Salgado perdeu 12 milhões de euros no BES no ano da ruína do banco

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Manuel De Almeida / Lusa

Ricardo Salgado (E), ex-presidente do BES, à saida do Tribunal Central de Instrução Criminal

A defesa do ex-banqueiro argumenta que não faz sentido acusar Salgado de associação criminosa quando este também perdeu dinheiro no BES.

Segundo escreve o Público, a defesa de Ricardo Salgado está argumentar que o ex-banqueiro investiu e perdeu quase 12 milhões de euros no banco no ano da sua queda para sustentar a tese de que Salgado não estava a liderar uma associação criminosa.

Salgado e outros 16 arguidos dos 25 que foram acusados pediram a realização de uma fase facultativa do processo, para se avaliar se há provas suficientes que justifiquem uma ida a julgamento. A fase de instrução iria arrancar esta segunda-feira mas a sessão foi adiada para 29 de Março por motivos de saúde de Ivo Rosa.

Os arguidos querem que sejam ouvidas mais de 200 testemunhas, mas por enquanto foram apenas autorizadas 25 e ainda não estão todas agendadas. Entre as 82 testemunhas pedidas por Ricardo Salgado estão Pedro Passos Coelho e Eduardo Catroga, mas ainda não se sabe se estes vão de facto depor.

A sessão desta segunda-feira ia focar-se nos dois assistentes do caso, Manuel e Irene Oliveira, que querem que quatro antigos funcionários do banco, incluindo o antigo diretor da área de private da zona Centro, sejam julgados por um crime de abuso de confiança, um de infidelidade e um de burla qualificada. Vão ainda ser ouvidas mais quatro testemunhas.

Dos seis requerimentos de abertura de instrução apresentados por assistentes, Ivo Rosa apenas aceitou dois — o de Manuel e Irene Oliveira e o das empresas  Totalvalue e Segouvier, ambas representadas pelo empresário Carlos Malveiro.

Na semana passada, Ivo Rosa anulou a acusação à empresa Espírito Santo Resources Portugal SA, uma das sete acusadas, porque o Ministério Público a constituiu arguida através de um membro da família que já não a administrava há mais de quatro anos.

Alexandre Cadosh e Michel Creton, dois suíços que trabalharam para o GES também tentaram o mesmo, mas a acusação não caiu e Ivo Rosa segurou os argumentos do MP. Os dois suíços e a Eurofin querem que seja declarada a inexistência jurídica do despacho final do inquérito, por não terem sido notificados de todas as suas 4117 páginas, já que apenas as 3800 páginas da acusação foram traduzidas para francês, tendo as 265 do arquivamento ficado de fora.

Outros arguidos, como Salgado, Amílcar Morais Pires e João Alexandre Silva querem a nulidade da acusação por considerarem que as imputações são demasiado genéricas e põem em causa o direito de defesa. Alguns pedem a nulidade de algumas provas ou defendem que os crimes imputados já prescreveram.

  ZAP //

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