A austeridade está liquidada (diz um ministro alemão)

Joe Mabel / Wikimedia

Michael Roth, ministro de Estado para os Assuntos Europeus da Alemanha

Michael Roth, ministro de Estado para os Assuntos Europeus da Alemanha

A política de austeridade terminou e a União Europeia (UE) está em vias de alterar a sua abordagem para recuperar a confiança dos cidadãos, disse hoje em Lisboa o ministro de Estado para os Assuntos Europeus do Governo alemão.

“Esta alteração política na Europa já existe e começou nas eleições para o Parlamento europeu, a eleição da nova Comissão Europeia, e o regresso a vários governos dos partidos socialistas e sociais-democratas. A política de austeridade está liquidada, acabou”, referiu Michael Roth na sua intervenção.

O responsável alemão e dirigente do Partido Social-Democrata, SPD, rejeita que a “alteração política” na Europa se tenha iniciado com os resultados das eleições de 25 de janeiro na Grécia, com a vitória do partido da esquerda radical Syriza.

O ministro-adjunto do Governo liderado por Angela Merkel discursava numa conferência internacional promovida pela Fundação Friedrich Ebert, organizada em cooperação com o IPRI-UNL (Instituto Português de Relações Internacionais) e o Goethe-Institut sobre o tema “O Nosso Futuro na Europa”, em que também foram oradores a investigadora do IPRI Patrícia Daehnhardt e o deputado do PS Vitalino Canas.

Já no período de debate, precisou que uma das preocupações a nível comunitário consiste em evitar que os países europeus “permaneçam nas mãos” dos especuladores.

“Os Estados europeus devem emancipar-se da especulação, dos mercados financeiros, que apenas pretendem lucro”, adiantou o responsável germânico, 44 anos, que ocupa o cargo desde dezembro de 2013 no governo da “grande coligação” entre os cristãos-democratas conservadores (CDU/CSU) e o SPD.

As eleições da Grécia e a ascensão dos extremismos e dos nacionalismos no espaço da União Europeia, fenómenos políticos que alastram no continente e parecem ter impelido à anunciada alteração das políticas provenientes de Bruxelas, serviram de mote à alocução do responsável alemão

O ministro alemão recordou um “tríptico político” a cumprir, e que pode fazer renascer a “esperança” e a “confiança”, duas expressões que utilizou com frequência: a consolidação dos orçamentos dos países sobreendividados, reformas estruturais e investimento no crescimento e no emprego.

“A UE está em vias de alterar a sua política para recuperar confiança dos cidadãos. E fornecer esperança”, insistiu.

Nesta perspetiva, recordou ainda a “agenda estratégica” anunciada pelo presidente da CE, Jean-Claude Juncker, e “apoiada pelos chefes de Estado e governo” dos 28 Estados-membros.

O plano de investimento de 315 mil milhões de euros, o reforço da coesão social, a concretização da união energética e uma política de imigração comum e uma política externa e de segurança “a uma só voz” foram as receitas avançadas.

Sem isso não temos Europa. Os cidadãos pagaram um preço elevado devido às reformas. Após um tempo de imposições, é importante que exista uma luz ao fundo do túnel. Que exista esperança”, assinalou.

Mas Roth também frisou que esta “nossa Europa” permanece “um mundo único num mundo globalizado”. E precisou: “Um mundo onde o Estado de direito tem de coexistir com a democracia e a prosperidade”.

“Se isto não funcionar, perdemos a esperança na Europa”, acrescentou Roth.

/Lusa

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