Turquia ordena detenção de 35 jornalistas

Daniel Kopatsch / EPA

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

A polícia de Istambul lançou, esta quinta-feira, uma operação para deter 35 jornalistas que o Ministério Público turco acusa de terem ligações a Fethullah Gülen, clérigo acusado de instigar o golpe de Estado falhado de julho de 2016.

“Têm-me sob custódia”, escreveu quinta-feira Burak Ekici, editor do diário da oposição BirGün, na sua conta do Twitter.

A acusação da procuradoria turca assenta no facto de os jornalistas terem usado a aplicação de mensagens encriptadas ByLock – que tem 215 mil utilizadores em todo o país -, uma ferramenta que, de acordo com as autoridades turcas, foi desenvolvida para permitir a comunicação encriptada entre os “golpistas”.

Segundo a Plataforma para o Jornalismo Independente, com sede em Istambul, 164 jornalistas continuam na prisão na Turquia.

No final de julho realizou-se a primeira audiência do julgamento contra 19 jornalistas e funcionários do Cumhuriyet, jornal da oposição turca, por alegado apoio a organizações terroristas, num caso que fez aumentar as preocupações com os direitos e liberdades no país.

Os 19 acusados incluem o editor chefe do diário “Cumhuriyet”, Murat Sabuncu, o jornalista de investigação Ahmet Sik, o comentador Kadri Gursel e o cartoonista Musa Kart, que são acusados de patrocinar várias organizações ilegais, entre as quais militantes curdos e o movimento do clérigo Fethullah Gülen.

Se condenados arriscam penas de prisão de entre oito e 43 anos. Dos 19 acusados apenas cinco aguardam em liberdade o resultado do julgamento.

Dois dos suspeitos, incluindo o antigo chefe da redação do “Cumhuriyet Can Dündar”, que está exilado na Alemanha, são julgados à revelia.

O encarceramento dos jornalistas, dirigentes e outros colaboradores da publicação insere-se no quadro de uma repressão generalizada do Governo do país, na sequência do golpe militar fracassado que levou à detenção de mais de 50 mil pessoas, incluindo jornalistas, deputados da oposição e ativistas.

Inicialmente, esta campanha visava apenas as pessoas suspeitas de golpismo, mas expandiram-se a todos os opositores do Presidente turco, Tayyip Recep Erdogan.

Fethullah Gülen, tido como inimigo número um de Erdogan, é acusado por Ancara de ter “orquestrado” a tentativa de golpe de Estado. O predicador, que se encontra exilado nos EUA desde 1999, nega firmemente as acusações contra si.

  // Lusa

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