Sequestrador do ataque a sinagoga no Texas era britânico. Dois jovens detidos em Manchester

Tannen Maury / EPA

Já foi identificado o homem que no sábado sequestrou quatro pessoas numa sinagoga no Texas, nos Estados Unidos.

Segundo as autoridades, trata-se de um britânico de 44 anos e um casal de adolescentes foi também detido em Manchester por suspeitas de envolvimento no sucedido.

“As operações da polícia contra o terrorismo (CTP) continuam a ajudar a investigação lideradas pelas autoridades norte-americanas, e as forças policiais da região estão em contacto com as comunidades locais para implementar medidas, para dar mais segurança”, revelou a polícia de Manchester em comunicado.

O sequestro em causa durou 10 horas na sinagoga da congregação Beth Israel na localidade de Colleyville até que o FBI conseguiu libertar os reféns ao entrar no edifício. O sequestrador morreu quando a polícia entrou, mas ainda não se sabe se se suicidou ou se foi abatido pela polícia.

As autoridades americanas lançaram uma investigação de “âmbito internacional” sobre o suspeito, que hoje identificaram como sendo o britânico Malik Faisal Akram, mas ainda não são totalmente claros os motivos do sequestro.

Akram terá aterrado nos Estados Unidos no Aeroporto Internacional JFK, em Nova Iorque, há duas semanas.

“Nesta altura, não há indicação do envolvimento de mais ninguém”, disse a polícia federal americana, em comunicado, acrescentando que as investigações continuam.

A Scotland Yard confirmou que oficiais da polícia antiterrorista britânica estiveram “em contacto com autoridades americanas e colegas do FBI”.

Em Filadélfia, o Presidente dos Estados Unidos classificou o sucedido como um “ato de terrorismo” e confirmou os relatos de que o sequestrador pediu a libertação de Aafia Siddiqui, neurocientista paquistanesa condenada por um tribunal americano a 86 anos de prisão, e que está detida no hospital-prisão de Fort Worth, perto de Dallas.

O agente especial responsável pela operação de resgate, Matt DeSarno, já tinha dito antes que, com base nas longas e tensas negociações com a polícia, não pareceu que o sequestrador tivesse como alvo a comunidade judaica.

Como o serviço religioso de sábado estava a ser transmitido em direto através do Facebook, o sequestrador pôde ser ouvido por várias pessoas.

Há algo de errado com a América“, disse o homem, de acordo com a agência AFP, que seguiu a transmissão até esta ser interrompida pelo Facebook.

“Eu vou morrer”, disse também, pedindo repetidamente a um interlocutor não identificado para falar ao telefone com a sua “irmã”, referindo-se a Aafia Siddiqui, condenada em 2010 por alegadamente tentar matar militares norte-americanos e agentes do FBI, enquanto se encontrava sob custódia no Afeganistão.

Aafia Siddiqui, de 49 anos, foi a primeira mulher suspeita pelos Estados Unidos de ligações com a rede islâmica responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o que lhe valeu a alcunha de “Lady Al-Qaeda”.

Aafia Siddiqui foi para os Estados Unidos aos 18 anos, para morar com o irmão e estudar na prestigiada universidade MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), em Boston, obtendo depois um doutoramento em neurociência pela Brandeis University.

A sua libertação tem sido exigida por muitos, desde logo pelo Paquistão.

Siddiqui “absolutamente não está envolvida” na tomada de reféns, assegurou à CNN o seu advogado, em comunicado.

Também John Floyd, presidente do maior conselho islâmico dos Estados Unidos, garantiu que o irmão de Aafia, Muhammad Siddiqui, não está envolvido no sequestro.

“Este agressor não tem nada a ver com Aafia, a sua família ou a campanha global para obter justiça para ela. Queremos que o agressor saiba que as suas ações são perversas e prejudicam diretamente os que, como nós, buscam justiça para Aafia”, disse à agência Associated Press.

  ZAP // Lusa

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