As “outras” gueixas do Japão (que nem os japoneses conhecem) estão em Niigata

Quando ouvem a palavra “gueixa”, a grande maioria das pessoas pensa em Quioto. Mas há outro grande centro de gueixas no Japão – e muitos japoneses não conhecem.

A tradição gueixa de Niigata remonta há mais de 200 anos, à Era Edo (1603-1867), na altura em que a cidade era um importante ponto na rota marítima de Kitamaebune, que ligava Osaka a Hokkaido.

Como capital da maior área produtora de arroz do país, o porto de Niigata tornou-se o mais movimentado da costa do Mar do Japão. No início da Era Meiji (1868-1912), estava entre as zonas mais ricas e populosas da nação.

Uma zona economicamente próspera atrai comerciantes e visitantes. Para os satisfazer, nasceu e cresceu um distrito de entretenimento no bairro vizinho de Furumachi.

As gueixas começaram a atuar em salões de chá e restaurantes, para políticos, convidados de luxo e até membros da família imperial. Em 1884, eram já 400, revela a BBC.

A atividade gueixa cessou durante a II Guerra Mundial e, apesar de ter sido retomada, nunca recuperou os seus dias de glória. Ainda assim, continua a ser um vislumbre da cultura e artes tradicionais japonesas.

Ao contrário de Quioto, Furumachi é uma das poucas partes do Japão onde os turistas ainda podem saborear o ambiente autêntico de um hanamachi tradicional, como são conhecidos os distritos de gueixas.

Furumachi tem ainda outra vantagem: aceita turistas que nunca tiveram qualquer contacto com a tradição, ao contrário de muitas outras áreas gueixa, que impõem o requisito de só aceitarem clientes regulares.

Salvar a tradição das gueixas de Niigata

Ao contrário de Quioto, Niigata é um lugar que poucos turistas visitam, o que prejudica este negócio. Face à queda acentuada desta tradição, Ryuto Shinko decidiu agir e, em 1987, tornou-se a primeira empresa de recrutamento de gueixas do Japão.

O objetivo passa não só por formar novas gueixas, como também por atuar como intermediária.

Apoiada pelo patrocínio de 80 empresas locais, a Ryuto Shinko contrata gueixas como trabalhadoras assalariadas a tempo inteiro, assegurando cuidados de saúde e outros benefícios.

Hoje, as gueixas de Furumachi dançam e ensinam a sua cultura em convenções; atuam em casamentos e até funerais, e podem ser vistas nas ruas da cidade japonesa.

A pandemia de covid-19 foi outro duro golpe para o negócio, mas a Ryuto Shinko não se deixou abater. A empresa inventou uma forma engenhosa e contemporânea de resgatar a cultura centenária das gueixas: o crowdfunding online. 

A onda de solidariedade para com a tradição multiplicou-se na Internet e há esperança de que o turismo reavive assim que o Japão se livre do vírus.

  ZAP //

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