UE disposta a negociar com Turquia. Mas quer ações concretas

Stephanie Lecocq / AFP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen

Os presidentes da Comissão e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e Charles Michel, estão dispostos a negociar com a Turquia caso o país termine com as manobras unilaterais e reverta algumas decisões que consideram “negativas” para o Estado de direito e para a liberdade e democracia.

“Para nós os direitos humanos são inegociáveis”, disse Von der Leyen durante uma visita a Ancara, na terça-feira, na qual encontrou-se com o Presidente Recep Tayyip Erdogan. Segundo o Público, a responsável exprimiu a sua “profunda preocupação” com a retirada da Turquia da convenção internacional que protege mulheres e crianças da violência.

Durante o encontro, criticou o tratamento ao líder do partido pró-curdo HDP, Selahattin Demirtas, detido há mais de quatro anos, e do empresário e ativista Osman Kavala, que enfrenta o terceiro julgamento sem nunca ter sido condenado.

Após a reunião, ambos os responsáveis indicaram que a União Europeia (UE) quer reforçar a cooperação económica com o país, prolongar a participação em programas como o Erasmus+, prosseguir o diálogo para o combate às alterações climáticas e renovar o acordo para a gestão dos fluxos migratórios e o acolhimento de refugiados.

Contudo, todas estas “ofertas” são condicionais e dependem de ações “consistentes” e “concretas” da Turquia.

Michel apontou a diminuição da tensão no Mediterrâneo e os contactos políticos com a Grécia e Chipre, mostrando-se disponível para apoiar o relançamento do processo de paz intermediado pelas Nações Unidas. Classificou, porém, como “muito negativos” os sinais de desrespeito pelo Estado de direito, como os atentados contra a liberdade de expressão.

  Taísa Pagno //

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