Apesar das críticas, Venezuela conquista um lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU

A Venezuela conquistou um assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, depois de uma votação, esta quinta-feira, na Assembleia Geral da ONU. O Brasil ficou com a outra vaga destinada aos países da América Latina.

A Venezuela conseguiu, esta quinta-feira, apesar das críticas de alguns países e de organizações não-governamentais (ONG), um lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU, depois de uma votação realizada na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, congratulou-se com a eleição. “Informamos e celebramos uma nova vitória para a diplomacia bolivariana de paz”, disse o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza.

Caracas vai assumir este lugar a 1 de janeiro de 2020, para um mandato de três anos, em substituição de Cuba, que termina o seu mandato.

A oposição venezuelana considerou “incoerente” que a Venezuela tenha sido eleita, uma vez que o regime está a ser investigado por “violações dos direitos humanos e crimes que lesam a Humanidade”.

“Como é que um regime que está a ser investigado por violar direitos humanos pode aceder a um espaço de defesa dos direitos humanos e onde uma outra ditadura, a cubana, ocupa um lugar?”, questionou o líder da oposição e presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, perante os jornalistas.

Segundo Guaidó, o lugar que a Venezuela passa a ocupar “está machado de sangue”. “Aí estão as contradições, substituíram uma ditadura por outra”, disse o líder da oposição, que agradeceu à Costa Rica por se ter candidatado para ocupar um lugar neste Conselho e assim tentar evitar a entrada da Venezuela.

Com 105 votos a favor da sua candidatura, Caracas ficou à frente da Costa Rica, que apenas obteve o apoio de 96 países-membros.

O presidente do Parlamento afirmou ainda que a ONU perdeu credibilidade e recordou que a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, elaborou recentemente um relatório que regista a existência de “extermínios em setores populares” e que a Human Right Watch tem registados 18 mil assassinatos extrajudiciais.

Os deputados opositores Richard Blanco e Carlos Bastardo também questionaram a decisão, que dizem ser uma “bofetada à diplomacia” e apelaram aos venezuelanos a que manifestem o seu inconformismo.

“Temos visto os nossos direitos humanos violados. Não fiques calado perante esta irregularidade. Os assassinos devem ir presos, nunca podem ser premiados. A ajuda internacional urgente é a única saída. Levanta a tua voz”, escreveu Richard Blanco na sua conta do Twitter.

Segundo Carlos Bastardo, “o que aconteceu hoje na ONU é uma verdadeira vergonha, uma bofetada à diplomacia (…), aos venezuelanos que lutam pela liberdade”. “Permitir que o regime se sente no Conselho de Direitos Humanos é celebrar que o socialismo assassine na Venezuela”, escreveu também no Twitter.

Brasil foi reconduzido

O Brasil foi reconduzido para mais um mandato, com 153 votos a favor, ocupando o outro dos dois lugares reservados à América Latina. Segundo a Deutsche Welle, o apoio à sua recondução foi um dos menores já recebidos pelo país em votações para este Conselho.

Em 2006, na sua primeira eleição, o Brasil obteve 165 votos; em 2008, foi reeleito com 175 votos; em 2012, recebeu o apoio de 184 Estados-membros num total de 193, uma marca inédita. Em 2016, sob o Governo de Michel Temer, o país obteve apenas 137 votos.

A ministra brasileira da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, congratulou-se com a recondução e com o facto de o país ter recebido “16 votos a mais do que na última eleição”.

“O mundo reconhece o nosso esforço na defesa de direitos humanos para todos. O Governo de Jair Bolsonaro trabalha dia e noite contra as violações. Este é um novo momento para o Brasil, em que o Governo é um incansável defensor da vida e que não mede esforços para enfrentar a violência”, escreveu no Twitter.

Os dois países juntam-se à Argentina, Bahamas, Chile, México, Peru e Uruguai no grupo da América Latina.

