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Violência armada. 430 mortos na última semana nos EUA e 2021 pode ser dos piores anos de sempre

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Etinne Laurent / EPA

Em Abril deste ano, um tiroteio na Califórnia causou quatro mortos, incluindo uma criança

Só na semana passada registaram-se cerca de 430 mortos e mais de 1000 feridos associados a tiroteios, num ano que está a ser marcado pelo aumento da violência armada nos Estados Unidos.

O ano passado foi o que teve mais mortes causadas por tiroteios nos Estados Unidos nos últimos 20 anos, cerca de 43 mil. Mas 2021 pode superar os dados de 2020, visto já terem havido cerca de 24 mi vítimas, de acordo com a Gun Violence Archive (GVA).

Entre 17 e 23 de Julho, registaram-se 915 tiroteios nos EUA, que resultaram em pelo menos 430 mortos e mais de 1000 feridos. O pior dia foi o Domingo, dia 18, com quase um em cada cinco incidentes registados nesse dia, e cerca de 22.6% dos tiroteios aconteceram entre a meia-noite e as três da manhã. Estes números traduzem-se numa média de uma pessoa a levar um tiro a cada dez minutos, de acordo com a ABC.

Alguns dos incidentes que se tornaram violentos na semana passada foram uma celebração da vitória da MBA dos Milwaukee Bucks, uma vítima de violência doméstica a tentar fugir com uma criança, um grupo de adolescentes num parque de estacionamento de uma igreja ou o acidente que levou a que um jovem de 15 anos matasse um amigo de 13 enquanto os dois jogavam videojogos.

“Esta semana é indicativa de um problema maior a longo-prazo que leva a que as pessoas comecem a ter medo de ir a parques e centros comerciais porque sabem que quando vão a um jogo de baseball, vai haver um tiroteio de alguém que passe num carro. Tem sido uma semana dentro da média e devíamos estar horrorizados“, conta Mark Bryant, director executivo da GVA, à ABC.

Mais de dois terços dos tiroteios aconteceram em locais onde mais de metade dos residentes pertence a uma minoria e 58.5% foram nas zonas mais pobres do país, onde o rendimento médio anual é menor do que 40 mil dólares. Cerca de 40% dos incidentes aconteceram no sul do país.

“A violência armada está altamente concentrada em bairros com níveis altos de privação económica, trauma devido a violência passada e agora com a covid, e com poucos acessos a recursos”, afirmou o especialista Jonathan Jay, da Universidade de Boston, citado pelo The Independent.

Este ano tem sido especialmente violento nos EUA, tanto que em Julho, Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, declarou um estado de emergência inédito devido à violência armada. O Comissário da polícia nova-iorquina, Dermot Shea, revela à ABC que a cidade sofreu um aumento de 73% nos tiroteios em Maio em comparação com 2020 e que 97% das vítimas pertencem a minorias étnicas.

“Os dados aqui em Nova Iorque mostram que há mais armas nos locais dos tiroteios do que balas a ser disparadas. Tirar as armas é bom, mas aquilo de que realmente precisamos é de tirar da rua o indivíduo que possui a arma”, afirma, e reforça que as pessoas são mais corajosas e insolentes quando estão armadas.

Apesar dos americanos terem comprado mais armas durante a pandemia, o criminologista Richard Rosenfeld revelou à CNN outras causas para o aumento da violência, como a ansiedade causada pela pandemia, a crise económica, e maior tensão entre as comunidades e a polícia desde os protestos em massa de 2020.

De acordo com uma sondagem do Morning Consult-Politico, publicada em Abril, 64% dos inquiridos apoia leis de armas mais restritas. No entanto, os Estados Unidos continuam a ser de longe o país mais armado do mundo, com 121 armas em circulação por cada 100 residentes, de acordo com o Small Arms Survey.

Embora as sondagens mostrem que o aumento das restrições é popular, muitos legisladores a nível estadual ou federal têm ignorado a vontade popular. O lobby da Associação Nacional de Armas no Congresso através das doações para as campanhas dos políticos é também bastante forte.

Durante a campanha no ano passado, Joe Biden mostrou ter uma agenda ambiciosa para combater a violência armada, que incluia banir as armas de assalto, comprar armas de volta e acabar com as protecções legais dos produtores de armamento.

No entanto, até agora pouco tem sido feito e as leis que obrigariam à verificação dos antecedentes dos compradores de armas não passaram além da Câmara dos Representantes.

  AP, ZAP //

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