Trump admite vitória de Biden pela primeira vez, mas depois volta atrás

Stefani Reynolds / EPA

O Presidente cessante dos Estados Unidos admitiu, este domingo, pela primeira vez, a vitória do rival democrata nas eleições de 3 de novembro, mas rapidamente voltou atrás.

Ganhou porque as eleições foram fraudulentas. Não foram autorizados observadores dos votos, os votos foram contados por uma empresa privada da esquerda radical, Dominion, que tem má reputação e uma equipa enganadora que nem sequer preencheu os requisitos para operar no Texas (onde ganhei por larga vantagem), e os órgãos de comunicação falsos e calados, e muito mais!” escreveu Trump na sua conta do Twitter.

Nesta publicação, o candidato fez eco de uma teoria promovida online pelo movimento QAnon, que tem feito alegações, sem suporte, de fraude eleitoral da parte da empresa Dominion Voting Systems, fabricante das máquinas de contagem dos sufrágios.

Trump anexou ao seu tweet um extrato de uma intervenção do comentador político conservador Jesse Waters na cadeia de televisão norte-americana Fox News, na qual afirma, de forma infundada, que Biden triunfou devido a uma fraude.

Como tem vindo a ser habitual nos últimos dias, esta publicação foi assinalada pela rede social com a frase “esta afirmação sobre fraude nas eleições é polémica”.

Entretanto, num tweet posterior, o Presidente cessante insistiu que não reconhece a derrota: Biden “só venceu aos olhos dos media falsos. Eu não reconheço nada! Temos um longo caminho a percorrer. Esta foi uma eleição fraudulenta!”.

Num tweet anterior, o republicano também já tinha escrito, em maiúsculas: “Eleição manipulada. Nós vamos ganhar“.

Todas as declarações de Trump foram sinalizadas pelo Twitter como sendo “contestáveis”.

Até à data, o Presidente ainda em funções apenas logrou pequenas vitórias nos tribunais, sucedendo-se reveses como o de sexta-feira em dois tribunais da Pensilvânia, onde seis processos apresentados pela sua campanha eleitoral foram indeferidos.

Na quinta-feira, Trump já tinha publicado outro tweet mencionando a teoria de que a Dominion Voting Systems removeu milhões de votos a seu favor, citando um link do site de extrema-direita One America News Network.

A organização não governamental Advance Democracy, que faz a verificação dos casos de desinformação, apurou que, desde 5 de novembro, uma em cada sete mensagens no Twitter com a hashtag #Dominion teve origem em contas relacionadas com o QAnon.

O QAnon é um fenómeno na Internet que promove teorias infundadas, como a de que o mundo é governado por uma organização de pedófilos satânicos que, entre outras coisas, conspiram para derrubar Trump ou que os incêndios que devastam o oeste americano foram causados por ativistas do movimento Black Lives Matter.

No sábado, milhares de simpatizantes do ainda Presidente protestaram no centro de Washington contra a suposta fraude eleitoral, numa manifestação que acabou por gerar altercações pela noite dentro contra os detratores de Trump.

Os resultados de todos os estados já foram anunciados pelos principais canais de televisão norte-americanos, sendo que Biden conquistou 306 eleitores, contra os 232 de Trump.

A recontagem dos votos irá fazer-se na Geórgia, onde a diferença é muito pequena entre os dois candidatos, mas o resultado não mudará a situação, ou seja, aconteça o que acontecer neste estado, Biden tem os 270 eleitores necessários para chegar à Casa Branca.

As diversas agências federais têm mostrado que Trump não venceu as eleições e alegam que as eleições de 3 de novembro foram “as mais seguras da História dos Estados Unidos”.

A insistência de Trump em não reconhecer a derrota está a prejudicar o processo de transição para a nova Administração democrata, que toma posse a 20 de janeiro e que já pondera recorrer aos tribunais.

ZAP // Lusa

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