Trump insiste que ganhou as eleições. Protestos eclodem após vitória de Biden

Sarah Silbiger / Pool

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu hoje na rede social Twitter que ganhou as eleições, horas após os principais ‘media’ norte-americanos anunciarem a vitória do candidato democrata Joe Biden.

“Eu ganhei as eleições, tive 71.000.000 votos legais”, escreveu o candidato republicano, voltando a insinuar, numa mensagem já sinalizada pelo Twitter como contendo alegações disputadas, que “coisas más aconteceram” no processo eleitoral que os observadores republicanos não foram autorizados a ver.

Numa mensagem posterior, Trump refere que 71 milhões é o número máximo de votos que qualquer Presidente em funções obteve até hoje.

O democrata Joe Biden derrotou o republicano Donald Trump nas eleições presidenciais e deverá tornar-se o 46.º Presidente dos EUA, segundo noticiaram os maiores ‘media’ norte-americanos cerca das 11.30 em Washington (16.30 em Lisboa).

Com 74,5 milhões de votos contabilizados até ao momento, o democrata Joe Biden já é o candidato presidencial mais votado da história dos Estados Unidos. O Presidente incumbente, Donald Trump, recebeu 70,3 milhões de votos, segundo a página eletrónica da CNN.

Mais de quatro horas depois do anúncio da vitória, Trump escreveu hoje no Twitter que os observadores republicanos não foram autorizados a entrar nas salas onde são contados os votos e reitera: “Coisas más aconteceram que os nossos observadores não foram autorizados a ver. Nunca aconteceu antes”.

“Milhões de boletins de voto por correio foram enviados para pessoas que nunca os pediram!”, acrescenta.

Há vários meses que o Presidente Donald Trump lança suspeições sobre a legitimidade do resultado final das eleições, alegando não ter confiança nos votos por correspondência, que este ano bateram máximos, com mais de 100 milhões de eleitores a escolherem esta opção, por causa, entre outras razões, da pandemia de covid-19.

O Presidente e candidato republicano tem mesmo usado a expressão “fraude eleitoral”, pedindo aos seus apoiantes para estarem “muito atentos” ao processamento das votações e das contagens de votos.

Já hoje, depois de conhecida a vitória de Biden, o advogado de Donald Trump, Rudy Giuliani, disse que a campanha do ainda Presidente dos Estados Unidos vai avançar com processos contra o processo eleitoral devido a “fraude”.

“Os processos vão começar a ser levados a tribunal na segunda-feira”, disse Rudy Giuliani, advogado do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, numa conferência de imprensa transmitida em vários meios de comunicação social, em que estava rodeado por alegados observadores republicanos que, disse, terão sido impedidos de inspecionar boletins de voto enviados por correio.

Protestos eclodem: “Isto ainda não acabou!”

Um grande número de protestos eclodiu por todos os Estados Unidos depois do anúncio da vitória do candidato democrata Joe Biden nas presidenciais norte-americanas pelos principais órgãos de comunicação social do país, embora sem incidentes violentos até agora.

O anúncio da vitória pela comunicação social norte-americana suscitou os protestos dos apoiantes do Presidente Donald Trump.

No exterior do edifício do Capitólio do estado da Geórgia, antigo reduto republicano, cerca de um milhar de apoiantes de Trump cantavam “prendam-no”, numa referência a Joe Biden, e outros gritavam: “Isto ainda não acabou! Isto ainda não acabou!”, “Notícias falsas!”. As ruas no exterior do edifício mantêm-se inundadas de bandeiras norte-americanas e da campanha de apoio a Trump.

Não há, até agora, relatos de violência, embora a polícia tenha sido já chamada a separar opositores de Trump de apoiantes seus.

Desde que as urnas fecharam na terça-feira, os apoiantes do Trump – alguns armados – reuniram-se no exterior de edifícios onde os votos estavam a ser escrutinados, muitos com bandeiras e cartazes de apoio a Trump com a palavra de ordem #stopthesteal (parem o roubo).

Pouco depois de Biden ter sido considerado vencedor da corrida presidencial pelas projeções, cerca de 75 manifestantes de Donald Trump reuniram-se à porta do centro de apuramento eleitoral no centro da cidade de Phoenix, número que cresceu para uma multidão de mais de 1.000 pessoas em poucas horas.

Em Lansing, Michigan, um grupo de cerca de 50 apoiantes do Trump e um grupo mais pequeno de manifestantes com bandeiras do movimento ‘Black Lives Matter’ convergiram para o edifício do capitólio de Michigan, onde se empurraram mutuamente e gritaram uns para os outros num impasse tenso.

Até agora, no entanto, as celebrações e festividades têm-se sobreposto aos protestos.

No bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, várias centenas de pessoas vieram para as ruas em gritos de vivas e danças, o som das buzinas, de tachos e panelas tomou conta do ambiente.

Em Washington, as pessoas concentraram-se na praça Black Lives Matter, perto da Casa Branca, com cânticos e cartazes.

Em vários estados onde Biden lidera na contagem dos votos, ainda não concluída, os funcionários envolvidos no escrutínio têm feito saber que temem pela sua segurança, e antecipam a escalada da agitação nos próximos dias, atendendo sobretudo ao facto de Donald Trump, até agora, se recusar a conceder a sua derrota.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Não tarda que, a continuarem, estas mentiras também lhe sejam barradas nas redes sociais. É o cantar do cisne preto (com a devida desculpa para os ditos).

  2. Há algum exagero relativamente aos apoiantes armados do Trump.
    Eles não são violentos. Por isso o Trump escolheu o YMCA ( hino gay)
    Para que os seus apoiantes se soltassem.
    As armas não são para dar tiros. Ele fazem uma grande roda, enfiam as espingardas na bilha do camarada da frente enquanto dão saltinhos e cantam o YMCA.
    É lindo de ver.

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