72 mil dias de greve na Saúde. Costa mais castigado do que Passos em ano de eleições

Paulo Novais / Lusa

Nos primeiros cinco meses de 2019, as greves no setor da Saúde, onde se incluem todas as profissões, foram responsáveis por cerca de 72 mil dias de trabalho perdidos, escreve o jornal Público esta terça-feira, citando dados do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

De acordo com o matutino, o primeiro-ministro, António Costa, está a sofrer mais com as paralisações na Saúde do que o Executivo do antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando comparados anos de eleições legislativas.

Até ao mês de maio, as greves na Saúde foram responsáveis por 72 mil dias de trabalho perdidos, quase o dobro dos dias perdidos no mesmo período em 2015, ano em que se realizaram também eleições: pouco mais de 38 mil dias.

Durante os quatro anos do governo PSD/CDS, recorda o jornal, reduziram-se os valores pagos pelas horas extraordinárias, criaram-se sobretaxas e o horário de trabalho passou das 35 para as 40 horas semanais sem alterações financeiras. Ainda assim, o volume de greves no setor da Saúde foi inferior ao registado durante a legislatura de Costa.

Em 2012, o Governo de Passos firmou um acordo dito “provisório” com os médicos e estes passaram a ter um horário de 40 horas semanais com um salário maior. Em contrapartida, o número de utentes por médico de família passou de uma média de 1500 para 1900 e o período dedicado às urgências de 12 para 18 horas semanais.

Esta situação continua, contudo, a vigorar em 2019. “Pretendemos o reforço do SNS, quebrando o ciclo de desinvestimento dos últimos anos”, começou por explicar Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), em declarações ao Público.

“Queremos mais contratação de médicos, em vez de se apostarem tanto em empresas de prestação de serviços, a passagem das 18 para as 12 horas de urgência semanais, libertando tempo para consultas e cirurgias programadas e diminuindo listas de espera que em várias especialidades chegam aos dois anos”, apontou.

Estas são algumas das principais reivindicações que estão na origem dos dois dias de greve marcados para esta semana. Os enfermeiros estão também esta terça-feira em greve. Ao início da manhã, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares dava conta que pelo menos 6 mil cirurgias tinham sido adiadas.

ZAP ZAP //

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9 COMENTÁRIOS

  1. Bem precisam que sejam os seus familiares (dos médicos e dos enfermeiros, que estão em greve) a ir ao hospital e acabarem por ir parar ao “Alto de S.João”

  2. Então não foi este sr. que prometeu mundos e fundos ao povo? Que havia dinheiro p/ tudo que não havia razão p/ tanto aperto financeiro. Um enfim de barbaridades. Agora que aguente c/ as greves. Prometeu tem cumprir. Só temos pena que não seja p/ todos seja só p/ alguns. Mas até esses alguns ele não cumpriu imagine-se se fosse p/ todos.

    • ora nem mais.

      mas parece que a maioria gosta.

      não esquecer que os anteriores cortaram para pagar as dívidas que estes deixaram durante anos de desgoverno.

      nem de perto nem de longe concordo com a maioria das coisas que os anteriores fizeram, mas estes xuxalistas têm uma lata!

  3. Venha outro Passos Coelho, que essa gente toda (função publica), tal como antes, entram logo na ordem… Até talvez emigrem com o rabo entre as pernas e caladinhos que nem ratos!
    Os exploradores dos trabalhadores privados, em grande parte são a função publica. Mal sabem que há mais uns trocados querem logo tudo para eles.
    Exploram-nos até ao tutano e ainda assim deixam-nos sem consultas sem cirurgias, sem transportes sem atendimento nas repartições etc, etc.

  4. A função publica são os que votam mais no ps,não compreendo o porquê de tanta revolta.Nem no tempo da troika os serviços públicos estavam como estão ,não se deixem enganar!Não existe dinheiro, a verdade é esta,se forem gastar no que é necessário voltamos aos tempos da troika. O défice está bom porque não gastam dinheiro nos serviços públicos,está tudo um caos…hospitais,registos,tribunais,escolas,etc

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