Boris Johnson apresenta demissão. Procura de novo líder “deve começar já”

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Tolga Akmen / EPA

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, na Downing Street.

Boris Johnson apresentou a demissão da liderança do Partido Conservador, mantendo-se como primeiro-ministro até ser encontrado novo líder.

Boris Johnson renunciou como líder conservador, possivelmente continuando como primeiro-ministro até ser encontrado sucessor. O Partido Conservador procurará um novo líder durante o verão e um novo primeiro-ministro será escolhido entretanto, avança a BBC.

“Boa tarde, obrigado. É claramente a vontade do grupo parlamentar conservativo que haja um novo líder e, por isso, um novo primeiro-ministro”, disse Boris Johnson num discurso à frente do n.º 10 de Downing Street.

“Concordo com Graham Brady que o processo para escolher um novo líder deve começar já”, acrescentou, salientando que permanecerá no Governo “até que um novo líder entre no cargo”.

Depois de agradecer à família pelo apoio, explicou que a razão pela qual lutou tanto nos últimos dias para continuar este mandato “não foi só porque queria”, mas porque sentia que era o seu trabalho, dever e obrigação.

“Quando o rebanho se move, move-se”, atirou, lamentando o facto de o partido estar “apenas uns pontos atrás nas sondagens”.

“Mesmo que as coisas fiquem negras agora, o nosso futuro juntos é dourado”, disse ainda o ainda líder conservador, assegurando que vai apoiar o seu sucessor.

O primeiro-ministro demissionário tomou a decisão esta manhã, depois de falar com Graham Brady, presidente do Comité 1922, que define as regras do partido Conservador.

O editor de Política do The Times escreve no Twitter que Boris disse a Brady que a sua demissão será a melhor opção para os interesses do país e do partido.

George Freeman, ex-secretário de Estado da Ciência que saiu nesta vaga de demissões, escreveu no Twitter que agora que Boris tomou “a opção decente” tem de pedir desculpas à rainha e demitir-se imediatamente.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, também já reagiu, salientando que é uma “boa notícia para o país”.

“Ele nunca teve condições para exercer o cargo. É o responsável por mentiras, escândalo e fraude a escala industrial e todos os que foram cúmplices deviam estar completamente envergonhados”, lê-se no comunicado citado pelo The Guardian.

“Não precisamos de mudar a liderança dos tories — precisamos de uma mudança de governo a sério. Precisamos de um novo começo para o Reino Unido”, acrescentou Starmer.

Mais de 50 demissões no Governo

Rishi Sunak e Sajid Javid deram o mote para o que viria a seguir. Os então ministros das Finanças e da Saúde, respetivamente, apresentaram a demissão do Governo britânico devido à sucessiva acumulação de escândalos no seio do Governo e do Partido Conservador.

Desde o Partygate à acumulação de empregos dos deputados e suspeitas de abuso de influências, passando pelas recentes derrotas eleitorais nas eleições antecipadas.

A gota de água foi o recente caso com Chris Pincher, um deputado Conservador que terá apalpado e assediado sexualmente colegas de trabalho. Já desde 2017 que as acusações são públicas e depois de inicialmente negar ter conhecimento disso, Boris admitiu que promoveu Pincher quando sabia das queixas.

Entretanto, o número de demissões no Governo de Boris Johnson foi escalando, contando-se já mais de 50 saídas. A debandada não foi suficiente para o primeiro-ministro britânico apresentar a demissão na quarta-feira.

Num encontro na passada noite, uma delegação de ministros tentou persuadir Boris Johnson a demitir-se, o que foi rejeitado pelo primeiro-ministro, que disse querer ficar no cargo para se concentrar nas “questões extremamente importantes” que o país enfrenta, segundo uma fonte do executivo citada pela Sky News.

Apesar de tudo, a imprensa inglesa sugere que depois das reações geradas, o líder conservador decidiu apresentar a demissão.

Boris demitiu o ministro da Habitação, Michael Gove, um histórico do partido, que até era um aliado próximo. No entanto, Gove terá tentado persuadir o líder do Executivo a demitir-se — algo que terá sido visto como uma traição por Boris Johnson.

Fontes de Downing Street dizem que Gove foi demitido por “deslealdade” e referiram-se a ele como uma “cobra”.

Boris Johnson sobreviveu a uma moção de censura há cerca de um mês, mas há rumores de que possa voltar a ser testado. Na altura, o líder conservador reuniu 211 votos a favor e 148 contra.

Esta quarta-feira, Sajid Javid discursou no Parlamento, dizendo que com Boris Johnson será impossível para o partido recuperar tudo o que perdeu com os escândalos.

“Andar na corda bamba entre a lealdade e a integridade tornou-se impossível nos últimos meses. Não irei, nunca, arriscar perder a minha integridade”, atirou o ex-ministro. “Cheguei à conclusão de que o problema começa no topo e acredito que isso não vai mudar”.

O gabinete de Johnson anunciou que o primeiro-ministro tenciona nomear substitutos para os demissionários e o demitido. Boris Johnson disse existir suficiente “talento” na bancada parlamentar do Partido Conservador para substituir os membros do Governo demissionários.

  Daniel Costa, ZAP //

8 Comments

  1. À semelhança do primeiro-ministro inglês, quando é que o Costa pede a Demissão? Estamos todos à espera. É necessário purificar o ambiente político.

  2. A Europa vai caindo sozinha e ainda bem. É um mal necessário para se reestruturar novamente e se limpar destas almas perdidas guiadas pela boémia e pela ganância. O Macron em França não se demitiu mas também tem os dias contados.

  3. Contemporizou com o p. e lixou-se. De malta dessa quer-se é distância. Só servem para lixar a vida ao próximo.

    • Pois está claro. Até porque os nossos deputados e governantes não têm onde cair mortos. No dia em que perdem o tacho político lá se vai a única fonte de rendimentos. A dependência é total. E por esse mesmo motivo é que nunca em Portugal seriam os deputados e membros do próprio governo a depor o PM do próprio partido. Em Inglaterra foram os próprios conservadores a acabar com o PM do próprio partido.

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