Administração da CP está de saída

Em plena crise ferroviária, com supressão de linhas e redução de horários, o conselho de administração da Comboios de Portugal, composto por Carlos Nogueira, Abrantes Machado e Ana Malhó está de saída. A tutela já está à procura de uma nova equipa.

A notícia é avançada esta terça-feira pelo jornal Público. Questionada pelo jornal, a CP limitou-se a responder que “não tem informações sobre esse assunto“. Já o Ministério do Planeamento e Infraestruturas não respondeu ao pedido do matutino.

A confirmar-se a saída da equipa de administração, Carlos Nogueira abandona a liderança da CP pouco mais de um ano depois de ter assumido essa posição. Nessa altura, em julho de 2017, era consensual que a CP precisava de comprar novos comboios – o que não chegou a acontecer no último ano.

Na verdade, a situação da empresa foi-se agravando, com a inoperância da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), incapaz de reparar e manter a frota da empresa por falta de autorização da tutela para contratar pessoal, aponta o jornal.

Secretário de Estado rejeita “situação de colapso”

O secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, rejeitou nesta segunda-feira que a Comboios de Portugal esteja “em situação de colapso”, considerando que a oposição PSD/CDS-PP está “a criar um caso que não existe de todo”.

“A oposição PSD/CDS-PP está a criar um caso que não existe de todo. Não há colapso nenhum, o que acontece são opções por parte da CP para garantir que há condições de transporte dignas e de qualidade”, disse o governante em declarações à Lusa.

Em causa estão as alterações temporárias nos horários nas linhas de Cascais, Sintra, Norte e Oeste em vigor desde domingo, mas também a suspensão da venda dos bilhetes devido às temperaturas elevadas que se fizeram sentir no final da semana, cuja situação hoje já se encontra regularizada.

O CDS-PP exigiu explicações ao Governo sobre a “situação de colapso” na CP e admite antecipar a reunião da Comissão Permanente do parlamento, prevista para setembro, se entretanto o ministro do Planeamento não der esclarecimentos públicos.

Há uma “situação de colapso” nos transportes ferroviários com consequências nos horários, manutenção e número de comboios em funcionamento, afirmou o vice-presidente do partido Adolfo Mesquita Nunes, em conferência de imprensa conjunta com o líder parlamentar, Nuno Magalhães, na Assembleia da República, em Lisboa.

Guilherme d’Oliveira Martins rejeita falar em colapso: “Uma questão tem a ver com questões excecionais relacionadas com a meteorologia, opções técnicas de suspensão de bilhetes em alguns comboios e que está já ultrapassado”.

No passado domingo, o PSD responsabilizou o Governo pelo estado de “falência operacional” da CP, após o anúncio pela empresa da redução do número de comboios em diversas linhas do país, “por falta de material circulante e respetiva manutenção”.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Julgo que o problema da CP tem a ver, em parte, com as cativações impostas pelo Ministério das Finanças! O material ferroviário da CP é velho e, nos últimos anos, os investimentos – os poucos que se têm feito… – estão ligados à chamada obsessão do défice. Ou seja, pouco se tem feito no domínio dos investimentos! O Governo pretende que o défice de 2018 seja menor que orçamentado, para que os aplausos de Bruxelas sejam um facto e para que o Euro Grupo olhe com mais “admiração” o trabalho de Mário Centeno como ministro das Finanças… Ou seja, estamos uma vez mais a trabalhar para o défice das contas públicas. Que pena Jorge Sampaio não aparecer, agora, a voltar a defender que “há mais vida para além do défice”!!!

  2. Interessante ao que este país chegou.
    Se tivéssemos actualmente o que tínhamos há uns anos atrás no que toca a linhas e ramais, com o ‘boom’ de turismo actual a CP teria uma mina de ouro, bastando para isso criar roteiros e provavelmente parcerias com unidades locais de hotelaria.
    A famosa linha do Tua é disso exemplo mas uma barragem num local que tinha sido considerado INICIALMENTE pela Unesco com parecer NEGATIVO e DEPOIS POSITIVO (ver aqui https://www.rtp.pt/noticias/pais/portas-e-cristas-abriram-caminho-a-mota-engil-no-vale-do-tua_v928957) pura e simplemente acabou com uma das linhas mais esplendorosas no nosso país.
    Claro que algumas ‘cabecinhas pensadoras’ acabadas de sair da universidade a querer mostrar serviço olharam apenas para estatísticas e não só acabaram com infraestruturas muito importantes para as populações locais como aniquilaram o que agora seria uma mais valia ao nível que qualquer empresa de caminhos de ferro mundial que se preze.
    O que sempre importou foi linhas de alta velocidade que não só são estupidamente caras mas que não conseguem competir com o avião em preço mesmo sem ter em conta as actuais ‘low-cost’. Claro está sempre com as grandes cidades do litoral em realce em deterimento do interior (e eu vivo numa).
    Queixem-se agora…

  3. Os PS no seu melhor que é dar cabo de TUDO e TODOS… então estávamos Tão BEM e de repente vai TUDO abaixo??? Só mesmos estes PS p/ nos cantar a cantiguinha e os Portugueses LORPAS que até mete DÓ aceitaram!!!

  4. Acabem com o elefante branco que é o comboio. Onde esta a linha Cascais – Lisboa façam uma via só para transportes publicos, façam aí circular camionetas, e os tempos de viagem serao muito menores

  5. mas estes srs e sra administram o quê?

    pq isto não tem ponta por onde pegar, estão na falência há anos sempre com o mesmo ‘estilo’ de ‘administração’, esperam resultados diferentes?

    como os outros leitores notaram, por onde andam as alminhas do ‘há vida depois do défice’ entre tantas outras sapiências colectivistas que temos de aturar, mas que no fundo apenas servem para resolver OS SEUS problemas com o dinheiro dos outros, o contribuinte.

    e claro para tratarem do futuro dos filhinhos e seus cargos na AP.

  6. Mordomias ao desbarato mais greves aí está o resultado, esta tal como as outras várias grandes empresas que a CGTP levou à falência só não seguirá o mesmo caminho porque é praticamente imprescindível pelo menos nalguns troços e aí continuará a operar e paga por quem nunca meteu um pé dentro de um comboio, isto é que é injusto!.

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