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Vénus já teve oceanos? De maneira nenhuma, dizem astrofísicos

Vénus já teve oceanos? Não, segundo o novo estudo de uma equipa de astrofísicos da Universidade de Genebra e da NCCR PlanetS, na Suíça.

Nos últimos anos, vários estudos têm sugerido que Vénus pode já ter sido um lugar muito mais hospitaleiro, com os seus próprios oceanos de água líquida. Mas eis que agora surge um estudo, publicado esta quarta-feira na revista Nature, que defende completamente o oposto.

“Simulámos o clima da Terra e de Vénus no início da sua evolução, há mais de quatro mil milhões de anos. (…) As altas temperaturas associadas significavam que qualquer água estaria presente na forma de vapor, como numa gigantesca panela de pressão”, explicou, em comunicado publicado no site EurekAlert!, Martin Turbet, investigador do departamento de Astronomia da Universidade de Genebra (UNIGE).

Utilizando sofisticados modelos tridimensionais da atmosfera, semelhantes aos que os cientistas usam para simular o atual clima da Terra e a sua futura evolução, a equipa estudou como as atmosferas dos dois planetas evoluiriam ao longo do tempo, e se os tais oceanos poderiam formar-se durante o processo.

“Graças às nossas simulações, pudemos mostrar que as condições climáticas não permitiam que o vapor de água se condensasse na atmosfera de Vénus”, afirmou ainda.

Segundo o mesmo site, isto significa que as temperaturas nunca caíram o suficiente para que a água na sua atmosfera formasse gotas de chuva, que poderiam depois cair na sua superfície.  Em vez disso, a água permaneceu como um gás na atmosfera e os oceanos nunca se formaram.

“Um dos principais motivos para isso acontecer são as nuvens que se formam preferencialmente no lado noturno do planeta. Essas nuvens causam um efeito estufa muito poderoso, o que impediu Vénus de arrefecer tão depressa quanto se pensava”, disse ainda Turbet.

Surpreendentemente, estas simulações também revelaram que a Terra poderia ter facilmente sofrido o mesmo destino de Vénus. Se o nosso planeta estivesse um pouco mais perto do Sol, ou se este tivesse brilhado tanto na sua “juventude” como hoje em dia, tudo teria sido muito diferente.

Para Emeline Bolmont, também professora da UNIGE e co-autora do estudo, “esta é uma reversão completa na forma como olhamos para o que há muito tempo é chamado de ‘paradoxo do jovem Sol fraco'”, que “sempre foi considerado um grande obstáculo ao aparecimento de vida na Terra”.

  ZAP //

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