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Titã pode estar condenada a chocar contra Saturno

Nagoya University

A maior lua de Saturno, Titã, tem um enorme efeito na inclinação do planeta, e o seu afastamento do planeta pode derrubá-lo e condenar a própria Titã.

A cada ano que passa, Titã afasta-se 11 centímetros de Saturno. Este não é um caso único. A nossa própria Lua afasta-se da Terra todos os anos, a um ritmo de menos de quatro centímetros. Contudo, no caso de Titã e Saturno, os 11 centímetros fazem uma grande diferença.

O afastamento de Titã afeta a rotação do planeta, fazendo-o oscilar mais rapidamente — algo que o está a fazer inclinar lentamente, escreve a New Scientist.

“Se Titã continuar a afastar-se conforme previsto a partir desta taxa observada, a inclinação do eixo de Saturno provavelmente aumentará nos próximos mil milhões de anos”, realça Melaine Saillenfest, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica.

Saillenfest e Giacomo Lari, da Universidade de Pisa, descobriram que Saturno vai eventualmente chegar a uma inclinação de 90 graus, o que significa que a sua rotação será perpendicular ao plano em que orbita o Sol.

Um mecanismo semelhante poderia explicar por que razão Urano está 98 graus inclinado.

No entanto, inclinar Saturno não é a única consequência do afastamento de Titã. Se assim continuar, vai eventualmente chegar a um ponto em que as várias forças gravitacionais sobre ele destabilizam a sua trajetória. 

Os investigadores calculam que isto vai acontecer quando a lua chegar ao dobro da atual distância a que está de Saturno. As simulações mostram que, nessa altura, Titã provavelmente será expulsa do sistema de Saturno ou cairá em direção ao próprio planeta.

“A desestabilização de Titã teria fortes consequências em todo o sistema de satélites de Saturno, com possivelmente mais ejeções ou colisões entre luas”, sublinha Saillenfest.

Os cientistas acreditam que isto apenas deverá acontecer apenas dentro de dezenas de milhares de milhões de anos.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Earth and Planetary Astrophysics.

  Daniel Costa, ZAP //

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