Sporting vs FC Porto | Clássico pobre em Alvalade

Tiago Petinga / EPA

Sporting e FC Porto não foram além de um empate sem golos no grande “clássico” da 17ª jornada da Liga NOS, ronda que encerra a primeira volta do campeonato.

Num jogo pobre em termos de qualidade futebolística, emoção e oportunidades de golo, o resultado acaba por reflectir o que se passou em campo, onde o equilíbrio e a incapacidade de criar lances de perigo foram a nota dominante.

O facto de os dez melhores ratings do desafio terem pertencido a jogadores em posições defensivas (Corona começou a extremo, mas fez 45 minutos a lateral) é sintoma disso mesmo.

Com este desfecho, o Porto ficou-se nas 18 vitórias seguidas em todas as competições e o Sporting não conseguiu aproximar-se do líder, com oito pontos a separar as duas formações.

O Jogo explicado em Números

  • O “clássico” começou pausado, com cautelas e estudo mútuo. Ainda assim, o Sporting apresentava um ligeiro ascendente na partida, com 53% de posse de bola e três remates, contra um dos portistas – nenhum remate enquadrado. Destaque negativo para as dez faltas cometidas em apenas 15 minutos, seis por parte do Porto, e para os dois amarelos, um para cada lado.
  • A meia-hora chegou sem grandes alterações no figurino do jogo. Partida desinteressante, sem lances de perigo, muitas faltas (13), nenhum remate enquadrado em cinco tentativas (quatro dos “leões), ligeiro ascendente do Sporting (52% de posse), eficácias de passe modestas (71%-76%). Gudelj, com dois passes para finalização e 94% de eficácia nas entregas, era o jogador com melhor rating, um razoável 5.9.
  • Aos 40 minutos, oito remates (seis do Sporting), nenhum enquadrado, num jogo com poucos motivos de interesse. Nesta altura verificava-se já algum equilíbrio, com os “dragões” a ensaiarem alguns lances junto da área leonina, mas também sem causarem perigo. Ambas as formações registavam três cantos, com os visitantes a mostrarem alguma superioridade nos duelos individuais – 59% ganhos.
  • Antes do descanso, destaque para a lesão de Maxi Pereira, que obrigou Sérgio Conceição a lançar Óliver Torres e a fazer recuar Jesús Corona para lateral-direito. Tirando isso, muita luta, duelos e disputas, pouco esclarecimento e o primeiro remate enquadrado do jogo, no primeiro minuto dos descontos da primeira parte, por Bas Dost, a cruzamento de Jefferson.
  • A primeira parte não deixou saudades a ninguém. Pouco futebol, nenhuma emoção, muita luta, demasiadas faltas (21) e somente um remate enquadrado em nove, que aconteceu já no período de descontos.
  • Ligeiro ascendente do Sporting, à procura das faixas laterais para tirar cruzamentos para Bas Dost, chegando aos 11 de bola corrida nesta fase. Porém, quase nenhum chegou ao holandês, que apenas fez dois remates e só um de cabeça.
  • O melhor desta fase era Felipe. O brasileiro destacava-se, precisamente, na forma como dominou o “espaço aéreo”, com os três duelos aéreos defensivos ganhos. As oito acções defensivas (cinco alívios) contribuíam para um GoalPoint Rating de 5.9.
  • No arranque do segundo tempo foi a vez do lateral-direito do Sporting, Bruno Gaspar, ser substituído por lesão, entrando Ristovski para o seu lugar.
  • E a primeira oportunidade de golo surgiu aos 56 minutos. A bola chegou a Soares na pequena área, o remate saiu fraco e Renan Ribeiro reagiu a tempo para evitar um tento quase certo. Finalmente alguma emoção em Alvalade.
  • A emoção voltou a surgir aos 60 minutos, com a bola a sobrar para Marega em boa posição. Contudo, o remate do maliano, de pé esquerdo, saiu muito por alto. Notava-se uma cada vez maior capacidade do Porto em chegar à área leonina com perigo, com o Sporting a perder um pouco de consistência defensiva com o passar dos minutos. Nesta fase, os “dragões” registavam 61% de posse de bola e os únicos três remates desde o intervalo, um deles enquadrado.
  • Aos poucos o jogo começou a abrir, com as duas formações a arriscarem um pouco mais. O “leão” reequilibrou as operações e, apesar de só se registarem, aos 70 minutos, três remates enquadrados, os avançados começavam a ter mais espaços. O “homem-alvo” do Sporting continuava a ser Bas Dost, que nesta altura somava impressionantes 12 duelos aéreos ofensivos, tento ganho sete deles. Uma luta entre as “forças aéreas” de ambos os lados.
  • Nesta fase fundamental do jogo começava a destacar-se o portista Danilo Pereira. O “trinco”, pouco dado a lances individuais vistosos, registava, pelos 75 minutos, quatro dribles completos em quatro tentativas, para além de oito recuperações de posse e outras tantas acções defensivas. Mas Casillas não quis ficar atrás no brilho, com o guarda-redes a fazer uma grande defesa a remate de Gudelj, aos 77 minutos.
  • O encontro encaminhava-se para o fim, notava-se vontade de vencer de ambos os lados mas, ao mesmo tempo, receio de consentir o golo.
  • O Sporting deixou de conseguir cruzar tanto para Bas Dost, que desapareceu de jogo, e a consistência defensiva das duas equipas – as que tinham as duplas de centrais com melhor rating médio da Liga antes desta partida – acabou por ditar regras.

