Bastonário sugere “vales consulta” quando são ultrapassados tempos máximos de espera

O bastonário da Ordem dos Médicos defende que o SNS crie “vales consulta” para os casos em que são ultrapassados tempos de espera.

Miguel Guimarães sugere que o Serviço Nacional de Saúde crie “vales consulta” para os casos em que são ultrapassados tempos de espera ou que o Estado comparticipe os exames quando o doente tem de recorrer ao setor privado ou social.

A ideia seria criar para as consultas um mecanismo semelhante ao das cirurgias, em que os doentes recebem um vale para poderem realizar a operação numa entidade privada ou do setor social quando são ultrapassados os tempos clinicamente aceitáveis de espera.

No programa da sua recandidatura à liderança da Ordem dos Médicos, o bastonário estabelece como objetivo “defender a medicina de proximidade”, respeitando a “liberdade de escolha e os direitos dos doentes, nomeadamente no que diz respeito à comparticipação de meios complementares de diagnóstico e terapêutica”.

Em entrevista à Lusa, o bastonário, candidato único ao cargo nas eleições de 16 de janeiro, recorda que “muitos doentes acabam por ir a consultas no privado ou social por estarem demasiado tempo à espera”.

“Os tempos máximos de resposta garantidos acabam por não ter uma consequência direta naquilo que deveriam ter. Se o SNS não consegue dar resposta, então vamos complementar com o setor privado ou social para ver se temos resposta para o doente. E o Estado assume a responsabilidade financeira, naturalmente. Nas cirurgias isso já existe”, justificou.

Os vales cirurgia, que atualmente já existem, visam garantir uma resposta ao utente sempre que o SNS não o consegue fazer num tempo clinicamente aceitável, através do encaminhamento para outros hospitais privados ou sociais com convenção com o SNS.

Além da criação de um “vale consulta” para quando o SNS não assegura os prazos de resposta, o bastonário dos Médicos sugere a possibilidade de o Estado comparticipar os exames que um doente faz depois de recorrer a uma consulta num privado, por falta de resposta no setor público.

“Está a acontecer cada vez mais [o recurso a privados por excessivos tempos de espera]. Acho que esses doentes, que até acabam por não ficar à espera, deviam ter alguma comparticipação nos exames, tal como acontece com os doentes que vão ao SNS”, explica.

Para o representante dos médicos, os elevados tempos de espera criam ou acentuam “desigualdades terríveis”, que constituem “um dos maiores problemas na saúde em Portugal”. “As pessoas que tenham capacidade económica têm uma oferta grande em Portugal, porque existe um setor privado relativamente forte, sobretudo nas grandes cidades. As pessoas que não têm essa possibilidade, ficam à espera”, sublinha.

Miguel Guimarães defende, assim, que quando o tempo máximo de resposta garantido nas consultas é ultrapassado seja dada uma alternativa. Se for possível, dentro do SNS, se não, fora do sistema público, mas uma alternativa suportada pelo Estado.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

4 COMENTÁRIOS

  1. «…Os tempos máximos de resposta garantidos acabam por não ter uma consequência direta naquilo que deveriam ter. Se o SNS não consegue dar resposta, então vamos complementar com o setor privado ou social para ver se temos resposta para o doente. E o Estado assume a responsabilidade financeira, naturalmente…» – Miguel Guimarães in ZAP aeiou

    Resumindo, o sr. Guimarães não pretende procurar e identificar a causa que leva aos tempos máximos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas antes manter o problema e servir-se do mesmo para engendrar um esquema financeiro que beneficie as empresas privadas ligadas ao negócio da saúde através do dinheiro dos cidadãos que financiam o Orçamento do Estado (OE).

    É curioso que o mau funcionamento deliberado do Serviço Nacional Saúde (SNS) é fácil de resolver, basta nomear os problemas, corrigi-los, e identificar os responsáveis pelos mesmos, mas no entanto o que se pretende é continuar a manter em funcionamento este e outros esquemas neoliberais de corrupção que saqueiam os dinheiros públicos à pala das instituições, infraestruturas, e organismos, do Estado.

