Vulcões podem ser responsáveis pelos primeiros “sopros” de oxigénio na atmosfera da Terra

Uma nova análise de rochas provenientes da Austrália, com 2,5 mil milhões de anos, descobriu que as erupções vulcânicas podem ter estimulado o aumento da população de micro-organismos marinhos, criando os primeiros “sopros” de oxigénio na atmosfera da Terra.

“O que começou a ficar óbvio nas últimas décadas é que, na verdade, há um grande número de conexões entre a Terra sólida e inanimada e a evolução da vida. Mas quais são as conexões específicas que facilitaram a evolução da vida na Terra como a conhecemos?”, questionou, num comunicado, Jana Meixnerová, estudante de doutoramento da Universidade de Washington e primeira autora do estudo.

Nos seus primeiros dias de existência, o nosso planeta não tinha oxigénio na sua atmosfera e muito poucas (ou nenhumas) formas de vida que o respirassem. A atmosfera só se tornou permanentemente rica em oxigénio há cerca de 2,4 mil milhões de anos.



Em 2007, Ariel Anbar, co-autor deste novo estudo e geoquímico da Universidade Estadual do Arizona, analisou rochas do Monte McRae Shale, na Austrália. O investigador relatou um “sopro” de oxigénio de curto prazo que aconteceu cerca de 50 a 100 milhões de anos antes de se tornar um elemento permanente na atmosfera. Investigações mais recentes confirmaram também outros picos de oxigénio de curto prazo anteriores a esse.

No novo estudo, publicado a 17 de agosto na revista científica PNAS, investigadores da Universidade do Michigan, liderados pelo co-autor Joel Blum, analisaram as mesmas rochas antigas quanto à concentração e número de neutrões no elemento mercúrio, emitido por erupções vulcânicas.

Grandes erupções vulcânicas lançam gás mercúrio na alta atmosfera, onde nos dias de hoje circula durante um ou dois anos antes de “chover” para a superfície da Terra. A nova análise mostra um pico no mercúrio alguns milhões de anos antes do aumento temporário do oxigénio.

“Na rocha abaixo do pico transitório de oxigénio, encontrámos evidências de mercúrio, tanto na sua abundância como nos seus isótopos, que seriam mais razoavelmente explicados por erupções vulcânicas na atmosfera”, disse, na mesma nota, o co-autor Roger Buick, professor da Universidade de Washington.

Onde havia emissões vulcânicas, argumentam os autores do estudo, deve ter havido lava e campos de cinzas vulcânicas. E essas rochas ricas em nutrientes teriam-se desgastado com o vento e a chuva, libertando fósforo nos rios que poderiam fertilizar as áreas costeiras mais próximas, permitindo que as cianobactérias produtoras de oxigénio e outras formas de vida unicelulares florescessem.

“Existem outros nutrientes que modulam a atividade biológica em escalas de tempo curtas, mas o fósforo é o que é mais importante em escalas de tempo longas”, disse Meixnerová.

“O nosso estudo sugere que, para esses sopros transitórios de oxigénio, o gatilho imediato foi um aumento na produção de oxigénio, ao invés de uma diminuição no consumo de oxigénio pelas rochas ou outros processos não vivos. Isto é importante porque a presença de oxigénio na atmosfera é fundamental – é o maior impulsionador para a evolução de uma vida grande e complexa”, concluiu Buick.

  Filipa Mesquita, ZAP //

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