“A gratidão não prescreve”. Marcelo quer condecorar todos os militares do 25 de Abril até 2024

Miguel A. Lopes / Lusa

Até aos 50 anos da Revolução do 25 de Abril, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai condecorar todos os militares envolvidos na conspiração que levou à queda da ditadura.

Na sexta-feira passada, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou 27 militares com a Ordem da Liberdade (grau de grande-oficial). Destes 27 militares – desde cabos, capitães milicianos a oficiais do quadro permanente -, estiveram na cerimónia, por exemplo, os coronéis Aniceto Afonso ou Carlos Matos Gomes.

“É uma justiça ainda não cabalmente prestada, iniciada pelo Presidente Ramalho Eanes, continuada pelo Presidente Mário Soares e, a seguir, pelo Presidente Jorge Sampaio, mas conheceu uma descontinuidade e o seu reatamento”, disse Marcelo, num discurso ao qual o jornal Público teve acesso, referindo-se aos mandatos de Cavaco Silva.

“Abril significou um momento histórico na vida de Portugal. Sem o vosso papel, Portugal não seria o que é, não teria a Constituição que tem, não consagraria o Estado de Direito democrático. O vosso gesto refundador foi essencial para o Portugal que temos”, afirmou Marcelo, no discurso que fez perante os militares. “A memória não prescreve, e a gratidão não prescreve”.

Porém, o Presidente não quer ficar por aqui. Marcelo pretende condecorar todos os 120 militares que fizeram parte da conspiração que levou à queda da ditadura até 2024, ano em que se comemora o 50.º aniversário do 25 de Abril.

“É uma justiça que se tem que prestar aos militares que fizeram Abril, porque todos eles foram igualmente importantes”, explicou.

Segundo o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, que está a elaborar a lista de nomes, “o critério foi a participação na conspiração e na ação militar do 25 de Abril, não tem a ver com o processo posterior”.

Os nomes “mais sonantes” de Abril, como os ex-Presidentes António Spínola, Costa Gomes e outros membros da Junta de Salvação Nacional serão distinguidos em 2024.

Alguns dos militares de Abril continuaram as suas carreiras nas Forças Armadas, outros abandonaram as fileiras e acabaram por pedir mais tarde a reconstituição das carreiras, através de uma lei aprovada pelo Governo de António Guterres.

Até Marcelo tomar posse, tinham sido condecorados cerca de 80 militares. Com esta iniciativa, Marcelo ficará para a história como o Presidente que fará a maior homenagem aos operacionais de Abril.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

 

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Tudo bem com a condecoração dos dos ex: militares que estiveram na conspiração da ditadura. Pergunto e os EX: COMBATENTES DO ULTRAMAR que deram a vida e pela existência da Pátria que hoje se chama Portugal, mais parece Portugal dos Pequeninos, Foram HERÓIS e agora são ABANDONADOS de Estado Português.!

  2. Só pergunto: Otelo Saraiva de Carvalho também faz parte desse naipe?? Um condenado a 18 anos de prisão por terrorismo???

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