Mais de 60% dos professores universitários estão em burnout

Mais de 60% dos professores universitários sofrem de burnout, um estado de exaustão decorrente do stress do trabalho, segundo um estudo da Universidade Portucalense que sinaliza a importância do relacionamento dos docentes com as chefias para precaver saúde mental.

Os dados do estudo, realizado no âmbito de uma tese de mestrado em Psicologia e divulgado esta segunda-feira, indicam que 62% dos professores universitários sofre de burnout, associado a fadiga física, e demonstram que “as universidades devem dar mais importância aos relacionamentos dos professores universitários com a liderança directa e com a gestão de recursos humanos como factor promotor de saúde mental”.

A investigação da autora da tese de mestrado, Ana Rita Ferreira, que abrangeu professores de quatro instituições de ensino superior do Porto, revela que “quando o ambiente de trabalho é positivo, o docente encontra mais recursos sociais e psicológicos para superar os desafios profissionais”.

“Os resultados do estudo indicam que o stress inerente à função e cargos que cada docente ocupa está directamente associado ao burnout. Por outro lado a confiança nas chefias e o relacionamento com a gestão de recursos humanos constituem-se como factor amortecedor do burnout”, lê-se no comunicado da Universidade Portucalense.

De acordo com o estudo, os dados contrariam as ideias preconcebidas em relação ao burnout: não é a fadiga cognitiva, mas sim a fadiga física e a exaustão que são apontadas “como os principais factores de desencadeamento deste quadro”.

“Os dados apoiam a necessidade de rever as funções que o professor deve desempenhar dentro da instituição e a devida carga horário, favorecendo o desempenho do professor e o bem-estar, sendo especialmente relevante os relacionamentos dos professores universitários com a gestão”, indica o comunicado.

O estudo – feito com base em 131 inquéritos a professores universitários, entre os 23 e os 74 anos de idade, e que leccionam, cada um, apenas numa universidade – mostram que cada docente trabalha mais horas (16 horas) do que a carga horária recomendada, sendo obrigados a conciliar aulas com investigação, “podendo acumular funções burocráticas ou de maior responsabilidade como é o caso de 60% dos inquiridos, ou a coordenação de um determinado curso ou departamento da universidade, como são 42% dos docentes participantes no estudo”.

O estudo revela também que “o burnout é transversal a todas as áreas científicas”, e “apesar de nenhum dos inquiridos apresentar um quadro de burnout total, verifica-se que 62% dos professores têm sintomas de burnout associado a fadiga física, 27% apresentam sintomas de burnout associado a fadiga cognitiva e 5% sintomas de burnout associado a exaustão emocional”.

“Da amostra total dos 131 inquiridos, 66% são professores auxiliares, 15% professores associados, 10% professores convidados e com menor prevalência, 4% professores catedráticos”, e a grande maioria (83%) tem como habilitações um doutoramento.

/Lusa

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14 COMENTÁRIOS

  1. Achava que eram só os enfermeiros que estavam em burnout….

    Mas concordo perfeitamente e acho que eu estaria também em burnout, depois de estar uns meses a olhar para o boneca e ter que começar a trabalhar novamente…

    Até o burnout é apenas permitido a algumas classes da sociedade…. e sempre as mesmas…

  2. Devem estar a brincar não?
    Conheço directamente dois professores universitarios na minha familia em duas universidades portuguesas diferentes…e trabalhinho santo!
    Bons ordenados,(são publicos, basta procurar as tabelas online), chefes ausentes e que NUNCA avaliam ou gerem alguem, 3-4 meses de ferias (sim, sim, porque em dezembro-fev e julho-set estão lá uns dias), fora as semanas de 4 dias ou até mesmo só manhas, investigações inuteis da treta apenas para justificar bolsas e actividades financiadas…
    Um deles com 35 anos este ano não deve lecionar sequer… imenso stress sem duvida.

    Às vezes penso que estou num mundo à parte quando aparecem noticias anedoticas como estas… qual a veracidade ou criterios de escolha para se colocar isto como noticia??

  3. se alguem pergunta a outra pessoa se o seu trabalho é estafante, deve haver muitos poucos a dizer que não
    sendo assim estaremos todos em burnout, bastará fazer o mesmo inquerito a outros areas de trabalho

    é um estudo similar ao de se perguntar a alguem se ganha muito, 99% das pessoas vão dizer que ganham pouco
    se fizermos esse inquerito a politicos vai aparecer depois uma noticia a dizer que ganham pouco e que se tem de rever os salarios deles

    estudos a martelo sem nexo que depois dão noticias parvas para atirar areia aos palermas
    comam e siga a palhaçada

  4. Reduzam-lhe o horário e deixem-nos fazer todas as horas extras que eles quizerem pagas a 200 e 300% vão ver que lhes passa dum dia pró outro. quem está a entrar em burnout sou Eu para arranjar chicha pra estes lobos todos, é pior que alimentar burros a pão ló.

