Associação alerta: Violência e agressividade não são características da Síndrome de Asperger

João Carvalho/Wikipedia

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Em comunicado, a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger esclareceu as características da Síndrome de Asperger e pediu à comunicação social e às redes sociais para não fazerem associações nem julgamentos precipitados.

A Polícia Judiciária (PJ) apurou que João, o jovem suspeito de planear um ataque à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), terá sido “vítima de bullying na escola e que sofre de síndrome de Asperger [perturbação do espectro do autismo]”.

A violência e a agressividade não são características” da doença, explicou a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), em comunicado, acrescentando “que não pode ser feita qualquer associação direta entre os atos de violência descritos pela comunicação social e esta síndrome”.

Também a Federação Portuguesa de Autismo (FPA) salientou que “não faz parte de qualquer forma de autismo a existência de comportamentos sociopatas”.

“Dizer que uma pessoa autista é sociopata é o mesmo que dizer que uma pessoa de uma determinada raça, etnia ou que um jornalista, um político, um juiz ou um médico é sociopata”, completou a associação, alertando que “sociopatas podem existir em qualquer grupo ou profissão“.

Desta forma, salienta o Público, a FPA considera “criticável” a referência, em várias notícias, ao jovem como tendo “síndrome de Asperger”.

A associação entende que a existência de notícias que associam Asperger e atos de violência “podem comprometer anos de luta pela inclusão das pessoas com autismo na sociedade”.

A nota da APSA refere que, em Portugal, devem existir cerca de 40 mil pessoas com esta condição, na sua maioria rapazes. Uma das características da Síndrome de Asperger é “o desenvolvimento de capacidades cognitivas normais, mas muito focalizadas”, e é urgente que se faça “o acompanhamento precoce e a intervenção rápida junto de crianças e jovens com esta problemática”, alerta ainda.

A Síndrome de Asperger é uma forma de autismo. Nas classificações mais recentes (DSM 5 de 2013 e ICD11 da OMS), deixou de ser considerada como uma entidade independente, tratando-se antes de uma situação de Autismo sem alteração do desenvolvimento intelectual e com linguagem normal ou ligeiramente afetada.

O Autismo é uma condição em que há uma alteração do neurodesenvolvimento criando pessoas “neurodiversas”. A condição mantém-se desde o nascimento até à morte.

  ZAP //

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