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Há apenas 39 mulheres a trabalhar como jornalistas em Cabul

Apenas 39 mulheres jornalistas ainda trabalham em estações privadas de rádio e televisão em Cabul, cenário desencadeado após a tomada do Afeganistão pelo Talibãs. De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), em 2020 eram 700.

Entre as mulheres que fugiram está a pivô Beheshta Arghand, que entrevistou um importante líder do Talibãs em agosto. À CNN, citada pela Time, disse que deixou o país devido ao medo que sente do grupo.

Zahra Joya, que fundou a Rukhshana Media, uma organização de media que atua como uma plataforma para mulheres jornalistas, também deixou o Afeganistão na semana passada. “Decidi deixar o país o mais rápido possível, senti que estava em risco”, indicou à Time, a partir do Reino Unido.

“Mulheres jornalistas devem poder retomar o trabalho, o mais rápido possível, sem serem assediadas. É o direito mais básico, essencial para sua a subsistência”, indicou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, sublinhando que a “sua ausência no cenário da media teria o efeito de silenciar todas as afegãs”. “Apelamos à liderança dos Talibãs a fornecer garantias imediatas para a liberdade e segurança das jornalistas”, continuou.

Nas províncias do Afeganistão, quase todas as jornalistas pararam de trabalhar quando o Talibãs assumiram o controle. Em 2020, mais de 1.700 mulheres trabalhavam em órgãos de comunicação nas províncias de Cabul, Herat e Balkh.

Os Talibãs prometeram proteger os direitos humanos. Fizeram promessas semelhantes quando assumiram o controle do país em 1996, mas depois baniram as mulheres do trabalho e da educação. Desta vez, o grupo incentiva as mulheres a voltarem ao trabalho e permitiu que as jovens regressassem à escola.

“Não acredito nos Talibãs. É muito claro que eles não aceitam os direitos das mulheres ou os direitos humanos”, disse Zahra Joya.

A Zan TV e Bano TV, canais privados que empregavam mais de 80 mulheres jornalistas, encerraram todas as atividades a 15 de agosto, informou a RSF. Uma jornalista que trabalha na província de Ghazni disse que os Talibãs permitiram que a estação continuasse a operar, mas sem música e vozes femininas.

Um porta-voz dos Talibãs referiu à BBC que havia espaço para mulheres no novo governo, mas não “nos cargos de chefia e gabinete”.

  Taísa Pagno //

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