A Sibéria está a arder 10 vezes mais do que em 2019 (e a culpa não é só das alterações climáticas)

(dr) Jeff Frost

No Hemisfério Norte, a primavera trouxe o calor e, com o aumento do calor, a Sibéria e o Extremo Oriente russo estão a experimentar incêndios. Mas, desta vez, a culpa não é só das alterações climáticas.

O ministro de Emergências da Rússia, Evgeny Zinichev, disse, citado pelo ScienceAlert, que, em Krasnoyarsk, havia 10 vezes mais território em chamas em 27 de abril em comparação com o mesmo período do ano passado,. Em Transbaikal foi três vezes mais e na região de Amur foi uma vez e meia mais.

Na região de Transbaikal, 200 mil hectares ficaram completamente queimados.

Porque é que vários incêndios deflagraram na Sibéria? Se, normalmente, o dedo é apontado às alterações climáticas, desta vez, pode haver mais culpados. Um deles é a pandemia de covid-19.

Segundo as autoridades, os incêndios originaram-se devido a uma variedade de fontes, incluindo incêndios agrícolas fora de controle, incêndio criminoso e fogueiras indesejadas.

“As pessoas isolaram-se ao ar livre e esqueceram-se das regras de segurança contra incêndio”, disse Sergei Anoprienko, chefe da agência florestal federal Rosleskhoz, em declarações ao jornal local Siberian Times.

“Em algumas regiões, a temperatura já está em torno de 30ºC e as pessoas simplesmente não conseguem manter-se dentro dos seus apartamentos. As pessoas correram para o exterior e, como resultado, temos uma onda de pontos térmicos“, acrescentou.

A área está a passar por um tempo excecionalmente quente e ventos fortes, o que, como se viu no início deste ano na Austrália, é uma combinação perigosa.

Segundo a NASA, os ventos de 23 de abril fizeram com que muitas das fogueiras usadas pelos habitantes locais secassem a relva e se espalhassem descontroladamente. “Nove regiões da Sibéria foram afetadas por estes incêndios. Nuvens de fumo varreram a paisagem da Sibéria”, descreve a NASA, em comunicado.

Os cientistas mostraram que, à medida que a temperatura média global continua a subir e que há mais dióxido de carbono na atmosfera, os incêndios florestais continuarão a tornar-se, em média, maiores, mais perigosos e mais frequentes.

Thomas Smith, geógrafo da Escola de Economia de Londres, disse, em declarações ao Gizmodo, que a Rússia tem dois milhões de hectares de prados e florestas em chamas.

Anoprienko alertou que é muito cedo para números como estes. Em 28 de abril do ano passado, em TransBaikal, 382 mil hectares tinham sido queimados. Este ano, a área já viu 477 mil hectares queimados.

Provavelmente, este será apenas o começo de outra intensa temporada de incêndios no Hemisfério Norte. A Califórnia teve um inverno mais seco do que a média e a Europa já está a passar por um clima particularmente quente.

“Em maio-junho, geralmente começa um período perigoso na Sibéria. Podemos continuar a falar sobre a previsão durante um tempo muito longo, mas a situação real do incêndio dependerá literalmente de nós – de como nos comportarmos”, rematou Anoprienko.

ZAP //

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