  2. Senhor Miguel Guimarães, e de preferência que o vale seja em nome de que Hospital ou Clínica privada quer? O senhor não está disposto a procurar soluções para que o SNS comece a funcionar como deve ser, está é a procurara soluções para dar mais dinheiro ao Privado, não li nem ouvi da sua parte uma única ideia ou proposta para melhorar o SNS a única que propões e mais dinheiro para o privado.

  3. Fará sentido aqui lembrar que este senhor é um dos grandes amigos do senhor Dr Leopoldo Matos, esse Grande mas desconhecido Mago que permitiu ao Grupo Lusiadas crescer 165% em 4 anos a custa do SNS (Cascais et al !).

RESPONDER

O nosso cabelo sabe o que comemos, onde moramos e quanto custou o corte

Milímetro a milímetro, o cabelo constrói um registo da nossa dieta. Como os fios de cabelo são construídos a partir de aminoácidos, preservam os traços químicos da proteína da comida que ingerimos. Os fios de cabelo …

Não foram meteoros. Uma forte atividade vulcânica arrefeceu a Terra há 13 mil anos

Porque é que a Terra arrefeceu repentinamente há 13 mil anos? Sedimentos antigos encontrados numa caverna no Texas, nos Estados Unidos, parecem ter resolvido este grande mistério. Alguns cientistas acreditam que o fenómeno que arrefeceu repentinamente …

Novo método prevê erupções solares com algumas horas de antecedência

Um novo método capaz de prever explosões solares poderia ajudar a Humanidade a preparar-se contra possíveis desastres causados por este fenómeno explosivo da nossa estrela. As erupções solares são explosões que ocorrem na superfície do Sol …

Mulan a preço premium estreia na Disney+ em setembro

A adaptação live-action de Mulan tem nova data de estreia. O anúncio foi feito pela Disney nesta terça-feira (4). O filme chega à plataforma de streaming Disney+ no dia 4 de setembro, estando disponível em …

Belgas trocam as voltas à pandemia e passam férias nas árvores

Enquanto uns passam o verão em casa, outros atrevem-se a ter uma experiência diferente. Alguns belgas estão a passar as noites de verão pendurados em árvores, em tendas em forma de lágrima. A pandemia de covid-19 …

Máscara inteligente traduz até oito línguas (mas não protege do coronavírus)

Esta máscara inteligente, criada por uma empresa japonesa, consegue traduzir o discurso do seu utilizador em várias línguas (mas, por si só, não o protege do novo coronavírus). Quando a pandemia de covid-19 transformou as máscaras …

Empresa fica com excedente de 40 mil quilos de frutos secos devido à covid-19

A GNS Foods, a empresa que nos últimos 30 anos forneceu os frutos secos à American Airlines, ficou com um excedente de 40 mil quilos por causa de restrições impostas devido à covid-19. Servir frutos secos …

Astronautas da NASA fizeram partidas por telefone para "matar" tempo durante o regresso à Terra

Os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley fizeram algumas partidas por telefone durante o regresso à Terra a bordo cápsula Dragon, da empresa SpaceX de Elon Musk, num voo que foi duplamente histórico. …

Em plena pandemia, há um venezuelano que assegura os funerais no Peru

Ronald Marín é a última esperança para os habitantes de Comas, em Lima. O venezuelano é o único que realiza funerais católicos num cemitério longe do centro da capital, em plena pandemia. Vestido com uma túnica …

Covid-19 pôs mais de um milhão de portugueses em teletrabalho no 2.º trimestre

Um milhão de pessoas esteve em teletrabalho no segundo trimestre, sobretudo devido à covid-19, o equivalente a 23,1% da população empregada, enquanto mais de 600 mil não trabalharam nem no emprego nem em casa. De acordo …