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A Via Láctea flutua sobre uma bolha? Descoberta estrutura incomum de gás quente

(dr) Annedirkse

A Via Láctea, vista do Paquistão

Uma equipa de cientistas descobriu uma espécie de “bolha” debaixo do plano da Via Láctea. A descoberta foi feita graças ao telescópio de raios-X eROSITA.

“No primeiro mapa da visão panorâmica de todo o céu criado pelo telescópio de raios-X eROSITA, a bordo do observatório russo Spektr-RG, os astrónomos descobriram um detalhe incrível: uma enorme estrutura arredondada abaixo do plano da Via Láctea, que ocupa uma parte substancial no [hemisfério] celeste sul”, informaram os cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais no site da Roscosmos.

“Com a sua alta sensibilidade, boa resolução espectral e angular e baixo fundo, o telescópio eROSITA, que varre todo o céu a cada seis meses, tornou-se uma ferramenta única para detetar e estudar objetos que são muito maiores do que o campo de visão”, explicou Michael Freiberg, cientista do Instituto de Física Extraterrestre da Sociedade Max Planck.

No hemisfério celestial norte, já era conhecida uma estrutura semelhante, que foi batizada de poço polar do norte. Segundo o Science Alert, os cientistas pensavam que o poço tinha surgido após uma explosão de uma supernova perto do Sol, há dezenas ou até centenas de milhares de anos.

A estrutura do norte e a recém-descoberta do sul criam uma composição semelhante a “um halo em forma de ampulheta bastante simétrico em relação ao centro da galáxia”.

https://twitter.com/roscosmos/status/1336909324275347461

De acordo com os cientistas, as bolhas que mudam de brilho descobertas pelo telescópio são o reflexo das perturbações dentro da camada de gás quente.

“Foram causadas por uma ejeção de material devido à atividade de um buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, ou por uma explosão gigante de formação estelar no gás no centro da galáxia”, explicam em comunicado.

Para criar estas estruturas, foi necessária energia semelhante à potência de 100 mil supernovas, sendo que o tamanho de ambas é comparável ao tamanho de toda a Via Láctea.

As bolhas recém descobertas pelo eROSITA têm uma semelhança morfológica notável com as conhecidas “bolhas de Fermi“, mas não coincidem geometricamente. As “bolhas de Fermi” foram descobertas pelo Observatório Fermi com energias de fotões muito mais altas (raios gama), um milhão de vezes mais energéticas do que os fotões de raios-X registados pelo Observatório Russo Spektr-RG.

O artigo científico com a descoberta foi publicado no dia 9 de dezembro na Nature.

  ZAP //

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