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“Sou velho, não sou idiota”: 400 mil queixam-se dos bancos

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Samuel Gallardo / Flickr

Banco de Valência

Espanhol criou uma campanha para que os bancos tratem os reformados de uma forma mais humana: “É tudo pela internet”.

Carlos San Juan tem 78 anos, é de Valência, e foi médico. Agora está mais velho do que noutros tempos mas não se sente um idiota. Por isso, e por se sentir excluído em bancos, criou uma campanha para combater essa tendência.

“Sou velho, não sou idiota” é o nome da iniciativa que apareceu na plataforma change.org, que já reuniu mais de 400 mil assinaturas.

Carlos conta na plataforma que está “muito triste por ver que os bancos se esqueceram das pessoas mais velhas”. E começa por explicar: “Agora faz-se quase tudo pela internet… E nem todos se entendem com as máquinas”.

“Não merecemos esta exclusão e, por isso, peço um tratamento mais humano nas sucursais bancárias”, lê-se. O antigo médico lembra que há operações bancárias que só são executadas pela internet e os horários de atendimento presencial são limitados, nos “poucos locais” onde isso ainda existe – onde “ninguém” atende o telefone.

As alternativas são utilizar aplicações que muitos idosos não sabem utilizar ou ir até uma sucursal do banco que os idosos não sabem como chegar lá.

“Isto não é justo, não é humano. Muitas pessoas idosas estão sozinhas e não têm ninguém que as ajude. Outras, como eu, querem continuar a ser independentes mas, se continuam a complicar tudo, estão a excluir quem não sabe utilizar a Internet e quem tem problemas de mobilidade”, continua.

Assim, Carlos San Juan quer que os bancos atendam os clientes mais velhos “sem entraves tecnológicos e com mais paciência e humanidade“.

Para fechar, contas e uma associação: “Os cinco maiores bancos espanhóis ganharam mais de 10 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2021; portanto, tornar as sucursais mais acessíveis não parece ser uma inversão impossível de ser concretizada”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

4 Comments

  1. O mesmo acontece em Portugal, não só nos bancos, mas na sociedade em geral, parece que os idosos são uns atrasados mentais e a tecnologia tornou-se uma nova lei que discrimina quem não adere ao sistema. Tenho 80 anos e NUNCA gostei de máquinas e agora é tudo por internet e apps. O suporte em papel deve continuar a existir e os idosos serem tratados com o devido respeito.

    Quando um idoso se vai é um pouco do passado histórico que se perde, os idosos são a memória deste País, muitos dos nossos jóvens desconhecem o passado e só conhecem tecnologia ,mas aí não vão longe porque ela evolui com muita rapidez. Os idosos com o seu saber e a sua experiência da vida podem ser muito uteis à sociedade, é uma questão de cidadania.

    são uma muda

    !

    • Verdade, mas será preciso mudar o sistema bancário e isso pode ser quase impossível.
      Mas se a sociedade assim o desejar, então será possível, mas não sem união e luta. O capitalismo busca se perpetuar no “status quo” e nisso é muito conservador. A ética então, já se foi. Resgatar valores e respeitar idosos não está na pauta bancária. Por ora, ficamos a assistir esse cenário grotesco, onde o dinheiro imperou e ainda continuará assim
      Abraços

  2. Se fosse apenas os idosos e nisso que os bancos tratassem mal os clientes! A verdade é que como os governantes, inventaram taxas e taxinhas sobre tudo, ter dinheiro no banco só dá prejuízo ao utente enquanto alguns mal geridos metendo milhões nas mãos de corruptos de colarinho branco vão à falência, ou outros tendo lucros sacando dinheiro indevidamente e a quem deveriam, por bem compensar pelo que lá depositam e com o qual eles ganham milhares de milhões. Antigamente um banco era uma instituição de confiança, hoje deixam muitas dúvidas acerca da sua credibilidade!

  3. Por aqui, em terras brasileiras, não é diferente. O capitalismo predatório busca situações que favoreçam círculos poderosos. Isso é fato irrefutável. Se já não bastasse os lucros exorbitantes, a opção pela tecnologia, as vezes inacessível aos mais velhos, que já há muito não são respeitados, por essa prática é pura redução de custos. Menos funcionários e se faz tudo pelas máquinas. Quem não puder acompanhar, está de fora. Abraços à todos os nossos irmãos portugueses.

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