério Público pediu, esta sexta-feira, 25 anos de prisão para o casal acusado de matar a mãe adotiva da arguida, no Montijo, em setembro do ano passado.

Um crime “escabroso, maquiavélico e com requintes de barbárie”. Foi assim que o magistrado do Ministério Público (MP) descreveu o homicídio de Amélia Fialho, encontrada morta em setembro do ano passado.

A filha adotiva da vítima, Diana Fialho, e o genro, Iuri Mata, estão a ser acusados pelo assassinato da professora de Físico-Química. Em causa estão os crimes de homicídio agravado e profanação de cadáver.

O juiz de instrução criminal considerou que existiam indícios “mais do que suficientes” para os levar a julgamento, tais como o cadáver encontrado, as imagens do casal a comprar gasolina e um isqueiro, as roupas dos arguidos e o sangue encontrado na casa onde residiam.

Segundo o despacho de acusação, os arguidos “gizaram um plano” para matar Amélia Fialho. O casal colocou na bebida da vítima “fármacos que a puseram a dormir” e, depois, desferiu “vários golpes, utilizando um martelo”, que causaram a morte da professora.

De seguida, os arguidos embrulharam o corpo, colocaram-no na bagageira de um carro e deslocaram-se até um terreno agrícola, no qual, com recurso a gasolina, “atearam fogo ao cadáver”.

Uns dias depois, Diana Fialho e Iuri Mata foram detidos e presentes a tribunal, o qual decretou a medida de coação de prisão preventiva. A arguida está no Estabelecimento Prisional de Tires, enquanto o homem no do Montijo.

MP pede pena máxima

Esta sexta-feira, nas alegações finais do julgamento que decorreu no Tribunal de Almada, o Ministério Público pediu a pena máxima de 25 anos de prisão para ambos. A sentença está marcada para 19 de Julho, escreve o Público.

O magistrado do MP recordou que, quando Diana foi à polícia dar conta do desaparecimento da mãe adotiva, referiu que esta não tinha qualquer problema psicológico e que isso prova que a professora de 59 anos não podia então estar a tomar os medicamentos que foram encontrados na análise toxicológica, nomeadamente um antidepressivo e um indutor de sono.

O procurador recordou ainda que o genro acompanhou os agentes da PJ pelos caminhos percorridos por si e pela mulher até à zona onde o cadáver foi encontrado e que contou o que fizeram em cada local. O facto de Iuri se ter proposto a fazer isso foi considerado pelo MP como uma prova documental.

Segundo o jornal, o magistrado acrescentou também que os vestígios de sangue na casa e no teto do primeiro piso revelam a violência do ato praticado e que o transporte do corpo foi tarefa para duas pessoas. Na altura, os agentes da Polícia Judiciária detetaram na casa o cheiro intenso a lixívia e a incensos.

Relativamente às imagens de videovigilância recolhidas no posto de gasolina, o procurador destaca o facto de duas pessoas “que são marido e mulher e que vivem juntos”, entrarem na loja “em separado” e do facto de terem comprado a gasolina e o isqueiro.

Defesa dos arguidos pede a absolvição

De acordo com o mesmo jornal, a advogada da filha adotiva, Tânia Reis, tentou colocar em causa a prova das imagens da bomba da gasolina, levantando dúvidas sobre as horas das mesmas.

Além disso, a advogada afirmou que “o facto de terem comprado gasolina e isqueiro não quer dizer que os tenham usado para incendiar um corpo“, acrescentando que ambos fumavam.

Depois, escreve o Público, tentou colocar em causa as declarações da inspectora da PJ, Fátima Mira, dizendo que não constam dos autos análises aos computadores nem aos telemóveis como foi referido na acusação.

Alexandra Coelho, advogada do genro disse que a prova é circunstancial e não contundente como diz o Ministério Público. E, além disso, disse que não foi feita a prova de que os arguidos tinham elaborado um plano para matar a professora.

A advogada alegou que a reconstituição não faz parte das provas do julgamento e a mesma não foi validada por uma autoridade judicial. Quanto ao facto de Iuri não falar, a advogada explicou que este está sob o efeito de antidepressivos, porque já se tentou suicidar duas vezes na cadeia.

Alexandra Coelho também alegou que não se sabe se foi numa bebida que a professora ingeriu a medicação, nem que quantidade de medicação foi ingerida, uma vez que o relatório da autópsia nada revela.

ZAP // Lusa

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