Vida em Marte foi destruída pelos ventos solares que secaram a atmosfera

GSFC / NASA

 Impressão de artista de uma tempestade solar que atinge Marte e retira iões da atmosfera superior do planeta.

Impressão de artista de uma tempestade solar que atinge Marte e retira iões da atmosfera superior do planeta.

Cientistas da NASA afirmam que o vento e a radiação solar são responsáveis pela remoção da atmosfera marciana, transformando num deserto um planeta que pode ter suportado vida há mil milhões de anos.

“A maioria do gás que já esteve presente na atmosfera de Marte está perdido no espaço”, disse o investigador Bruce Jakosky, da Universidade de Colorado, em Boulder.

Em 2015, os membros da equipa da MAVEN anunciaram que o gás atmosférico de Marte estava a ser arrastado pelo vento solar para o espaço.

O estudo mais recente defende que algum tipo de vida bacteriana pode ter surgido no antigo ambiente marciano com água e coberto por dióxido de carbono. Depois, quando o planeta se tornou mais frio e seco, é possível que esses seres tenham desaparecido ou se tenham retirado gradualmente para o subsolo – e poderão até aparecer ocasionalmente na superfície.

“É possível que a vida microbiana possa ter existido na superfície desde os primórdios da história do planeta. À medida que o planeta ficava cada vez mais frio e seco, alguma forma de vida pode ter sido empurrada para debaixo do solo ou forçada a viver em raros oásis na superfície”, comunicou o porta-voz da NASA Trish Chamberson.

Os cientistas chegaram a esta conclusão depois de medirem a quantidade de árgon a diferentes altitudes na atmosfera de Marte. Ao contrário de outros gases, o árgon não reage quimicamente com outros elementos e só desaparece com o vento solar.

Normalmente, o isótopo mais leve (Ar-36) é mais abundante a altitudes elevadas que o mais pesado (Ar-38). Por isso, está mais exposto a que o vento solar o expulse para o espaço exterior.

Após calcularem as diferentes quantidades dos dois isótopos a diferentes altitudes, e monitorizarem os diferentes ritmos de desaparecimento de cada um, os especialistas calcularam que 66% do árgon de Marte desapareceu desde a sua formação.

“Esta descoberta é um passo significativo para desvendar o mistério dos ambientes passados de Marte. Esta informação pode ensinar-nos sobre os processos que podem mudar a habitabilidade de um planeta ao longo do tempo”, disse Elsayed Talaat, cientista do programa MAVEN, em Washington.

Uma das explicações oferecida para a perda precoce da atmosfera marciana e a sua mudança climática extrema é o desaparecimento do seu campo magnético. Nos primeiros milhões de anos de existência, Marte tinha um núcleo de ferro semelhante ao da Terra, que repele as partículas carregadas do vento solar.

Esse escudo pode ter cumprido a tarefa de proteger a atmosfera marciana durante os primeiros 500 milhões de anos marcianos mas, após desaparecer, a espessa atmosfera de dióxido de carbono de Marte ficou vulnerável às acções do vento solar.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Caro Zap,

    “argónio” é designação antanha e em desuso; actualmente e em português de Portugal diz-se (e escreve-se) “árgon”. Aqui não há dubiedade nenhuma por oposição a azoto/nitrogénio.
    Da mesma forma, a designação dos isótopos está mal formulada:
    – ou é primeiro o número em forma de potência e depois o símbolo químico do elemento (neste caso Ar e não AR), ou
    – é primeiro o nome do elemento e o número depois, separado por um hífen.

    Cumprimentos,
    Filipe Silva

    • Caro Filipe Silva, obrigado pelo seu reparo.
      Optámos por alterar a designação para “árgon”, uma vez que “argónio”, sendo português de Portugal (no português do Brasil escreve-se “argônio”) caiu de facto em desuso.
      Quanto à designação do isótopo, tem toda a razão. Está corrigido.

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