Segunda vítima mortal nos protestos de Hong Kong. Xi Jinping condena manifestações

Jerome Favre / EPA

O quarto dia consecutivo de protestos ficou marcado pela morte de um homem de 70 anos. Esta é a segunda vítima mortal desde o início das manifestações em Hong Kong.

De acordo com a imprensa internacional, o homem terá sido atingido por um tijolo durante confrontos entre manifestantes e moradores, esta quinta-feira. O homem de 70 anos acabou por não conseguir resistir ao ferimentos e morreu já no hospital.

Segundo o South China Morning Post, pensa-se que o homem estava na sua folga do almoço e filmou os confrontos entre moradores e manifestantes no seu telemóvel, antes de um tijolo ter sido atirado “maliciosamente”. O caso está a ser tratado como um homicídio pela polícia, estando atualmente à procura de testemunhas oculares para identificar o suspeito do crime.

As autoridades têm acesso às câmaras de CCTV para as ajudar no seu trabalho. “Até ao momento, ainda não identificamos nenhum suspeito. Mas, de acordo com a nossa investigação inicial, existem testemunhas e vídeos nas redes sociais”, disse Chan Tin-chu, da polícia de Hong Kong.

Esta é a segunda morte nos protestos de Hong Kong, depois de na semana passada um estudante ter morrido após cair de um edifício.

Em Londres, a secretária de Estado da Justiça de Hong Kong, Teresa Cheng, ficou ferida após ter sido empurrada por manifestantes antigovernamentais. Cheng tem sido visada por promover uma lei que permite a extradição para o território chinês.

A tensão tem escalado de forma galopante em Hong Kong, com os protestos a intensificarem-se. A BBC relata que alguns estudantes universitários, que participam nas manifestações, estão a usar arco e flechas a arder para combater com a polícia.

O presidente chinês, Xi Jinping, considera que as manifestações pró-democracia que há mais de quatro meses assolam as ruas de Hong Kong “desrespeitam seriamente o Estado de direito e a ordem social” neste território semiautónomo.

Em declarações feitas durante a cimeira do bloco BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] em Brasília, e reproduzidas pelo jornal oficial do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping considerou mesmo que os incidentes de Hong Kong estão a colocar em causa o princípio que norteia o sistema político “um país, dois sistemas” — a ideia proposta pelo antigo líder Deng Xiaoping para a unificação da China.

O Presidente chinês disse que Pequim “apoia fortemente” o governo de Hong Kong e a sua polícia, considerando que a tarefa mais importante, agora, é “acabar com a violência e restaurar a ordem”.

As declarações de Xi Jinping acontecem no quarto dia consecutivo de manifestações pró-democracia em Hong Kong, que já levaram as autoridades a pedir reforços para conter as ações de violência, que se intensificaram após a morte de um estudante de 22 anos, na passada sexta-feira.

A morte do estudante foi o terceiro caso confirmado de um manifestante atingido a tiro pela polícia, em imagens que foram transmitidas ao vivo por estações televisivas, gerando forte contestação, sobretudo entre os manifestantes mais jovens, que prometeram retaliações.

A contestação social, que dura há mais de quatro meses, foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, formalmente retirada, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, Carrie Lam, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Só falta à policia de Hong Kong ser tão bruta como a de Espanha, França e EUA e começar a arrancar olhos e balear as pessoas pelas costas.

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