  5. O nível de ressabiamento neste comentários é de cortar à faca. Gente azeda e telenoveleira: Eu ouvi dizer que…; porque conheço alguém que…; eu sei pois tenho opinião sobre tudo…; Disseram-me que….

  6. Sabem, o carnaval e o dia das mentiras já passaram. Isso é um estudo da treta e bem comprado. É a melhor profissão em Portugal não são obrigados a nada. NADA mesmo.

  7. Ainda há quem pense que os professores universitários só dão aulas e por isso ficam surpreendidos e equivocam-se a pensar que têm 4 meses de férias (que miragem!!!). Meus amigos, bom remédio: se é assim tão bom, trabalhem para entrar nessa carreira.
    Já agora, quem não dá aulas, o que faz então?? Está simplesmente no local de trabalho?

    • Vou tentar dar resposta sucinta, lamento se escrever demasiado.

      Professor universitário tem em media 16 horas por semana para lecionar. Tambem tem tarefas associadas, mas isso é como em qualquer outra area de trabalho.
      Inclui tambem tempo em investigação, o que até é uma boa intenção, mas que resulta em vapor muitas vezes, teses abstratas, papers e artigos sem conteudo util apenas para preencher programas e receber financiamentos.
      Se achas o contrario então cada universidade deveria ter imensa investigação a dar frutos incriveis, a realidade parece não ser assim.

      Quanto aos 4 meses de ferias, nos meses em questão que apontei, os meus familiares aparecem uns dias na universidade para cumprir horario e acompanhar exames, a verdade é que não vão dar aulas porque ninguem está lá a ter aulas nessa altura.
      Entre esses dias em que lá estão, são semanas sem necessidade de comparecer, na pratica são imensos dias uteis sem se preocupar.
      Não há muitas empresas que deixem os empregados aparecer apenas uns dias num mes sem ser ferias (ou baixas)

      Adoro no enanto o teu ataque a dizer para irem trabalhar para lá
      No meu caso, obrigado, mas preferi abrir empresa, ganho bem e sei que trabalho em algo produtivo e gerador de emprego… mas chateia me pagar impostos para sustentar muitos relaxados. O que move a minha critica não é inveja mas sim estar farto de choradinho de quem não devia.

      Mas viro o assunto da mesma maneira que a “perplexa”, se achas assim tão esgotante podes sempre sair desse emprego tão burnout e trabalhares noutro lado, pelos vistos deve ser mais calmo que ser professor universitario.

      • Ó Senhor Nuno Silva, em primeiro lugar, ainda bem que tem tanto tempo como eu para colocar comentários às notícias on-line. Em segundo lugar, preciso de dizer-lhe que não estou de momento, nem especialmente esgotada, nem burnout. Nem sequer penso que os profs universitários estejam mais exaustos do que outros profissionais. Sei, sim, que em Portugal há muita gente esgotada e com boas razões para isso, incluindo nas universidades, sendo quanto a mim um problema transversal a toda a sociedade e profissões no nosso país. Logo de raíz, a maiora das pessoas neste país acha que 8 horas de trabalho (como se pratica em tantos países ricos e realmente desenvolvidos) é pouco, de modo que por aí pode prever-se o resultado de uma tal maneira de pensar.
        Sei o que trabalham muitos professores universitários e parece-me que não é muito diferente do que sucede com tantos outros profissionais. Várias pessoas empregadas por conta de outrem em empresas privadas, à semelhança do que sucede com os professores universitários, não têm de estar propriamente no local de trabalho a picar ponto 5 dias por semana, tendo a possibilidade de trabalhar à distância. Ou seja, não são só os professores universitários que têm um emprego que lhes permite o privilégio de não terem horário fixo 5 dias por semana. E o que dizer de quem trabalha por conta própria, ou de quem seja profissional liberal? O Sr. Nuno Silva presume que quem não está no local de trabalho 5 dias por semana não está a trabalhar…
        Mas não me surpreende o comentário do Sr. Nuno Silva, por ser semelhante ao de muitos portugueses, que acham sempre que trabalham muito, que os outros pouco trabalham e que a galinha (neste caso, emprego) do vizinho é melhor (i.e., mais relaxado). Ou seja, nada de novo… Só nos espanta que este país não vá mais longe com tanta gente tão trabalhadora! E já agora, é bom recordar que todos pagamos ordenados uns aos outros, sim?

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