Um vírus comum que contraimos na infância pode ser uma das causas da esclerose múltipla

A mononucleose infeciosa tem uma grande correlação com o desenvolvimento da esclerose múltipla e um novo estudo concluiu que o risco da doença neurológica aumenta 32 vezes em quem já contraiu o vírus.

Um vírus comum que por vezes causa mononucleose infeciosa em adolescentes pode ser uma das causas da esclerose múltipla, uma doença neurológica rara que faz com que o nosso sistema imunitário ataque o cérebro e a medula espinhal, revela o ARS Technica.

Ainda não se sabe como o vírus Epstein-Barr (EBV) pode causar a doença, já que cerca de 95% dos adultos já estiveram infetados com ele, principalmente na infância, mas apenas uma pequena fracção de pessoas desenvolve esclerose múltipla e grande maioria dos casos desta doença neurológica surge já na idade adulta.

Um novo estudo publicado na Science concluiu que esta ligação entre o vírus e a esclerose múltipla é ainda mais forte do que se pensava, sendo até uma causa essencial para a doença. As pessoas que contraem mononucleose infeciosa no início da idade adulta têm um risco 32 vezes maior de desenvolverem esclerose múltipla.

“Apesar de não entendermos biologicamente como o EBV causa a esclerose múltipla e temos teorias sobre isso, já temos as peças do puzzle no lugar. É outra peça de provas que solidificam esta teoria”, revela Ruth Dobson, professora de neurologia preventiva e especialista na doença.

O estudo baseou-se em amostras de sangue de mais de 10 milhões de membros do exército norte-americano ativos entre 1993 e 2013 e que eram saudáveis e estavam em forma.

801 membros desenvolveram esclerose múltipla e já tinham dado amostras de sangue antes do diagnóstico, o que permitiu aos investigadores examiná-las e compará-las com os outros que não desenvolveram a doença. Destes 801, apenas um não tinha anticorpos que indicavam uma infeção anterior pelo EVB.

Antes do período de análise de 20 anos, apenas 35 dos 801 pacientes ainda não tinham contraído o EVB e no final das duas décadas, 34 desses 35 já tinha apanhado o vírus, restando apenas o caso único do doente que não o teve. Os cientistas ainda não sabem ao certo o que levou a que este não tivesse desenvolvido anticorpos, mas apontam para um possível diagnóstico falso de esclerose múltipla ou que o doente tenha um tipo mais raro que não esteja ligado ao EVB.

A taxa de seroconversão (desenvolvimento de anticorpos) no grupo de 35 doentes de esclerose múltipla que não tinham apanhado o vírus antes do início da análise era também muito maior do que no grupo de controlo. Foi com estes dados que os cientistas chegaram à conclusão de que quem criou anticorpos para o EVB tem um risco 32 vezes maior de desenvolver esclerose múltipla.

Os cientistas compararam os dados com mais de 200 vírus e o único que mostrou ter uma relação com a doença foi o EVB. Este não é o primeiro estudo que sugere que há uma ligação entre o EVB e a esclerose múltipla.

  ZAP //

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