“Zona morta” maior que Portugal está a devorar o Golfo de Omã

Banco de Imágenes Geológicas / Flickr

Imagem aérea do mar Arábico – Golfo Pérsico (esq.) e Golfo de Oman (dir.)

O golfo de Omã, estreito que liga o mar arábico e o golfo pérsico, regista uma dramática diminuição de oxigénio e tem uma cada vez maior “zona morta”, confirmaram estudos da Universidade East Anglia, do Reino Unido.

Investigadores da Universidade de East Anglia, em Norfolk, no Reino Unido, identificaram uma brusca redução do oxigénio presente nas águas do Golfo de Omã, no noroeste do Mar Arábico.

Segundo o estudo, publicado a semana passada na revista Geophysical Research Letters, a crescente “zona morta” foi confirmada por Seagliders, robôs submarinos que recolheram dados em águas anteriormente inacessíveis, devido a pirataria e tensões geopolíticas.

Os Seagliders podem descer até aos mil metros de profundidade e viajar pelo oceano durante meses, cobrindo milhares de quilómetros.

Dois destes drones submarinos foram posicionados no golfo de Omã durante oito meses e, comunicando por satélite, construíram uma imagem subaquática dos níveis de oxigénio e da mecânica oceânica que transporta o oxigénio de uma zona para outra.

Os resultados da pesquisa indicaram que onde era esperado algum oxigénio foi encontrada uma região com 165.000 km² – quase o dobro da área de Portugal – com quase nenhum oxigénio.

Simulações de computador indicam uma diminuição do oxigénio nos oceanos no próximo século e o aumento da zona morta, que, segundo um estudo da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos tinha atingido em 2017 o maior tamanho de sempre.

Os autores do estudo, citados pelo diário britânico The Independent, afirmam que a situação é “pior do que receavam”, pondo em risco a vida aquática e ameaçando transformar-se num sério problema ambiental.

A investigação foi conduzida por Bastien Queste, da Faculdade de Ciências Ambientais da East Anglia, em colaboração com a Universidade Sultan Qaboos, de Omã. Bastien Queste explica que as áreas mortas são zonas no oceano desprovidas de oxigénio e ocorrem naturalmente entre os 200 e os 800 metros de profundidade em algumas partes do mundo.

São um desastre à espera de acontecer, tornado pior pelas alterações climáticas, já que as águas mais quentes têm menos oxigénio, e pelos fertilizantes e esgotos que correm para os mares”, disse, acrescentando que o Mar da Arábia é a maior e mais densa zona morta do mundo, onde não tem sido possível colher dados devido à pirataria e conflitos.

“A nossa investigação mostra que a situação é na verdade pior do que nós temíamos, a zona é vasta e está a crescer, o oceano está a sufocar. Claro que os peixes e as plantas marinhas e outros animais precisam de oxigénio, por isso não podem sobreviver ali”, acrescentou ainda o cientista.

É um problema ambiental real, com consequências terríveis para os seres humanos que dependem dos oceanos para alimentação e emprego”, concluiu Bastien Queste.

ZAP // Lusa / Yale / Science Daily

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

RESPONDER

Pasta de dentes de carvão não branqueia os dentes (e faz muito mal)

O carvão ativado, como uma moda de saúde, começou a ficar popular em 2016. Hoje, podemos encontrá-lo em bebidas, gelados e pizza, por exemplo. Não há dúvida de que parte da atração está na estética das …

O exoplaneta mais tórrido já descoberto tem valiosas terras raras

A 650 anos-luz da Terra, o KELT-9 b, o exoplaneta mais quente até agora descoberto, tem assinaturas de alguns dos cobiçados minerais de terras-raras.  Além das assinaturas de ferro gasoso e titânio encontradas na sua atmosfera, …

Conseguirá a Terra sair ilesa se o Sol ficar sem combustível?

Planetas rochosos formados por elementos densos serão, muito provavelmente, os únicos sobreviventes da morte explosiva de uma estrela. Esta descoberta dá-nos pistas preciosas sobre o futuro da Terra. Quando uma estrela morre destrói tudo o que …

As colónias espaciais de Bezos flutuam, são auto-sustentáveis e até se podem parecer com Florença

O CEO da Amazon e fundador da empresa de transporte aeroespacial Blue Origin levantou o véu sobre os seus planos futuros, detalhando as suas ideias para a colonização do Espaço. Jeff Bezos sonha com "cápsulas" …

Descoberta nova espécie de rã de cristal na Colômbia

Uma rã de cristal com um coaxar peculiar foi descoberta na Sierra Nevada de Santa Marta, uma cordilheira localizada na Colômbia. "Foi um golpe de sorte", revelou o cientista que encontrou o novo espécime. Segundo …

O café mais caro do mundo vende-se na California. Custa 66 euros

Um café na California, nos EUA, prepara o que apresenta como o café mais caro do mundo. Chama-se Elida Natural Geisha 803 e custa 75 dólares (66 euros) por chávena. A rede Klatch Coffee Roasters, que …

Inglês pagou 265 euros por um Picasso falso. Afinal, era verdadeiro

Um residente da cidade de Crawley, na Inglaterra, comprou por 292 dólares (cerca de 261 euros) uma pintura que achava ser uma boa farsa de um conhecido trabalho de Pablo Picasso. Porém, seis meses depois, soube …

China cria aplicação de reconhecimento facial para distinguir pandas

Investigadores do Centro de Pesquisa e Conservação da China para Pandas Gigantes, juntamente com a Universidade de Tecnologia de Nanyang, em Singapura, e a Universidade Normal de Sichuan desenvolveram uma aplicação com um software de …

Corvos da Torre de Londres "salvaram" o país. Tiveram crias pela primeira vez em 30 anos

Os icónicos corvos negros da Torre de Londres "salvaram" o Reino Unido das consequências fatídicas de uma antiga profecia ao ter descendentes pela primeira vez desde 1989. O casal formado por Huginn (o pai) e Muninn …

A Estónia só tem um lingote de ouro e nem sequer o pode vender

O Banco Central da Estónia, que completou em maio 100 anos desde a sua função, só tem um lingote de ouro e nem sequer o pode vender, uma vez que o material não é puro …