O Homem do Jogo

Num jogo de luta, em que as questões tácticas, de posicionamento e capacidade de ganhar duelos foram os detalhes mais importantes, é sem surpresa que o melhor em campo acabe por ser um médio-defensivo.  Danilo Pereira foi o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 6.6.

O internacional português, porém, não se limitou a destruir, terminando o desafio com sucesso na totalidade dos dribles que tentou (4, somente atrás dos sete eficazes de Brahimi, em nove), registando, nos outros momentos de jogo, nove recuperações de posse e oito acções defensivas, com destaque para os três bloqueios de passe.

Jogadores em foco

  • Sebastián Coates 6.0 – O melhor do Sporting foi o defesa-central uruguaio. Sem deslumbrar, Coates teve o cuidado de nunca comprometer e teve sucesso nesse objectivo, terminando a partida com nove acções defensivas, com destaque para os cinco alívios.
  • Alex Telles 6.2 – O lateral-esquerdo portista foi um dos jogadores mais em foco, não tanto pelo que produziu ofensivamente (fez dois passes para finalização e quatro cruzamentos, um eficaz), mas pelo que teve de trabalhar na retaguarda. Esteve mal no passe, com 17 falhados em 27, nove deles no seu meio-campo, mas compensou com três dribles completos e nove acções defensivas, entre elas cinco alívios.
  • Bruno Fernandes 5.5 – Jogo pouco conseguido do médio leonino. Apenas um remate e um passe para finalização são pouco para o que o português nos tem habituado, sendo que não passou dos 67% de eficácia de passe. Do lado positivo o facto de ter estado muito em jogo (somou 86 acções com bola, de longe o valor mais alto), mas perdeu o esférico em 31 ocasiões, sendo driblado quatro vezes.
  • Jesús Corona 6.0 – O mexicano começou a extremo, mas fez toda a segunda parte a lateral-direito, face à lesão de Maxi Pereira ao cair do pano da etapa inicial. Ainda assim foi dos mais perigosos, registando dois passes para finalização, um deles para ocasião flagrante, sendo que completou três de quatro tentativas de drible.
  • Bas Dost 4.7 – O regresso do holandês foi encarado como um dos factos potencialmente decisivos da partida. Porém, não conseguiu soltar-se da defesa portista, também ela muito competente no futebol aéreo. Ao todo, Dost participou em 14 duelos aéreos ofensivos, ganhando metade, mas somente um dos seus três remates saiu enquadrado, e não foi de cabeça (2).

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