Se tivermos mais informação sobre bactérias e resistência a antibióticos, infeções hospitalares podem reduzir

(dr) Hospital de São João

A taxa de infeções hospitalares em Portugal pode ser reduzida se houver partilha de informação sobre as bactérias predominantes e o perfil de suscetibilidade de resistência aos antibióticos, defendeu uma investigadora na área da Microbiologia.

“O que importa é, tal como queremos conhecer os nossos doentes, conhecermos também as nossas bactérias de forma a que os médicos prescrevam o mais adequadamente possível de acordo com as bactérias predominantes e com o perfil de resistência predominante a nível local”, referiu Cátia Caneiras, em declarações à Lusa à margem do 35.º Congresso de Pneumologia, em Albufeira.

A representante da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, que organiza o congresso, sublinhou que esse conhecimento e sensibilização dirigida aos clínicos “é extremamente importante para que se consiga diminuir, realmente, a taxa de resistência aos antibióticos e de infeções hospitalares que existem”.

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com maior percentagem de doentes em cuidados continuados que contraíram pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira.

De acordo com o relatório, no período 2016-2017, em Portugal, 5,9% dos doentes em cuidados continuados registaram pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, um valor acima da média da organização (3,8).

O impacto das infeções associadas aos cuidados de saúde é agravado pelo aumento de bactérias resistentes a antibióticos, o que pode levar a infeções difíceis ou mesmo impossíveis de tratar, alerta a OCDE.

Segundo Cátia Caneiras, os serviços de Patologia Clínica e os microbiologistas conhecem o perfil de resistência aos antibióticos e das bactérias predominantes em determinada unidade hospitalar, mas é preciso trabalhar em equipa, para que essa informação seja transmitida às equipas médicas.

“Nem sempre o dia a dia permite que falemos e analisemos os dados para poder implementar as práticas mais adequadas no que diz respeito aos antibióticos”, reconheceu, frisando que esse conhecimento “tem um impacto na escolha da terapêutica empírica”, ou seja, a terapia antimicrobiana administrada inicialmente, baseada na experiência.

Segundo o mesmo relatório, o isolamento de bactérias resistentes a antibióticos em doentes de cuidados continuados em Portugal também apresenta as percentagens mais elevadas dos países analisados, com 46,2%, quase o dobro da média da OCDE (26,3%).

O 35.º Congresso de Pneumologia arrancou hoje sob o mote “Abertura à Transversalidade” e decorre até sábado no centro de congressos de uma unidade hoteleira em Albufeira.

Lusa // Lusa

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