Noutras disputas, o Iraque perdeu no grupo da Ásia, que elegeu o Japão, a Coreia do Sul, a Indonésia e as Ilhas Marshall. A Moldávia saiu derrotada na corrida pelos dois assentos da Europa de Leste, conquistados pela Arménia e Polónia.

Já a Alemanha, eleita para o seu quarto mandato, e Holanda ficaram com as vagas da Europa Ocidental. A eleição dos dois países europeus foi apenas uma formalidade, já que eram os únicos concorrentes. No grupo africano, foram eleitos a Líbia, a Mauritânia, o Sudão e a Namíbia.

O Conselho de Direitos Humanos foi criado em 2006 para substituir a então Comissão de Direitos Humanos, extinta após 60 anos de trabalhos devido à crise de legitimidade, motivada por decisões vistas como parciais, politizadas e desequilibradas.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

RESPONDER

Europa alarga restrições. Alemanha limita festas, Eslováquia em emergência e Itália não facilita

Os país europeus estão a anunciar novas medidas restritivas contra a covid-19, num altura em que o número de infeções voltou a aumentar e o inverno está a chegar. De acodo com o Diário de Notícias, …

Jogos da seleção com Espanha e Suécia vão ter adeptos nas bancadas

Os próximos jogos da seleção portuguesa frente à Espanha e à Suécia, no estádio Alvalade XXI, foram autorizados a receber público, revelou, esta terça-feira, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). "No jogo de preparação entre as …

Santos Silva rejeita apoio a Ana Gomes (e diz que polémica com embaixador dos EUA foi ultrapassada)

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, falou, em entrevista à TVI24 esta terça-feira, sobre a aprovação do Orçamento de Estado para 2021 e as eleições presidenciais e desvalorizou a polémica com o embaixador …

Santa Clara-Gil Vicente vai ser o primeiro jogo da I Liga com público

O jogo entre o Santa Clara e o Gil Vicente, da terceira jornada da I Liga, vai ter uma assistência de mil pessoas, sendo o primeiro jogo profissional da época a ter público no estádio …

Uma rara "anomalia climática" agravou a 1.ª Guerra e a gripe espanhola

Uma equipa de cientistas descobriu uma anomalia climática que ocorre uma vez em cada 100 anos durante a I Guerra Mundial, que provavelmente aumentou a mortalidade durante a guerra e a pandemia de gripe nos …

Marcelo defende que "ninguém lhe perdoaria" se permitisse agora uma crise política

O Presidente da República defende que "ninguém lhe perdoaria" se permitisse a criação de condições para uma crise política no atual contexto de crise sanitária e consequente crise económica. Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta …

"Cada qual no seu lugar". Jerónimo avisa Marcelo que “tudo tem limites” nos poderes presidenciais

O secretário-geral do PCP avisou Marcelo Rebelo de Sousa que “tudo tem limites” quanto aos poderes presidenciais, face aos sucessivos apelos para a viabilização do Orçamento do Estado de 2021 pela esquerda ou pelo PSD. “Cada …

Ferro Rodrigues não aceita projeto de lei do Chega por inconstitucionalidade

O projeto de lei do Chega para limitar o cargo de primeiro-ministro e outros governantes apenas a portadores de nacionalidade portuguesa originária foi rejeitado pela Assembleia da República devido a inconstitucionalidade. O despacho do presidente da …

Os cientistas já sabem porque é que alguns sapos têm uns olhos "enormes"

Os cientistas acabam de descobrir porque é que alguns sapos têm os olhos enormes comparativamente com a dimensão do seu corpo. De acordo com uma nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica …

Morreu o emir do Kuwait, Sabah Al-Ahmad Al-Sabah, aos 91 anos

O emir do Kuwait, xeque Sabah Al-Ahmad Al-Sabah, morreu esta terça-feira aos 91 anos nos Estados Unidos, onde estava desde julho a receber tratamento médico, anunciou a corte do emirado. "É com grande tristeza e dor …