Silêncio na natureza. Só. Porque falar “é cansativo”

Uma viagem de estudantes para uma floresta tropical mostrou que há muito ruído quando se volta a cidade. Desnecessário?

Vamos para a rua, ouvimos o barulho de pessoas, de carros, de sirenes.

Entramos num café ou numa loja, há barulho de pessoas, de música.

Estamos a trabalhar, seja em casa ou na empresa, e falamos e colocamos música para nos fazer companhia – além do barulho dos telefones e das conversas entre os outros trabalhadores.

Barulho, barulho, barulho.

Já experimentou ficar no silêncio?

Shierry Weber Nicholsen partilhou uma experiência no seu livro The Love of Nature and the End of the World: The Unspoken Dimensions of Environmental Concern (O Amor à Natureza e o Fim do Mundo: As Dimensões Não Faladas da Preocupação Ambiental), que teve um excerto recuperado agora pelo MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

A experiência envolveu uma viagem de estudantes. Destino: floresta tropical, na Austrália. Enquanto estiveram na floresta, estar em silêncio era praticamente uma obrigação – mesmo que involuntária, ou inconsciente. Quando voltaram à cidade, depararam-se com o “constante tagarelar dos humanos”.

Para que serve? Perguntaram. Quem medita, quando volta dos retiros relata algo semelhante: como é cansativo falar!”, escreve a antiga professora de filosofia e de psicologia.

Ao estarem imbuídos no ambiente florestal, o silêncio permitiu aos estudantes estarem atentos e ligados aos processos vitais da natureza, ao constante surgimento da vida no seu próprio tempo.

Quando falamos, parece que queremos mostrar a nós próprios que estamos vivos. Ou então é uma barreira que criámos entre nós e outras pessoas, para que o silêncio não crie nada.

O silêncio da natureza é “o silêncio do mundo natural tal como ele é. É totalmente compatível com o som. Os sons da natureza estão simplesmente contidos no seu silêncio”, continua.

O silêncio da natureza é uma sensação abrangente de contenção, de potencial, de vitalidade – sempre a emergir e ainda não compreendida.

Não é falta de comunicação. É um “poderoso apelo por parte do mundo natural, uma exigência de atenção”. É mudar para um tipo diferente de atenção.

É o “cair no silêncio”.

Quando protagonizamos essa “queda”, podemos ser “tocados pela intensa vivacidade e pela presença do mundo natural e das suas criaturas, entre as quais nós mesmos”.

No silêncio, podemos passar pelo “sentido pleno do ser”. É uma profundidade “insondável”.

Às vezes é preciso aprender a estar em silêncio. “Quando entramos no silêncio, voltamos do exílio que é nosso estado mental comum”, defende a psicanalista.

  ZAP //

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