Armanda Claro / Lusa

A líder do PAN, Inês Sousa Real
A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, tem vindo a receber cartas anónimas repletas de críticas há já oito meses. Não sabe quem é o remetente, mas desconfia da “dupla Silva”.
As cartas sem remetente são mais uma prova do clima de tensão que se vive no partido. “Já deu para perceber que estas pessoas estão mobilizadas, com uma agenda pessoal própria de deitar abaixo esta direção”, referiu Inês Sousa Real, em declarações ao semanário Expresso.
A primeira missiva chegou ainda antes do VIII Congresso do PAN, ou seja, antes de Sousa Real ser eleita porta-voz, sucedendo a André Silva.
O carimbo mostra que foi enviada a partir dos CTT da Moita, vila para a qual se tinha mudado recentemente Nelson Silva, mas o deputado nega qualquer relação com essas cartas
“Internamente já fui associado a essas cartas. E só posso dizer que a porta-voz joga sempre pela lógica de uns contra os outros, de criar um inimigo invisível, seja internamente, seja externamente, como foi a questão de denúncias da CAP”, justificou, também ao Expresso.
A segunda carta continha críticas mas um texto mais descuidado, foi enviada a partir dos correios dos Olivais e referia-se a Sousa Real como a “patroa” do PAN que desvalorizava Nelson Silva e Bebiana Cunha.
Já a terceira missiva, enviada mais recentemente, limitava-se a criticar o facto de Bebiana Cunha, enquanto líder parlamentar, não ter voz, ao contrário dos seus pares de outros partidos.
Inês Sousa Real deixa no ar a sua principal suspeita e fala em “jogos políticos” internos. “Compreendo que quem não vem da causa animal, como é o caso de André e Nelson Silva, isso não lhes diga absolutamente nada.”
“O PAN está a atravessar um momento difícil, tal como acontece com outros partidos. Esta leitura que foi feita internamente e esta jogada política para exigir a demissão desta direção não tem em consideração os múltiplos fatores que levaram a este resultado e que não tem única e exclusivamente a ver com a prestação do partido”, justificou ainda a dirigente.
Note-se que André Silva criticou o resultado eleitoral do PAN num artigo de opinião publicado no jornal Público, onde também mostrava o seu descontentamento face à estratégia seguida pela atual direção mesmo antes das legislativas serem convocadas.
“É por demais evidente [que Inês Sousa Real deve demitir-se]. Alguém que está à frente de um partido que tem os resultados que teve nas autárquicas e não assume as responsabilidades. A única saída digna e ética seria colocar o lugar à disposição e demitir-se, depois decidiria se se recandidataria”, disse o antigo porta-voz.
Sousa Real, que já garantiu que não vai abandonar o cargo, revelou que convidou André Silva para fazer parte das listas das autárquicas e para participar na campanha das legislativas, mas o ex-porta-voz recusou ambos os convites.
Quanto ao seu futuro, coloca nas mãos das bases. Se essa for a vontade, sairá certamente, uma vez que “não tem qualquer apego” a cargos. “Uma coisa é certa, estarei sempre do lado das causas, em particular, da causa animal e da causa ambiental. É da sociedade civil que venho e irei estar”, rematou.
É óbvio que a Inês Sousa Real devia fazer uma auto-análise, e perceber que se deve demitir.
Ela transformou o PAN num partido ‘quase normal’, com prioridades. e propostas também para os humanos (descida do IRS, taxa reduzida da Electricidade, etc).
Além disso cometeu o desplante de admitir dialogar com PS e PSD. Ou seja, cometeu o maior crime político em Portugal, não criar a sua trincheira, e admitir negociar com a esquerda e com a direita para procurar soluções. Um sacrilégio.
Obviamente esse caminho não é o caminho do PAN. O PAN está saudosista do caminho que o leva à porta do Campo Pequeno para insultar, cuspir e agredir as pessoas que vão à tourada, criar multas de 500 euros para que atira a beata do cigarro para o chão, criar um SNS para animais quando um milhão de portugueses nem tem médico de família, etc…
Tão amigos que são dos animais e tão ferozes entre si, estranha espécie humana!