É o amor. Como Warren Buffett se tornou um influencer (muito antes dos TikToks)

Fortune Live Media / Flickr

Warren Buffett, o “Oráculo de Omaha”

Warren Buffett celebrou este ano o seu 95.º aniversário, após seis décadas à frente da Berkshire Hathaway, com uma carreira que redefiniu o poder do entusiasmo na área empresarial. Décadas antes das redes sociais, o famoso “Oráculo de Omaha” já dominava a arte de influenciar o mundo dos negócios.

Muito antes das estrelas do TikTok, dos influencers do Instagram ou dos criadores no Patreon que monetizam os seus seguidores, Warren Buffett já dominava a arte de cultivar uma legião de superfãs — seguidores fiéis cujo envolvimento se traduz diretamente em receitas.

A abordagem de Buffett começou com as suas cartas anuais aos acionistas, iniciadas em 1977. Mais do que simples atualizações financeiras, estas cartas ofereciam uma janela para o seu pensamento, fomentando um sentimento de intimidade e confiança, conta o Quartz.

“O nosso objetivo é comunicar convosco da forma que gostaríamos que usassem se as nossas posições estivessem invertidas”, escreveu Buffett na sua carta de 2025.

A sua abertura para admitir erros e falhas criava autenticidade, uma qualidade que os criadores modernos passam anos a tentar cultivar com análises e estratégias de conteúdo. Buffett conseguia-o naturalmente, criando laços duradouros com os seus leitores enquanto promovia subtilmente a filosofia da Berkshire.

Um exemplo precoce da forma como Buffett compreendia economias baseadas em fãs ocorreu com a aquisição, em 1972, da See’s Candies. Apesar do crescimento das vendas ter permanecido modesto, a ligação emocional que os clientes sentiam à marca permitiu que os preços subissem consistentemente acima da inflação.

Charlie Munger, parceiro de longa data de Buffett, considera que esta ligação emocional permite estabelecer preços premium acima do valor objetivo de um produto — ideia que é agora a base da “economia de seguidores”.

É como encontrar dinheiro na rua”, diz Munger. O modesto investimento inicial de 32 milhões de dólares na See’s Candies acabou por gerar mais de mil milhões de dólares em lucros acumulados, demonstrando o poder das vendas impulsionadas pela lealdade.

Na década de 1980, Buffett expandiu estas lições organizando eventos em grande escala. A assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway, apelidada de “Woodstock dos Capitalistas”, atrai dezenas de milhares de pessoas a Omaha todos os meses de maio.

Além de obterem informações financeiras, os participantes vivem uma experiência comunitária quase festiva, adquirindo produtos de empresas detidas pela Berkshire e interagindo com uma rede de investidores.

Momentos memoráveis, como o leilão em 2010 de uma colher da Dairy Queen autografada por Buffett, que foi vendida por 4.500 dólares, ilustram como o evento combina escassez, exclusividade e apego emocional — técnicas hoje comuns no marketing de influencers.

A estratégia de Buffett estende-se também à venda cruzada no seu portefólio. Os acionistas tornam-se clientes, promovendo naturalmente as suas marcas através do boca a boca. O sistema amplifica receitas e fidelidade, criando um ecossistema de auto-reforço, que antecipou as economias de subscrição e de influencers modernas.

Os métodos de Buffett — comunicação autêntica, preços premium baseados em ligação emocional, experiências imersivas e estratégias de promoção cruzada—precederam e anteciparam em décadas a “bíblia” que os influencers contemporâneos seguem religiosamente.

Essencialmente, Buffett demonstrou que os superfãs são o ativo mais valioso de uma empresa. Como o próprio investidor afirma, a barreira económica mais duradoura não são patentes ou imóveis — é o amor.

ZAP //

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